
Oração
Oração a Santo Antônio: o Responsório e outras orações de Santo Antônio
O Responsório de Santo Antônio completo, a oração “Lembrai-vos”, orações para coisas perdidas e para quem deseja se casar, a vida do santo e as tradições do 13 de junho
A oração a Santo Antônio mais antiga é o Responsório, versão portuguesa de um hino latino composto em 1233: “Se milagres desejais, recorrei a Santo Antônio; vereis fugir o demônio e as tentações infernais. Recupera-se o perdido, rompe-se a dura prisão…”. Santo Antônio de Pádua, também chamado de Lisboa (c. 1195–1231), é invocado para encontrar o que se perdeu, pelos pobres e por quem deseja se casar, sempre como intercessor junto de Deus. No AngelGuard você encontra o Responsório completo, outras orações a Santo Antônio, a vida dele e o sentido das tradições do 13 de junho.
Se milagres desejais,
Recorrei a Santo Antônio;
Vereis fugir o demônio
E as tentações infernais.
Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.
Todos os males humanos
Se moderam, se retiram,
Digam-no aqueles que o viram,
E digam-no os paduanos.
Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.
Pela sua intercessão
Foge a peste, o erro, a morte,
O fraco torna-se forte
E torna-se o enfermo são.
Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.
Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo.
Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.
Responsório de Santo Antônio, versão portuguesa tradicional do “Si quaeris miracula”, como a publicam os Franciscanos da Província da Imaculada Conceição do Brasil.
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O Responsório de Santo Antônio: de onde vem e o que diz
2 min de leituraO texto no alto desta página é a versão portuguesa tradicional do Si quaeris miracula (“Se buscas milagres”), um responsório composto pelo frade franciscano Juliano de Espira para o ofício rimado em honra de Santo Antônio, em 1233, dois anos depois da morte do santo.
O texto no alto desta página é a versão portuguesa tradicional do Si quaeris miracula (“Se buscas milagres”), um responsório composto pelo frade franciscano Juliano de Espira para o ofício rimado em honra de Santo Antônio, em 1233, dois anos depois da morte do santo. Na Basílica de Santo Antônio, em Pádua, onde está o seu túmulo, ele é cantado toda terça-feira. Em português, espalhou-se pelas trezenas, pelas famílias e pelas festas de junho, e é rezado assim, com o refrão “Recupera-se o perdido” repetido depois de cada estrofe.
“Se milagres desejais, recorrei a Santo Antônio.” O responsório fala dos milagres que a tradição atribui ao santo: a tentação que foge, a prisão que se rompe, o mar que se acalma, a doença que passa. Mas quem faz o milagre é Deus. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) ensina que os santos, unidos a Cristo, não deixam de interceder por nós junto do Pai, por meio do único Mediador, Jesus Cristo (CIC 956). Por isso a estrofe diz: “Pela sua intercessão foge a peste, o erro, a morte”. Santo Antônio pede; Deus concede.
“Recupera-se o perdido.” É a linha que, desde o século XIII, liga Santo Antônio às coisas perdidas. O “perdido” pode ser uma chave, um documento, mas também a fé, a paz ou uma pessoa que se afastou.
“Digam-no aqueles que o viram, e digam-no os paduanos.” No meio do hino, o texto chama testemunhas: a gente de Pádua, que viu o que Deus fez pela intercessão dele. E o hino termina, como tantos hinos cristãos, dando glória à Santíssima Trindade.
Muitas comunidades acrescentam o versículo “Rogai por nós, bem-aventurado Antônio. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo” e uma oração a Deus. Existe ainda uma versão que diz “Recorrei a Santo Antônio e não falhareis jamais”. Essa frase é linguagem de confiança, não uma garantia: nenhuma oração obriga Deus, e esperar um resultado só por repetir palavras é o que o Catecismo chama de superstição (CIC 2111).
Outras orações a Santo Antônio
2 min de leitura“Lembrai-vos”.
“Lembrai-vos”. Os franciscanos publicam, na trezena, uma oração no molde da antiga “Lembrai-vos” dirigida a Nossa Senhora: “Lembrai-vos, ó glorioso Santo Antônio, amigo do Menino Jesus, e filho querido de Maria Imaculada…” A oração recorda que ninguém que recorreu a ele ficou abandonado; depois, quem reza se apresenta como pecador e pede que o santo, “tão poderoso junto do Coração de Jesus”, acolha a sua súplica. O poder de que fala é o da intercessão: Santo Antônio leva o pedido a Jesus.
A oração da trezena. A trezena franciscana começa todos os dias com uma oração que pede, no final: “Fazei que durante estes dias, que vos consagro, eu aprenda de vós a amar melhor a Deus e ao próximo”. É um bom critério para qualquer devoção a um santo: ela deve nos levar a amar mais a Deus e as pessoas.
Uma oração a Deus, pela intercessão de Santo Antônio. Se você prefere dirigir o pedido diretamente a Deus, pedindo que o santo reze com você, pode usar esta:
Deus de bondade, que destes Santo Antônio à vossa Igreja
como pregador do Evangelho e amigo dos pobres,
olhai para a necessidade que hoje coloco diante de vós.
Pela intercessão dele, concedei-me o que for para o meu bem
e dai-me paz para aceitar a vossa resposta.
Que eu aprenda com ele a partilhar o pão
e a buscar primeiro o vosso Reino.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
“Buscai pois primeiramente o reino de Deus, e a sua justiça: e todas estas coisas se vos acrescentarão” (Mt 6,33, na tradução do Padre Figueiredo). Santo Antônio pregou isso a vida inteira: os pedidos de cada dia cabem dentro de um pedido maior.
Oração a Santo Antônio para encontrar coisas perdidas
2 min de leituraPor que Santo Antônio ajuda a achar o que se perdeu?
Por que Santo Antônio ajuda a achar o que se perdeu? Além da linha do Responsório, a tradição franciscana conta um episódio da vida dele. Quando ensinava teologia aos frades, na França, um noviço fugiu do convento levando o saltério de Frei Antônio, um livro dos Salmos cheio de anotações que ele usava nas aulas. Antes da imprensa, um livro assim era insubstituível. Antônio rezou pedindo a Deus que o livro voltasse, e o noviço, arrependido, devolveu o saltério e voltou para a comunidade. O que se recuperou não foi só um livro, mas uma pessoa.
Jesus também contou a história de uma mulher que perde uma moeda, acende a candeia, varre a casa e procura até achar, e depois chama as vizinhas: “Congratulai-vos comigo, porque achei a dracma, que tinha perdido” (Lc 15,9). Nada é pequeno demais para ser apresentado a Deus. E varrer a casa continua sendo parte da oração. Diga, na oração, o que você perdeu.
Senhor, vós conheceis cada coisa e cada pessoa,
e nada se perde diante de vós.
Pela intercessão de Santo Antônio,
ajudai-me a encontrar o que perdi.
Acalmai a minha pressa e iluminai a minha memória.
E, se não o encontrar, dai-me paz,
e não me deixeis perder o que mais importa: a vossa amizade.
Amém.
Muita gente, na aflição, diz apenas “Santo Antônio, ajudai-me a encontrar”. Não há nada de errado nisso: os santos são amigos, e amigos se falam com poucas palavras. O que não faz sentido é tratar a oração como um truque que funciona pela repetição.
Santo Antônio casamenteiro: devoção, não simpatia
3 min de leituraNo Brasil e em Portugal, Santo Antônio é o santo casamenteiro, e não se sabe ao certo como nasceu essa fama.
No Brasil e em Portugal, Santo Antônio é o santo casamenteiro, e não se sabe ao certo como nasceu essa fama. Os franciscanos contam uma lenda antiga: uma jovem pobre, pressionada pela mãe a se vender para sair da miséria, rezou a Santo Antônio e recebeu dele um bilhete para um comerciante, que o pôs na balança; o papel só se equilibrou quando as moedas do outro prato somaram quatrocentos escudos, e com esse dote ela pôde se casar. Seja qual for a origem, o costume pegou. Quando, em 1949, o publicitário João Doria criou em São Paulo o Dia dos Namorados para aquecer o comércio de junho, escolheu o dia 12, véspera da festa do santo.
Pedir a Santo Antônio que interceda por um bom casamento é legítimo e bonito. O Catecismo lembra que a vocação ao matrimônio está inscrita na própria natureza do homem e da mulher, e que o autor do matrimônio é o próprio Deus (CIC 1603). Outra coisa, que não é devoção, são as simpatias: virar a imagem de cabeça para baixo, tirar o Menino Jesus do colo do santo até aparecer um namorado, pôr a imagem num copo d’água ou de cachaça. Muitas são feitas com humor e fazem parte da cultura popular, mas não têm nada a ver com a devoção católica. A imagem não é um refém: a honra que se presta a uma imagem vai para a pessoa representada (CIC 2132), e atribuir efeito mágico a gestos e objetos é superstição (CIC 2111).
Também circulam textos “para amansar” alguém ou “trazer a pessoa amada de volta”. Esses pedidos querem dobrar a vontade de outra pessoa, e isso a fé não pede: o Catecismo condena como gravemente contrárias à religião as práticas de magia que pretendem obter um poder sobrenatural sobre o próximo (CIC 2117). O amor só é amor se for livre.
Senhor Deus, autor do amor,
vós conheceis o desejo do meu coração de formar uma família.
Pela intercessão de Santo Antônio,
ponde no meu caminho alguém que vos ame
e que eu possa amar com respeito e alegria.
Enquanto espero, fazei-me uma pessoa melhor,
capaz de dar e de receber amor.
E, se o vosso chamado for outro, dai-me paz para acolhê-lo.
Amém.
Uma oração assim não troca o namoro por uma espera parada. Sair, conhecer gente, participar da comunidade e cuidar de si continuam sendo parte do caminho. A oração pede a Deus que esse caminho seja bom.
Quem foi Santo Antônio de Pádua, ou de Lisboa
2 min de leituraEle não era de Pádua.
Ele não era de Pádua. Nasceu em Lisboa, numa família nobre, por volta de 1195, e foi batizado com o nome de Fernando. Por isso, em Portugal, é Santo Antônio de Lisboa. Jovem, entrou para os cônegos regulares de Santo Agostinho, primeiro no mosteiro de São Vicente, em Lisboa, depois no de Santa Cruz, em Coimbra, onde estudou a Bíblia e os Padres da Igreja. Em 1220 chegaram a Coimbra as relíquias de cinco frades franciscanos mortos no Marrocos. Fernando quis seguir o exemplo deles: pediu para entrar na ordem de São Francisco e tomou o nome de Antônio.
Partiu para o Marrocos, mas adoeceu, e o navio da volta foi levado pelo vento até a Sicília. Em 1221 participou do Capítulo das Esteiras, em Assis, onde conheceu São Francisco. Viveu escondido num eremitério perto de Forlì até o dia em que, numa ordenação, foi mandado pregar de improviso e revelou um grande pregador. A partir daí pregou na Itália e na França e foi um dos primeiros mestres de teologia dos franciscanos, com a bênção do próprio Francisco, que lhe escreveu: “Agrada-me que ensines teologia aos frades”.
Esgotado depois de pregar toda a Quaresma de 1231 em Pádua, morreu em 13 de junho daquele ano, em Arcella, às portas da cidade, com cerca de 36 anos. Segundo a tradição franciscana, suas últimas palavras foram: “Estou vendo o meu Senhor”. O Papa Gregório IX, que admirava a sua pregação e o chamara de “Arca do Testamento”, canonizou-o em 30 de maio de 1232, menos de um ano depois da morte. Em 16 de janeiro de 1946, o Papa Pio XII declarou-o Doutor da Igreja, com o título de Doctor Evangelicus, o Doutor Evangélico.
A festa de 13 de junho, a trezena e o pão de Santo Antônio
2 min de leituraA Igreja celebra Santo Antônio em 13 de junho, dia da sua morte.
A Igreja celebra Santo Antônio em 13 de junho, dia da sua morte. No Brasil, a data abre as festas juninas, junto com São João e São Pedro. Muitas paróquias rezam a trezena, treze dias de oração que terminam na festa, e mantêm a devoção das terças-feiras. Segundo os franciscanos, a trezena nasceu em Bolonha, na Itália, em 1617, a partir da história de uma mulher que visitou a imagem do santo por nove terças-feiras seguidas; com o tempo, as terças passaram a treze, em memória do dia 13.
O pão de Santo Antônio é a tradição mais bonita da festa. Conta-se que Antônio deu aos pobres todo o pão do convento e que, quando o frade padeiro foi reclamar, os cestos estavam cheios de novo. Desde então, em muitas igrejas, o pão é abençoado no dia 13 e distribuído, e as doações para o “pão dos pobres” sustentam obras de caridade. Muita gente guarda o pãozinho bento na lata de farinha, pedindo que nunca falte comida em casa. O pão abençoado é um sinal, não um amuleto: o seu sentido é lembrar que Deus provê e que somos chamados a partilhar. Jesus respondeu ao tentador: “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra, que sai da boca de Deus” (Mt 4,4).
A religiosidade popular, com as suas festas, procissões e bênçãos, é um tesouro do povo de Deus; a Igreja a acolhe e, ao mesmo tempo, pede discernimento para purificá-la e levá-la a Cristo (CIC 1674, 1676). As festas de Santo Antônio são isso: fé, comida, música e caridade, com Deus no centro.
Perguntas
Qual é a oração oficial de Santo Antônio?
Não existe uma única oração oficial. A mais antiga é o Responsório, “Se milagres desejais, recorrei a Santo Antônio…”, versão portuguesa do Si quaeris miracula, composto em 1233 e cantado até hoje em Pádua. Na Missa de 13 de junho, a Igreja usa a oração própria da memória do santo.
Qual é a oração mais poderosa de Santo Antônio?
Nenhuma oração é mais poderosa do que as outras. O que dá valor à oração é a fé e o amor de quem reza, e quem atende é Deus, pela intercessão do santo (Catecismo da Igreja Católica, n. 956). O Responsório e a oração “Lembrai-vos, ó glorioso Santo Antônio” são as mais tradicionais.
Qual é a oração de Santo Antônio para encontrar coisas perdidas?
Pode ser o próprio Responsório, que diz “Recupera-se o perdido”, ou uma oração simples: “Senhor, pela intercessão de Santo Antônio, ajudai-me a encontrar o que perdi; e, se não o encontrar, dai-me paz.” A tradição liga essa devoção ao saltério que um noviço levou de Santo Antônio e depois devolveu.
Por que Santo Antônio é casamenteiro?
Não se sabe ao certo. Uma lenda antiga conta que ele ajudou uma moça pobre a conseguir o dote para se casar. A fama ficou tão forte no Brasil que o Dia dos Namorados, criado em 1949, foi marcado para 12 de junho, véspera da festa do santo. Pedir a intercessão dele por um bom casamento é legítimo; simpatias com a imagem não fazem parte da fé.
É errado colocar Santo Antônio de cabeça para baixo?
Não faz parte da devoção católica. A imagem de um santo é venerada por causa da pessoa que representa, e castigar a imagem para forçar um resultado é tratar a fé como mágica, o que o Catecismo chama de superstição (n. 2111). A Igreja propõe outro caminho: pedir a intercessão do santo com confiança e aceitar a resposta de Deus.
Santo Antônio de Pádua e Santo Antônio de Lisboa são o mesmo santo?
Sim. Ele nasceu em Lisboa, por volta de 1195, com o nome de Fernando, e morreu perto de Pádua, na Itália, em 13 de junho de 1231. Em Portugal é chamado de Lisboa; no resto do mundo, de Pádua, onde está o seu túmulo.









