
Oração
Terço das Santas Chagas: como rezar e o que significa
O terço que oferece a Deus Pai as chagas de Jesus, com cada oração, o passo a passo nas contas do terço e a história da Irmã Maria Marta Chambon contada com cuidado
O terço das Santas Chagas é rezado nas contas de um terço comum e oferece a Deus Pai as chagas de Jesus: nas contas grandes se diz “Eterno Pai, eu Vos ofereço as Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as de nossas almas.” e nas pequenas “Meu Jesus, perdão e misericórdia: pelos méritos de Vossas Santas Chagas.” A devoção se difundiu a partir da Irmã Maria Marta Chambon (1841–1907), religiosa da Visitação de Chambéry, na França. No AngelGuard você encontra o terço completo, o passo a passo e a história da devoção, contada com cuidado.
No início:
Fazer o sinal da Cruz, rezar o Creio e depois:
Oh! Jesus, Divino Redentor, tende Misericórdia de nós e do mundo inteiro.
Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro.
Graça, Misericórdia, Meu Jesus; nos perigos presentes, cobri-nos com Vosso Preciosíssimo Sangue.
Eterno Pai, tende Misericórdia de nós, pelo Sangue de Jesus Cristo, Vosso Filho Unigênito, tende Misericórdia de nós, Vos suplicamos.
Amém.
Contas grandes:
Eterno Pai, eu Vos ofereço as Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as de nossas almas.
Contas pequenas:
Meu Jesus, perdão e misericórdia: pelos méritos de Vossas Santas Chagas.
Terminando o rosário, deve-se rezar três vezes:
Eterno Pai, eu Vos ofereço as Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as de nossas almas.
Amém.
Terço das Santas Chagas como o publica a Associação Evangelizar É Preciso (Curitiba, PR); oração devocional tradicional, ligada às revelações privadas da Irmã Maria Marta Chambon.
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Como rezar o terço das Santas Chagas, passo a passo
2 min de leituraO terço das Santas Chagas é rezado num terço comum, de cinco dezenas.
O terço das Santas Chagas é rezado num terço comum, de cinco dezenas. Muda o que se diz em cada conta: no lugar do Pai-Nosso e da Ave-Maria entram duas invocações curtas, que oferecem a Deus Pai as chagas de Jesus e pedem perdão e misericórdia. Leva uns quinze minutos.
- Faça o sinal da cruz e reze o Creio.
- Antes da primeira dezena, reze as quatro invocações de abertura, que estão no alto da página: “Oh! Jesus, Divino Redentor…”, “Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal…”, “Graça, Misericórdia, Meu Jesus…” e “Eterno Pai, tende Misericórdia de nós…”, terminando com “Amém”.
- Em cada conta grande, onde se rezaria o Pai-Nosso: “Eterno Pai, eu Vos ofereço as Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as de nossas almas.”
- Em cada uma das dez contas pequenas, onde se rezaria a Ave-Maria: “Meu Jesus, perdão e misericórdia: pelos méritos de Vossas Santas Chagas.”
- Repita as cinco dezenas do mesmo modo.
- No fim, reze três vezes a invocação das contas grandes e termine com “Amém”.
É costume dedicar cada dezena a uma das cinco chagas de Jesus, olhando para o crucifixo: a mão direita, a mão esquerda, o pé direito, o pé esquerdo e o lado aberto pela lança. A associação francesa que divulga a devoção sugere contemplar uma chaga entre uma dezena e outra e dizer ali uma intenção particular. Não é preciso imaginar nada extraordinário: basta olhar para o Crucificado e lembrar que foi por nós.
O texto circula com pequenas variações. A forma da associação ligada às Irmãs da Visitação, na França, tem três invocações de abertura, sem a do Sangue precioso; algumas versões dizem “para curar as chagas das nossas almas” em vez de “para curar as de nossas almas”. As diferenças não mudam o sentido.
Não confunda com o chamado “Terço da Vitória pelas Chagas de Jesus”, que circula com sete dezenas e outras orações: é outra devoção, com estrutura diferente.
O sentido de cada oração do terço
2 min de leitura“Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro.”
“Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro.” É o Triságio, um dos louvores mais antigos dirigidos à Santíssima Trindade, que o Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia apresenta ao lado do Santo da Missa (n. 159). Quem reza o Terço da Misericórdia conhece a mesma invocação, que encerra aquele terço.
“Cobri-nos com Vosso Preciosíssimo Sangue.” A devoção ao Sangue de Cristo, derramado pela nossa salvação, faz parte da piedade da Igreja desde muito cedo (Diretório, n. 175-179). Pedir para ser coberto pelo Sangue de Jesus é pedir para viver sob o perdão que ele conquistou na cruz, não usar uma fórmula de proteção.
“Eterno Pai, eu Vos ofereço as Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as de nossas almas.” O centro do terço é uma oferta. Não temos nada de nosso para apresentar a Deus; apresentamos o que Jesus já ofereceu por nós na cruz, o seu único sacrifício (CIC 618). As chagas das nossas almas são os pecados, as feridas que eles deixam e aquelas que outros nos causaram. O profeta já dizia do Servo sofredor: “Mas ele foi ferido pelas nossas iniquidades, foi quebrantado pelos nossos crimes: o castigo que nos devia trazer a paz, caiu sobre ele, e nós fomos sarados pelas suas pisaduras” (Is 53,5). E São Pedro escreve aos cristãos: “por cujas chagas fostes vós sarados” (1Pd 2,24).
“Meu Jesus, perdão e misericórdia: pelos méritos de Vossas Santas Chagas.” Repetida cinquenta vezes, esta invocação é a oração do publicano no Templo (Lc 18,13): não há nela exigência nem barganha, só o pedido de quem sabe que precisa de perdão. O Evangelho conta que, na cruz, Jesus rezou pelos que o crucificavam: “Pai, perdoa-lhes: porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34). As chagas que pedimos por nós são as mesmas que pediram perdão pelos outros.
Quem foi a Irmã Maria Marta Chambon
2 min de leituraFrançoise Chambon nasceu em 6 de março de 1841, num lugarejo chamado Croix-Rouge, perto de Chambéry, na Saboia, numa família muito pobre, e foi batizada no mesmo dia.
Françoise Chambon nasceu em 6 de março de 1841, num lugarejo chamado Croix-Rouge, perto de Chambéry, na Saboia, numa família muito pobre, e foi batizada no mesmo dia. Nunca aprendeu a ler nem a escrever. Em 1862 entrou no mosteiro da Visitação de Chambéry, a ordem fundada por São Francisco de Sales e Santa Joana de Chantal, como irmã conversa, encarregada dos trabalhos da casa. Recebeu o nome de Irmã Marie-Marthe, em português Maria Marta, e fez a profissão religiosa em 2 de agosto de 1864.
A partir de 1866, ela disse receber visões de Jesus, que lhe mostrava as suas chagas e lhe pedia que as oferecesse ao Pai pela conversão dos pecadores e pelas almas do purgatório. Por obediência, contava tudo às superioras, que o puseram por escrito; o resto da comunidade não soube de nada enquanto ela viveu. Em 1867, durante uma epidemia de cólera na Saboia, ela disse ter recebido a oração das Santas Chagas, e em 1868 as superioras lhe deram a forma de um terço. Ela morreu em 21 de março de 1907, depois de uma longa doença. Hoje os seus restos estão no mosteiro da Visitação de Marclaz, em Thonon-les-Bains.
A devoção se espalhou sobretudo a partir de um livreto sobre a Irmã Maria Marta e as Santas Chagas, publicado em 1924. Nos anos 1930 foi aberto um processo em vista da sua beatificação. Ela é chamada Serva de Deus, mas não foi beatificada nem canonizada: a Igreja ainda não se pronunciou sobre a sua santidade.
Algumas páginas brasileiras dão 1909 como ano da morte dela; as biografias francesas, inclusive a da associação ligada às Irmãs da Visitação, dão 21 de março de 1907.
As promessas do terço das Santas Chagas e o que a Igreja diz
2 min de leituraNos escritos atribuídos à Irmã Maria Marta circulam frases que ela disse ter recebido de Jesus, e muitas páginas as reproduzem como “promessas”.
Nos escritos atribuídos à Irmã Maria Marta circulam frases que ela disse ter recebido de Jesus, e muitas páginas as reproduzem como “promessas”. A Canção Nova de Curitiba, por exemplo, publica esta: “Concederei tudo o que me pedirem pela invocação às SANTAS CHAGAS”. Essas frases são relatadas por ela e pelas superioras que as escreveram. Não fazem parte da Escritura nem da doutrina da Igreja.
O Catecismo explica que ao longo dos séculos existiram revelações chamadas privadas, algumas reconhecidas pela autoridade da Igreja, mas que não pertencem ao depósito da fé: não completam a Revelação de Cristo, só podem ajudar a vivê-la melhor numa época (CIC 67). O Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia repete essa regra para aparições e mensagens (n. 90). A devoção às chagas de Cristo é antiga, e o Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia a considera legítima (n. 129). Rezar estas invocações é uma forma de meditar a Paixão; isso não transforma as frases atribuídas a Jesus em garantias.
Por isso, leia as promessas como a expressão de uma confiança, não como um contrato. Jesus ensinou a pedir com perseverança, e o Catecismo lembra que nem as orações mais fervorosas obtêm sempre a cura de todas as doenças (CIC 1508). Atribuir a eficácia de uma oração apenas às palavras repetidas, independentemente das disposições do coração, é superstição (CIC 2111). Nenhum terço é infalível, e nenhuma devoção pede que você mande a oração para um certo número de pessoas.
As chagas de Jesus na fé da Igreja
1 min de leituraA devoção às cinco chagas é muito mais antiga do que a Irmã Maria Marta.
A devoção às cinco chagas é muito mais antiga do que a Irmã Maria Marta. O Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia a cita entre as devoções que nasceram da meditação da Paixão, com a devoção ao lado de Cristo, de onde saíram sangue e água (n. 129; Jo 19,34). A Irmã Maria Marta não inventou a devoção: disse ter recebido a missão de reavivá-la.
O Evangelho mostra que o Ressuscitado conservou as chagas. Ao apóstolo que duvidava, Jesus disse: “Mete aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos, chega também a tua mão, e mete-a no meu lado: e não sejas incrédulo, mas fiel” (Jo 20,27). As chagas não são só a lembrança do sofrimento; são o sinal de que o amor venceu a morte, e Tomé respondeu com uma profissão de fé: “Senhor meu, e Deus meu” (Jo 20,28).
Rezar diante das chagas também ensina a olhar para as feridas dos outros. O corpo ferido de Cristo continua nos doentes, nos pobres, nos que sofrem violência. Quem oferece as chagas de Jesus pelas almas é chamado a cuidar das chagas que encontra no caminho.
Quando rezar o terço das Santas Chagas
1 min de leituraÀs sextas-feiras.
Às sextas-feiras. É o dia em que a Igreja lembra a morte de Jesus, e, segundo as biografias, foi para a sexta-feira que a Irmã Maria Marta disse ter recebido o pedido de uma hora santa em honra das chagas. A associação francesa que divulga a devoção reza o terço das Santas Chagas toda sexta-feira.
Na Quaresma e na Semana Santa, junto com a Via-Sacra, e diante de um crucifixo.
Pelos doentes, pelos pecadores e pelas almas do purgatório, que eram as intenções da própria Irmã Maria Marta. Diga a intenção antes de começar e, se quiser, dedique uma dezena a cada pessoa.
Depois da confissão, como ação de graças pelo perdão recebido. O terço não substitui o sacramento da Reconciliação: ajuda a desejá-lo e a agradecê-lo.
Perguntas
Como se reza o terço das Santas Chagas?
Num terço comum: faça o sinal da cruz, reze o Creio e as quatro invocações de abertura. Em cada conta grande diga “Eterno Pai, eu Vos ofereço as Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as de nossas almas.” e em cada conta pequena “Meu Jesus, perdão e misericórdia: pelos méritos de Vossas Santas Chagas.” Depois das cinco dezenas, repita três vezes a invocação das contas grandes e termine com “Amém”.
Quem revelou o terço das Santas Chagas?
A devoção vem da Irmã Maria Marta Chambon (1841–1907), irmã conversa do mosteiro da Visitação de Chambéry, na França, que disse ter recebido de Jesus as invocações a partir de 1866. As superioras dela deram à oração a forma de terço em 1868. São revelações privadas: a Igreja permite rezar com elas, mas não as coloca no mesmo plano da Escritura.
Quais são as promessas do terço das Santas Chagas?
Circulam várias frases que a Irmã Maria Marta disse ter recebido de Jesus, como a de que ele concederia tudo o que se pedisse pela invocação das Santas Chagas. São relatos de uma revelação privada, não garantias: nenhuma oração obriga Deus a um resultado, e atribuir a eficácia só às palavras é superstição (Catecismo, n. 2111).
O terço das Santas Chagas é aprovado pela Igreja?
A devoção às chagas de Cristo é antiga e faz parte da piedade popular da Igreja, que o Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia chama de legítima (n. 129). O terço nasceu em 1868 no mosteiro da Visitação de Chambéry e continua sendo rezado pelas Irmãs da Visitação e por muitos fiéis. As revelações da Irmã Maria Marta são revelações privadas, que não pertencem ao depósito da fé (Catecismo, n. 67).
Qual é a diferença entre o terço das Santas Chagas e o Terço da Misericórdia?
Os dois são rezados nas contas do terço e oferecem a Deus Pai a Paixão de Jesus. O Terço da Misericórdia vem de Santa Faustina e oferece “o Corpo e Sangue, a Alma e Divindade” de Jesus; o terço das Santas Chagas vem da Irmã Maria Marta Chambon e oferece as chagas de Jesus “para curar as de nossas almas”. Nos dois aparece o Triságio, “Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal”: no Terço da Misericórdia, no fim; no terço das Santas Chagas, entre as invocações de abertura.
Em que dia rezar o terço das Santas Chagas?
Pode ser rezado em qualquer dia. É tradicional rezá-lo às sextas-feiras, dia da morte de Jesus, e durante a Quaresma e a Semana Santa, pelos doentes, pelos pecadores e pelas almas do purgatório.





