Uma Missa à noite numa igreja paroquial do Brasil, vista do fundo: o altar iluminado com uma vela alta e, na frente, uma avó com véu de renda, uma mãe e o filho adulto com o braço em volta dela

Oração

Missa de sétimo dia: o que é, como pedir e uma oração para a família

A missa de sétimo dia é uma Missa como as outras, celebrada na intenção de quem morreu quando a morte completa uma semana: a família pede a intenção na secretaria da paróquia, e o nome da pessoa é lido na celebração.

Oração da família no sétimo dia

Antes de sair para a missa de sétimo dia, ou à noite, em casa, diante de uma vela acesa. Quem conduz lê a oração; todos rezam juntos o Descanso eterno no fim.

Senhor Deus, Pai de misericórdia,

há sete dias nos despedimos de uma pessoa querida.

(Aqui, quem conduz diz o nome completo de quem partiu.)

Nós vos entregamos a sua vida inteira:

os anos de alegria e os dias difíceis,

o bem que fez e o que ficou por fazer.

Perdoai tudo o que ainda precisava de perdão

e recebei na vossa paz quem tanto amamos.

Hoje a Igreja oferece por quem partiu

o sacrifício de Jesus, o vosso Filho,

e nós nos unimos a essa Missa com o nosso amor e a nossa saudade.

Consolai também a nós, que ficamos.

Quando a dor apertar, dai-nos força para continuar,

e não deixeis que a tristeza apague a nossa esperança.

Santa Maria, Mãe das Dores,

ficai também junto de nós nesta semana.

Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

(Todos juntos. Por uma mulher, diga “a ilumine”.)

Dai-lhe, Senhor, o descanso eterno.

E que a luz perpétua o ilumine.

Descanse em paz.

Amém.

Texto AngelGuard: a oração da família para o sétimo dia e as suas rubricas, escritas para esta página. O Descanso eterno no fim é a antífona tradicional da liturgia dos fiéis defuntos, no singular, como na página da oração pelos falecidos.

Não é um sacramento à parte nem uma obrigação, e sim um costume muito vivo no Brasil; a Igreja também celebra pelos mortos no terceiro dia, no trigésimo e a cada aniversário. É costume deixar uma oferta, e a Igreja recomenda aos padres que celebrem também por quem não pode dar nada. Esta página do AngelGuard reúne uma oração para a família rezar no sétimo dia, o passo a passo para pedir a Missa e respostas para as dúvidas de quem acabou de perder alguém.

Aprofundar

O que é a missa de sétimo dia

2 min de leituraA missa de sétimo dia (ou missa de 7º dia) não é uma cerimônia à parte nem um sacramento diferente.

A missa de sétimo dia (ou missa de 7º dia) não é uma cerimônia à parte nem um sacramento diferente. É uma Missa como as outras, celebrada na intenção de uma pessoa que morreu, mais ou menos uma semana após a morte. A família pede essa intenção na paróquia, vai à Missa, e ali a pessoa é lembrada pelo nome diante de Deus.

A Igreja reza assim desde os primeiros séculos. O Catecismo lembra que ela honra a memória dos mortos “oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o Sacrifício eucarístico” (CIC 1032). O Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia, da Santa Sé, põe lado a lado as ocasiões em que a Igreja celebra a Eucaristia por quem morreu: o funeral, o terceiro dia, o sétimo, o trigésimo e cada aniversário (n. 255).

O mesmo documento lembra um detalhe bonito: em toda Missa, a Igreja reza pelos fiéis falecidos de todos os lugares e de todos os tempos, e não só pelos “nossos”. Na missa de sétimo dia, a pessoa que você ama é lembrada junto com todos os que já partiram, e ninguém reza sozinho.

Por que rezamos pelos falecidos, e como a fé católica entende o purgatório, você lê na página da oração pelos falecidos.

Por que no sétimo dia

1 min de leituraO número costuma ser ligado à Bíblia, que conhece sete dias de luto.

O número costuma ser ligado à Bíblia, que conhece sete dias de luto. Quando Jacó morreu, José guardou sete dias de luto pelo pai antes de levá-lo ao túmulo da família (Gn 50,10). E o livro do Eclesiástico marca em sete dias o luto por quem morreu (Eclo 22,11-13; o número do versículo muda de uma edição da Bíblia para outra).

A Igreja guardou esse jeito de lembrar os mortos em dias marcados depois da morte. No Brasil, o sétimo dia ficou sendo o mais conhecido: é a primeira vez, depois do enterro, que a família e os amigos voltam a se reunir para rezar juntos. Também se conta que os sete dias davam tempo para os parentes que moravam longe chegarem; a explicação circula muito, mas nenhum documento a confirma.

É um costume, não uma regra. Nenhuma lei da Igreja fixa a Missa no sétimo dia exato. Se a data não der certo para a paróquia ou para a família, a Missa pode ser uns dias antes ou depois, e continua sendo a missa de sétimo dia de quem partiu.

Como pedir a missa de sétimo dia na paróquia

2 min de leituraPedir uma Missa é mais simples do que parece, e ninguém precisa saber termos certos.

Pedir uma Missa é mais simples do que parece, e ninguém precisa saber termos certos. Em geral, é assim:

  1. Procure a secretaria da paróquia. Pode ser a paróquia onde a pessoa morava, a da família ou qualquer outra igreja católica. Dá para ir pessoalmente ou telefonar, e várias paróquias também recebem o pedido pela internet, no site ou por WhatsApp. Se puder, faça o pedido com alguns dias de antecedência.
  2. Diga que é uma intenção de sétimo dia e dê o nome completo de quem morreu, do jeito que a família quer ouvir na Missa.
  3. Escolha a Missa. Olhe os horários da semana e marque a data mais próxima do sétimo dia em que a família possa ir.
  4. Combine a oferta. É costume deixar uma oferta pela intenção. Pergunte sem constrangimento qual é o costume da paróquia.
  5. Avise a família e os amigos, com o nome da igreja, o dia e o horário.

Várias famílias na mesma Missa. Em muitas paróquias, a missa de sétimo dia é uma das Missas da comunidade, e o nome da pessoa é lido junto com outros. Isso é muito comum e não diminui em nada a oração. Se a família preferir uma Missa celebrada só por essa intenção, vale perguntar na secretaria se é possível. Quando uma única Missa é oferecida por várias intenções reunidas, a Santa Sé exige que cada pessoa que deu uma oferta seja informada e concorde livremente, e esse acordo nunca é presumido (decreto do Dicastério para o Clero aprovado pelo Papa Francisco em 13 de abril de 2025).

A oferta: quanto custa a missa de sétimo dia

1 min de leituraNinguém compra uma Missa: ela não tem preço.

Ninguém compra uma Missa: ela não tem preço. O que existe é a oferta, que muitas paróquias também chamam de espórtula: um valor que a família deixa quando pede a intenção. Com ela, diz o Código de Direito Canônico, quem pede a Missa participa do sustento dos padres e das obras da Igreja (cân. 946). O valor de referência é fixado pelos bispos de cada região (cân. 952), e há paróquias que deixam a oferta livre ou não pedem valor nenhum.

O mesmo Código manda evitar qualquer aparência de negócio com as Missas (cân. 947) e recomenda muito aos padres que celebrem pelas intenções do povo mesmo quando não há oferta nenhuma, em primeiro lugar pelos pobres (cân. 945 §2). O decreto de 2025 repete as duas coisas e lembra que ninguém deve ficar sem os sacramentos por ser pobre. Se a oferta pesar no orçamento, diga isso com simplicidade na secretaria ou ao padre.

Como funciona a missa de sétimo dia

2 min de leituraA Missa segue o rito de sempre.

A Missa segue o rito de sempre. A diferença está na intenção: em algum momento, alguém lê em voz alta o nome da pessoa, entre as outras intenções do dia; o momento exato depende do costume de cada paróquia. E, em toda Oração Eucarística, a Igreja reza pelos seus membros vivos e falecidos (Instrução Geral do Missal Romano, n. 79).

Num domingo ou num dia de semana. Num dia de semana do Tempo Comum sem festa nem memória obrigatória, o padre pode escolher as orações e as leituras próprias da Missa pelos falecidos (IGMR, n. 381). Nos outros dias, como o domingo, as festas e os dias de semana do Advento, do Natal, da Quaresma e da Páscoa, as leituras e as orações são as do dia, e quem partiu é lembrado nas intenções. Nos dois casos, é a missa de sétimo dia da mesma forma.

A família na Missa. A Igreja convida a família de quem morreu a participar também comungando (IGMR, n. 383). Quem não pode ou não está preparado para comungar reza do seu lugar, e quem não é católico pode simplesmente acompanhar. Ninguém da família precisa falar: se quiserem dizer uma palavra de agradecimento ou ler uma das preces, combinem antes com o padre ou com a equipe de liturgia.

Posso pedir missa para quem não era católico?

1 min de leituraPode, sim: o Código de Direito Canônico diz, no cânon 901, que o padre pode “aplicar a Missa por quaisquer pessoas, tanto vivas como defuntas”.

Pode, sim: o Código de Direito Canônico diz, no cânon 901, que o padre pode “aplicar a Missa por quaisquer pessoas, tanto vivas como defuntas”. Vale para quem era de outra igreja, para quem não tinha religião e para quem estava longe da fé havia muitos anos. Na secretaria, basta dar o nome.

E por quem tirou a própria vida? Também. Muitas famílias carregam essa dúvida em silêncio, e a resposta da Igreja é de esperança. O Catecismo diz: “Não se deve desesperar da salvação eterna das pessoas que se suicidaram”. Depois, lembra que Deus pode, por meios que só ele conhece, oferecer a essas pessoas a ocasião de se arrepender, e que a Igreja reza por elas (CIC 2283). O Catecismo reconhece também que um sofrimento psíquico grave, a angústia ou um medo muito forte podem diminuir a responsabilidade de quem chega a esse ponto (CIC 2282). E, se alguém disser que a Igreja não reza por quem tirou a própria vida, fique em paz: não é isso que ela ensina. Pedir a missa de sétimo dia por quem partiu assim é rezar como a própria Igreja reza.

Missa de 30 dias e missa de um ano

1 min de leituraDepois do sétimo dia, muitas famílias pedem outra Missa no trigésimo dia, a missa de 30 dias, que alguns chamam de missa de mês.

Depois do sétimo dia, muitas famílias pedem outra Missa no trigésimo dia, a missa de 30 dias, que alguns chamam de missa de mês. Depois vem a missa de um ano, no aniversário da morte, e muitas famílias continuam pedindo uma Missa a cada aniversário. O pedido é igual: secretaria, nome completo, data e oferta.

Cada data tem o seu jeito. No trigésimo dia, a rotina já voltou, as visitas rarearam e a saudade costuma ficar mais silenciosa; a Missa é um jeito de a família não parar de rezar. No aniversário, a família se reúne de novo para lembrar e agradecer. E pode-se pedir uma Missa por alguém em qualquer outro dia, sem data marcada. No Dia de Finados, a Igreja inteira celebra pelos falecidos.

Nos dias até a Missa

1 min de leituraA semana entre o enterro e a missa de sétimo dia costuma ser a mais difícil, e muitas famílias rezam juntas à noite, em casa, para atravessá-la.

A semana entre o enterro e a missa de sétimo dia costuma ser a mais difícil, e muitas famílias rezam juntas à noite, em casa, para atravessá-la. Algumas ideias simples:

  • Um terço por noite. O terço pelas almas é o terço de sempre, com o Descanso eterno no fim de cada dezena. Nas noites de cansaço, uma dezena só, sem pressa, já é oração.
  • O Descanso eterno. Rezado pelo nome, ao acordar, antes de dormir ou quando a lembrança vier.
  • Uma vela acesa. Perto de uma foto, na hora em que a família reza junta. A vela não reza por nós, mas ajuda a casa inteira a lembrar por quem está rezando.
  • A oração da família. A oração que abre esta página foi pensada para o dia da Missa. Nas outras noites, quem conduz pode trocar “há sete dias” pelo tempo certo (por exemplo, “há poucos dias”) e pular as três linhas sobre a Missa, de “Hoje a Igreja oferece” até “a nossa saudade”.

Para quem está de luto

1 min de leituraSe você está organizando a missa de sétimo dia de alguém que ama, talvez esteja cansado, com a cabeça cheia de papéis e de telefonemas.

Se você está organizando a missa de sétimo dia de alguém que ama, talvez esteja cansado, com a cabeça cheia de papéis e de telefonemas. Não precisa fazer tudo perfeito. O que dá valor à Missa é o próprio Cristo, que se oferece ao Pai, e não a data exata, o tamanho da oferta ou a quantidade de gente na igreja.

Na Missa, é normal chorar, e também é normal não sentir nada. Deus acolhe as duas coisas. Se faltar o que dizer, guarde o nome da pessoa no coração na hora em que ele for lido; isso já é rezar. E, se a dor continuar pesada nas semanas seguintes, converse com o padre da paróquia ou com alguém da pastoral da comunidade. Ninguém precisa atravessar o luto sozinho.

Perguntas

Quanto custa a missa de sétimo dia?

Uma Missa não se compra. É costume deixar uma oferta, também chamada de espórtula, quando se pede a intenção; o valor de referência é fixado pelos bispos de cada região, e a secretaria informa o costume da paróquia. Há paróquias que deixam a oferta livre. Se o dinheiro estiver curto, diga isso com simplicidade: o Código de Direito Canônico recomenda aos padres que celebrem também para quem não pode dar nada, a começar pelos mais pobres (cân. 945 §2).

Como pedir missa de sétimo dia?

Na secretaria da paróquia: pessoalmente, por telefone ou, em várias paróquias, online, pelo site ou por WhatsApp. Diga que é uma intenção de sétimo dia, dê o nome completo de quem morreu, escolha a Missa mais próxima da data e combine a oferta. Pode ser em qualquer igreja católica, não só na paróquia de quem morreu.

Por que a missa é no sétimo dia?

Costuma-se ligar a data aos sete dias de luto que a Bíblia conhece: José guardou sete dias de luto pelo pai, Jacó (Gn 50,10), e o Eclesiástico fala de sete dias de luto por um morto. A Igreja lembra os falecidos em dias marcados depois da morte, e no Brasil o sétimo dia é o mais conhecido.

A missa de sétimo dia é obrigatória?

Não. É um costume bonito e muito vivo, não um mandamento. A Igreja recomenda oferecer a Missa pelos mortos, mas nenhuma lei obriga a família a pedir a missa de sétimo dia. E ninguém fica fora da oração da Igreja, que em toda Missa se lembra de cada um dos que já morreram.

Como calcular o sétimo dia? O dia da morte conta?

Não há regra oficial, e as famílias contam de jeitos diferentes. Contando o dia da morte como o primeiro, quem morreu numa segunda-feira tem o sétimo dia no domingo; contando a partir do dia seguinte, ele cai na segunda-feira da semana seguinte. Nenhuma das duas contas está errada; é por causa da primeira que muita gente diz que a missa de sétimo dia cai no sexto dia. O que importa é marcar a Missa num dia em que a família possa estar presente.

A missa de sétimo dia pode ser depois do sétimo dia?

Pode, e antes também. Se a paróquia não tiver Missa na data, ou se a família precisar de mais tempo para se reunir, escolha o dia mais próximo possível. Continua sendo a missa de sétimo dia de quem partiu.

Pode pedir missa de sétimo dia por um bebê?

Pode. Se a criança foi batizada, a Igreja crê que nada a impede de estar com Deus (CIC 1263); por isso a Missa pode ser oferecida em ação de graças pela vida dela e pelo consolo da família, e basta dizer isso na secretaria. Se o bebê morreu antes do batismo, ainda na gestação ou logo depois de nascer, a Igreja o confia à misericórdia de Deus e à ternura de Jesus pelas crianças, e isso nos permite ter esperança (CIC 1261); a Missa pode ser pedida do mesmo jeito, com o nome que a família lhe deu. A oração da família desta página foi escrita pensando em um adulto: por um bebê, digam o nome dele, agradeçam a Deus pelo tempo que ele esteve com vocês e entreguem-no ao Pai com as palavras do coração.

O que se fala na missa de sétimo dia?

A Missa é a de sempre, e o nome da pessoa entra nas intenções e é lido em voz alta. A família não precisa falar nada. Se quiser agradecer a quem veio ou ler uma das preces, combine antes com o padre ou com a equipe de liturgia. Na saída, um simples “obrigado por ter vindo” já basta.

Como escrever as preces para a missa de sétimo dia?

Se a paróquia convidar a família a preparar uma prece para a oração dos fiéis, faça cada uma curta: diga por quem se reza e o que se pede, e termine com “rezemos ao Senhor”. Por exemplo: “Por N., que partiu há sete dias, para que descanse em Deus, rezemos ao Senhor.” “Pela família de N., para que encontre consolo na fé, rezemos ao Senhor.” “Pelos falecidos da nossa comunidade, para que vejam a face de Deus, rezemos ao Senhor.” Depois de cada prece, todos respondem: “Senhor, escutai a nossa prece.” Entregue o texto antes da Missa a quem coordena a celebração.