
Oração
Credo: a oração do Creio em Deus Pai, completa e explicada
O Símbolo dos Apóstolos no texto do Missal Romano da CNBB (2023), artigo por artigo com o Catecismo, e o Credo longo da Missa
O Credo, ou Creio, é a oração que resume a fé católica: “Creio em Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor…”. Esta forma é o Símbolo dos Apóstolos, o antigo credo do Batismo da Igreja de Roma, rezado no início do terço e que pode ser dito na Missa no lugar do Credo longo, o Niceno-Constantinopolitano. No AngelGuard você reza o texto completo, como está no Missal Romano da CNBB, e entende cada artigo com o Catecismo da Igreja Católica.
Creio em Deus Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo,
nasceu da Virgem Maria,
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu à mansão dos mortos,
ressuscitou ao terceiro dia,
subiu aos céus,
está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo,
na santa Igreja católica,
na comunhão dos santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição da carne
e na vida eterna. Amém.
Texto litúrgico oficial — Missal Romano, 3ª edição típica, Edições CNBB 2023, Ordinário da Missa n. 19.
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O Credo artigo por artigo, com o Catecismo
4 min de leituraA primeira parte do Catecismo da Igreja Católica é um comentário ao Credo, frase por frase.
A primeira parte do Catecismo da Igreja Católica é um comentário ao Credo, frase por frase. O Credo tem três partes, uma para cada Pessoa da Santíssima Trindade: o Pai e a criação, o Filho e a redenção, o Espírito Santo e a santificação (CIC 190). Uma tradição antiga, já atestada por Santo Ambrósio, conta doze artigos, como os doze Apóstolos (CIC 191). Os números entre parênteses indicam onde o Catecismo explica cada um.
1. “Creio em Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra” (CIC 198–421). “Creio em Deus” é a afirmação mais fundamental; todos os outros artigos dependem dela (CIC 199). De todos os atributos de Deus, o Credo só nomeia um, o poder, e o Catecismo diz que ele é universal, amoroso e misterioso (CIC 268).
2. “E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor” (CIC 422–455). Jesus quer dizer “Deus salva” (CIC 430). Chamá-lo de Senhor é reconhecer nele a soberania divina, com o título que a Bíblia grega reservava a Deus (CIC 446–447), e confessar que “Jesus é o Senhor” é o que é próprio da fé cristã (CIC 202).
3. “Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria” (CIC 456–570). O Filho de Deus se fez homem para nos salvar, reconciliando-nos com Deus (CIC 457), e foi concebido no seio da Virgem Maria unicamente pelo poder do Espírito Santo (CIC 496).
4. “Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado” (CIC 571–630). O nome de um governador romano prende a fé a um tempo e a um lugar: o Filho eterno de Deus é Jesus de Nazaré, morto em Jerusalém sob Pôncio Pilatos (CIC 423). A Igreja ensina que a responsabilidade pela sua morte não pode ser atribuída ao conjunto dos judeus (CIC 597) e que Ele morreu por todos os homens, sem exceção (CIC 605).
5. “Desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia” (CIC 631–658). Jesus conheceu a morte como todos os homens e foi, como salvador, ao encontro dos que tinham morrido antes dele (CIC 632). A ressurreição é um acontecimento real, com manifestações historicamente verificadas, como atesta o Novo Testamento (CIC 639).
6. “Subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso” (CIC 659–667). A humanidade de Jesus entra na glória de Deus, e Ele intercede sem cessar por nós, como mediador (CIC 667).
7. “Donde há de vir a julgar os vivos e os mortos” (CIC 668–682). Cristo já reina pela Igreja e voltará na glória; no juízo final conheceremos o sentido último de toda a criação e de toda a história da salvação (CIC 1040).
8. “Creio no Espírito Santo” (CIC 683–747). Ninguém pode dizer “Jesus é o Senhor” senão pela ação do Espírito Santo (CIC 683).
9. “Na santa Igreja católica, na comunhão dos santos” (CIC 748–975). “Católica” quer dizer universal: nela está Cristo inteiro e ela é enviada a todos (CIC 830). A comunhão dos santos, diz o Catecismo, é a própria Igreja (CIC 946); a expressão tem dois sentidos ligados, comunhão nas coisas santas, sobretudo os sacramentos, e comunhão entre as pessoas santas (CIC 948): os que ainda peregrinam na terra, os que se purificam depois da morte e os que já estão na glória (CIC 954).
10. “Na remissão dos pecados” (CIC 976–987). O Batismo é o primeiro e principal sacramento do perdão (CIC 977), e não há falta tão grave que a Igreja não possa perdoar a quem se arrepende de verdade (CIC 982).
11. “Na ressurreição da carne” (CIC 988–1019). “Carne” é o ser humano na sua fraqueza e mortalidade; crer na ressurreição da carne é crer que, depois da morte, não haverá só a vida da alma, mas também os nossos corpos mortais voltarão à vida (CIC 990).
12. “E na vida eterna” (CIC 1020–1060). O cristão que une a própria morte à de Jesus a encara como a chegada junto dele, a entrada na vida eterna (CIC 1020).
E o Amém? O Credo termina, como o último livro da Bíblia, com a palavra hebraica Amém (CIC 1061). O Amém final retoma a primeira palavra, “Creio”: crer é dizer amém às palavras, às promessas e aos mandamentos de Deus (CIC 1064).
Símbolo dos Apóstolos e Credo Niceno-Constantinopolitano
2 min de leituraAo longo dos séculos, a Igreja formulou muitas profissões de fé, das antigas Igrejas apostólicas ao Credo do Povo de Deus, de Paulo VI, em 1968 (CIC 192).
Ao longo dos séculos, a Igreja formulou muitas profissões de fé, das antigas Igrejas apostólicas ao Credo do Povo de Deus, de Paulo VI, em 1968 (CIC 192). Duas têm um lugar especial na vida da Igreja (CIC 193).
O Símbolo dos Apóstolos, o texto no alto desta página, é o antigo credo do Batismo da Igreja de Roma. O nome vem de ser considerado o resumo fiel da fé dos Apóstolos (CIC 194). É o Credo curto, que muitos brasileiros aprenderam na catequese.
O Credo Niceno-Constantinopolitano vem dos dois primeiros concílios ecumênicos, o de Niceia, em 325, e o de Constantinopla, em 381, e continua sendo comum às grandes Igrejas do Oriente e do Ocidente (CIC 195). É o Credo longo, que começa “Creio em um só Deus”. Ele diz de modo mais explícito o que o Símbolo dos Apóstolos diz em poucas palavras. Sobre o Filho, confessa que Ele é “Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”, “gerado, não criado, consubstancial ao Pai”, e que “por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus” (CIC 456). Sobre a Igreja, acrescenta que ela é “una, santa, católica e apostólica” (CIC 750, 811).
O Catecismo segue o Símbolo dos Apóstolos, “o mais antigo catecismo romano”, completando-o com referências constantes ao Credo Niceno-Constantinopolitano, que é muitas vezes mais explícito (CIC 196). Os dois professam a mesma fé.
De onde vem o Credo
2 min de leituraO nome “Credo” é a primeira palavra da oração em latim, “creio” (CIC 187).
O nome “Credo” é a primeira palavra da oração em latim, “creio” (CIC 187). A Igreja também a chama de “Símbolo”. Em grego, symbolon era a metade de um objeto partido, como um selo, que se apresentava como sinal de identificação: as duas partes eram juntadas para verificar quem era o portador. O Símbolo da fé é esse sinal de reconhecimento e de comunhão entre os que creem, e também um resumo das principais verdades da fé (CIC 188).
Desde o começo, a Igreja expressou a fé em fórmulas curtas e, bem cedo, reuniu o essencial em resumos pensados sobretudo para quem se preparava para o Batismo (CIC 186). A primeira profissão de fé acontece no Batismo, e por isso o Credo segue a fórmula batismal “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (CIC 189). Ainda hoje, no caminho dos adultos que se preparam para o Batismo, há um rito de entrega do Símbolo, e os catecúmenos o recebem como um tesouro para guardar de cor.
A expressão “Símbolo dos Apóstolos” aparece por escrito numa carta de um sínodo de Milão, por volta do ano 390, atribuída a Santo Ambrósio. Nessa época já circulava a lenda de que cada um dos doze Apóstolos teria contribuído com um artigo. Os historiadores veem no texto o desenvolvimento do antigo credo batismal de Roma, e a Igreja o considera, “com justa razão”, o resumo fiel da fé apostólica (CIC 194).
Quando o Credo é rezado: Batismo, Missa e terço
2 min de leituraNo Batismo.
No Batismo. Antes de ser batizado, o catecúmeno, ou os pais e padrinhos no caso de uma criança, renuncia a Satanás e professa a fé da Igreja (CIC 1237). Todos os anos, na Vigília Pascal, a comunidade renova essas promessas.
Na Missa. Depois da homilia, o Credo é a resposta do povo à Palavra de Deus: todos recordam e professam os grandes mistérios da fé antes de celebrar a Eucaristia (Instrução Geral do Missal Romano, n. 67). Ele é cantado ou recitado pelo sacerdote com o povo aos domingos e nas solenidades (n. 68). A forma habitual é o Credo Niceno-Constantinopolitano, mas o Missal permite usar o Símbolo dos Apóstolos, sobretudo na Quaresma e no Tempo Pascal. No Símbolo dos Apóstolos, todos se inclinam das palavras “que foi concebido” até “Virgem Maria”. No Credo longo, todos se inclinam profundamente às palavras sobre a encarnação, e no Natal e na Anunciação se ajoelham (n. 137).
No terço. Em muitos lugares o terço começa com o Creio, rezado na cruz, para pôr a profissão de fé como fundamento da contemplação (Rosarium Virginis Mariae, 37). Veja o passo a passo em como rezar o terço. O Creio também abre o Terço da Misericórdia.
No dia a dia. Muitos cristãos rezam o Credo de manhã ou à noite, ou num momento de dúvida. Não é preciso esperar a Missa: o Creio é uma oração, não só uma fórmula para a igreja.
Palavras do Credo que costumam gerar dúvida
2 min de leitura“Desceu à mansão dos mortos.”
“Desceu à mansão dos mortos.” Não quer dizer que Jesus foi ao inferno dos condenados. A Escritura chama de Sheol ou Hades a morada dos mortos, onde todos, bons e maus, esperavam o Redentor (CIC 633). Jesus desceu até lá como salvador, para levar a Boa-Nova aos que tinham morrido antes dele (CIC 632, 635). Algumas traduções antigas diziam “desceu aos infernos”, no sentido dessa morada.
“Na santa Igreja católica.” “Católica”, aqui, não é o nome de uma denominação entre outras: quer dizer universal, segundo a totalidade (CIC 830). E há um detalhe: em latim, o Credo diz “creio em Deus”, mas “creio a Igreja”, sem o “em”, para não confundir Deus com as suas obras (CIC 750). Cremos em Deus; cremos que a Igreja é santa e católica.
“Na comunhão dos santos.” Não fala só dos santos canonizados. Fala de todos os que pertencem a Cristo, na terra, no purgatório e no céu, e das coisas santas que eles partilham (CIC 946–948, 954). É por isso que podemos rezar uns pelos outros e pedir a intercessão dos santos.
“Na ressurreição da carne.” Não é a ideia de que a alma sobrevive e o corpo se perde para sempre. A fé cristã diz que também os nossos corpos mortais voltarão à vida (CIC 990).
“Todo-poderoso.” Não é o poder de quem faz qualquer capricho. O Catecismo lembra que o poder de Deus é amoroso, porque Ele é nosso Pai, e misterioso, porque só a fé o descobre, às vezes na fraqueza (CIC 268).
Como rezar o Credo sem que vire só uma lista
2 min de leituraQuem diz “Creio” diz: dou a minha adesão àquilo em que nós cremos (CIC 185).
Quem diz “Creio” diz: dou a minha adesão àquilo em que nós cremos (CIC 185). A fé é pessoal, mas ninguém crê sozinho: “Eu creio” é a fé da Igreja professada por cada um, e “Nós cremos” é a mesma fé professada juntos (CIC 166–167). Rezar o Credo é entrar em comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e com toda a Igreja que nos transmitiu a fé. Santo Ambrósio chamava o Símbolo de “tesouro da nossa alma” (CIC 197).
Para rezar o Credo com o coração, experimente ir devagar e parar um instante depois de cada artigo. Ou escolha um artigo por dia e leve-o com você: segunda-feira, “Criador do céu e da terra”; terça-feira, “padeceu sob Pôncio Pilatos”. Nos dias de dúvida, reze-o mesmo assim, como o pai do menino doente no Evangelho: “Sim, Senhor, eu creio: ajuda tu a minha incredulidade” (Mc 9,24, na tradução do Padre Figueiredo, em que é o versículo 23).
Deus, nosso Pai, que no Batismo me chamastes à fé da vossa Igreja, guardai em mim o que professo com os lábios. Quando eu disser “Creio”, que seja com todo o coração; quando a dúvida vier, sustentai-me na fé dos que creram antes de mim. Que a minha vida inteira seja o Amém deste Credo. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Perguntas
Qual é a oração do Credo completa?
Creio em Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na santa Igreja católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.
Credo e Creio são a mesma oração?
Sim. “Credo” é a palavra latina que significa “creio”, a primeira palavra da oração. No Brasil, muita gente chama o Símbolo dos Apóstolos simplesmente de “Creio”.
Qual a diferença entre o Credo dos Apóstolos e o Credo Niceno?
O Símbolo dos Apóstolos é o Credo curto, o antigo credo do Batismo da Igreja de Roma. O Credo Niceno-Constantinopolitano é o Credo longo, formulado nos concílios de Niceia (325) e de Constantinopla (381), mais explícito sobre a divindade de Jesus e o Espírito Santo. Os dois professam a mesma fé.
O que significa “desceu à mansão dos mortos”?
Que Jesus morreu de verdade e foi, como salvador, ao encontro de todos os que tinham morrido antes dele e esperavam a redenção. Não significa que Ele foi ao inferno dos condenados (CIC 632–635).
Quando se reza o Credo na Missa?
Depois da homilia, aos domingos e nas solenidades. Normalmente se reza o Credo Niceno-Constantinopolitano, mas o Missal permite o Símbolo dos Apóstolos, sobretudo na Quaresma e no Tempo Pascal.
Por que o terço começa com o Credo?
Não é obrigatório, mas em muitos lugares o terço começa com o Creio, rezado na cruz, para que a profissão de fé seja o fundamento da oração, como explica São João Paulo II na carta Rosarium Virginis Mariae (n. 37).





