Salve Rainha

Oração

Salve Rainha: a oração completa e o sentido de cada frase

A antífona a Nossa Senhora que encerra o terço, no texto rezado no Brasil, com a origem e o sentido de cada frase

A Salve Rainha é a oração a Nossa Senhora que os católicos rezam no fim do terço: “Salve, Rainha, mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve!”. Nasceu em latim, entre os séculos XI e XII, como a antífona Salve Regina; a tradição a atribui ao monge Hermano de Reichenau ou ao bispo Ademar de Le Puy, mas a autoria não é certa. No AngelGuard você reza o texto completo, como o publica o Santuário do Pai das Misericórdias da Canção Nova, e entende cada frase logo abaixo.

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Salve, Rainha,

mãe de misericórdia,

vida, doçura, esperança nossa, salve!

A Vós bradamos,

os degredados filhos de Eva.

A Vós suspiramos, gemendo e chorando

neste vale de lágrimas.

Eia, pois, advogada nossa,

esses Vossos olhos misericordiosos

a nós volvei.

E, depois deste desterro,

nos mostrai Jesus, bendito fruto

do Vosso ventre.

Ó clemente, ó piedosa,

ó doce Virgem Maria.

Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,

para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

Salve Rainha como a publica a Canção Nova (santuario.cancaonova.com, Terço › Salve Rainha), idêntica ao texto de Vatican News em português; oração tradicional, de domínio público.

Aprofundar

De onde vem a Salve Rainha

2 min de leituraA Salve Rainha é a tradução portuguesa da Salve Regina, uma antífona latina da Idade Média, isto é, um canto curto que a Igreja reza em torno dos salmos do Ofício.

A Salve Rainha é a tradução portuguesa da Salve Regina, uma antífona latina da Idade Média, isto é, um canto curto que a Igreja reza em torno dos salmos do Ofício. A autoria não é certa. A atribuição tradicional mais difundida é a Hermano de Reichenau (1013–1054), monge beneditino da abadia de Reichenau, no lago de Constança, conhecido como Hermano Contracto por causa da grave deficiência física com que viveu, e que mesmo assim foi poeta, músico e homem de ciência. Outra tradição a atribui a Ademar, bispo de Le Puy, na época da Primeira Cruzada, no fim do século XI; há ainda quem a atribua a Pedro de Mezonzo, bispo de Compostela. O que se pode dizer com segurança é que o canto é dos séculos XI–XII.

O canto se espalhou pelos mosteiros. Em Cluny, por volta de 1135, Pedro, o Venerável, mandou cantá-lo em procissão em certas festas. Os cistercienses, em 1218, determinaram a sua procissão diária; os dominicanos, por volta de 1221, começaram a cantá-lo depois das Completas, a oração da noite, e o costume passou ao breviário franciscano e dali ao Breviário Romano. Por isso a Salve Rainha tem gosto de fim de dia: por séculos, foi a última coisa que muitos religiosos cantavam antes do silêncio da noite.

Em 1884, o Papa Leão XIII a incluiu nas orações que mandou rezar depois de toda missa sem canto, as chamadas orações leoninas, que ficaram em uso até 1965. Foi assim, e pelo terço rezado em casa e nas capelas, que ela se tornou uma das orações que quase todo católico brasileiro sabe de cor.

E a história de São Bernardo? Uma lenda conta que São Bernardo de Claraval, entrando na catedral de Speyer em 1146, acrescentou ao canto as três invocações finais, “ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria”. A Enciclopédia Católica de 1912 considera a história muito duvidosa: ela só aparece no século XVI, os contemporâneos do santo nada dizem, e a melodia sugere um único autor para o texto inteiro. A mesma obra registra que a palavra “Mãe”, logo no primeiro verso, foi acrescentada ao latim no século XVI; o português a conservou.

O que significa cada frase da Salve Rainha

3 min de leitura“Salve, Rainha, mãe de misericórdia”.

“Salve, Rainha, mãe de misericórdia”. “Salve” é uma saudação, como quem diz “eu te saúdo”. Maria é Rainha porque, terminada a sua vida na terra, foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada pelo Senhor como rainha (CIC 966). E é mãe de misericórdia porque nos dá Jesus, o rosto da misericórdia do Pai; o Catecismo usa esse mesmo título ao explicar a Ave-Maria (CIC 2677).

“vida, doçura, esperança nossa, salve!” Três nomes que, a rigor, pertencem a Cristo, e que damos a Maria por causa dele: ela trouxe ao mundo a Vida, a doçura de Deus que se fez criança, a esperança que não decepciona.

“A Vós bradamos, os degredados filhos de Eva.” O latim diz exsules filii Hevae, filhos de Eva no exílio. “Degredado” é quem foi mandado para longe de casa. Somos herdeiros de Eva, que perdeu o paraíso, e gritamos à nova Eva: os Padres da Igreja diziam que o nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria (CIC 494).

“A Vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.” “Vale de lágrimas” é expressão bíblica: na Vulgata, o Salmo 83 (84 nas Bíblias de hoje), versículo 7, fala do peregrino que atravessa o vale das lágrimas a caminho da casa de Deus (as traduções atuais, feitas do hebraico, dão outro nome a esse vale, por isso a expressão pode não aparecer na sua Bíblia). A oração não finge que a vida é leve. Leva a Maria o choro como ele é.

“Eia, pois, advogada nossa, esses Vossos olhos misericordiosos a nós volvei.” “Eia” é um incentivo, como quem diz “vamos, então”. Advogada é quem fala em nosso favor; a Igreja invoca Maria com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro e medianeira (CIC 969). “Volvei” quer dizer “voltai”: pedimos que ela olhe para nós.

“E, depois deste desterro, nos mostrai Jesus, bendito fruto do Vosso ventre.” O pedido final não é por Maria, é por Jesus. A expressão “bendito fruto do vosso ventre” vem da saudação de Isabel (Lc 1,42), a mesma da Ave-Maria. A iconografia tradicional, no Oriente e no Ocidente, representa Maria como aquela que mostra o caminho, apontando para o Filho (CIC 2674): é exatamente o que a oração lhe pede.

“Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria.” Três invocações de carinho. Muitos brasileiros rezam “ó doce sempre Virgem Maria”, lembrando que a Igreja celebra Maria como a sempre Virgem (CIC 499).

“Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.” O versículo e a resposta que fecham a oração. Maria é Mãe de Deus porque o Filho que ela gerou é o Filho eterno do Pai (CIC 495). As promessas de Cristo são a vida eterna e a ressurreição; pedimos a graça de viver à altura delas.

O que a Igreja ensina sobre Maria e a Salve Rainha

2 min de leituraO Catecismo apresenta Maria como Mãe de Cristo e Mãe da Igreja (CIC 963).

O Catecismo apresenta Maria como Mãe de Cristo e Mãe da Igreja (CIC 963). Por sua fé, esperança e caridade, ela cooperou de modo único na obra do Salvador, e por isso é nossa mãe na ordem da graça (CIC 968). Essa maternidade não terminou: depois de elevada ao céu, Maria continua, com a sua intercessão, a nos alcançar os dons da salvação, e é por isso que a Igreja a chama de advogada (CIC 969).

Ao mesmo tempo, a Igreja é clara: o papel de Maria não obscurece nem diminui a mediação única de Cristo; ao contrário, mostra a sua força, porque tudo o que ela alcança vem dos méritos do Filho (CIC 970). A devoção a Maria é um culto inteiramente singular, mas essencialmente diferente da adoração, que se presta só a Deus, e ela favorece essa adoração (CIC 971). Rezar a Salve Rainha não é adorar Maria: é pedir à Mãe que nos leve ao Filho, como diz o último pedido da própria oração.

O Catecismo descreve dois movimentos que atravessam todas as orações a Nossa Senhora: um engrandece o Senhor pelas maravilhas que fez nela; o outro confia à Mãe de Jesus as súplicas e os louvores dos filhos de Deus (CIC 2675). A Salve Rainha é quase toda do segundo tipo. É a oração de quem está cansado, longe de casa, e confia que alguém fala por ele. Maria, diz o Catecismo, é o modelo perfeito de oração, figura da Igreja: podemos rezar com ela e rezar a ela (CIC 2679).

Quando rezar a Salve Rainha

1 min de leituraO lugar mais conhecido da Salve Rainha é o fim do terço: depois do último mistério, antes do sinal da cruz.

O lugar mais conhecido da Salve Rainha é o fim do terço: depois do último mistério, antes do sinal da cruz. Mas ela nasceu como oração da noite e continua sendo uma bela oração para o fim do dia. Muitas famílias a rezam antes de dormir, e ela continua sendo a mais conhecida das antífonas a Nossa Senhora com que a oração da noite do Ofício termina o dia.

Ela cabe também nos momentos em que as palavras faltam: num velório, num quarto de hospital, na fila de espera de um exame, na saudade de quem morreu. A própria oração dá linguagem ao que se sente: “gemendo e chorando neste vale de lágrimas”. Rezada devagar, ela não apressa ninguém a ficar bem; apenas coloca a dor diante de uma Mãe.

No sábado, dia que a tradição dedica a Nossa Senhora (Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia, n. 188), e nas festas marianas, como a de Nossa Senhora Aparecida em 12 de outubro, ela é rezada em muitas comunidades no fim da missa ou da novena. Não há hora obrigatória: basta o desejo de recorrer à Mãe de misericórdia.

Como rezar a Salve Rainha no terço

2 min de leituraNo terço, a Salve Rainha vem depois do quinto mistério, isto é, depois das dez Ave-Marias, do Glória ao Pai e da jaculatória com que se encerra cada dezena.

No terço, a Salve Rainha vem depois do quinto mistério, isto é, depois das dez Ave-Marias, do Glória ao Pai e da jaculatória com que se encerra cada dezena. Quando se reza em grupo, quem conduz diz a oração inteira, ou todos a dizem juntos. No fim, quem conduz diz o versículo, “Rogai por nós, Santa Mãe de Deus”, e todos respondem, “para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém”. Depois vem o sinal da cruz.

Algumas comunidades acrescentam, depois da Salve Rainha, uma oração final ou os agradecimentos. Isso varia de lugar para lugar, e nenhuma forma é mais correta do que a outra. O que não varia é o espírito: a Salve Rainha fecha o terço confiando a Maria tudo o que foi rezado, para que ela o apresente ao Filho.

Se você está aprendendo, reze-a lendo, frase por frase, até que as palavras fiquem na memória. Quem já sabe de cor pode escolher, a cada dia, uma frase para guardar no coração depois da oração.

Senhor Jesus, que do alto da cruz nos destes a vossa Mãe, ensinai-me a recorrer a ela como filho. Quando o caminho pesar, que os olhos misericordiosos de Maria me encontrem e me levem de volta a vós. Amém.

Pequenas diferenças no texto e a Salve Rainha em latim

1 min de leituraA Salve Rainha é rezada no Brasil com pequenas variações, todas corretas.

A Salve Rainha é rezada no Brasil com pequenas variações, todas corretas. Há quem diga “vida, doçura e esperança nossa”, com “e”; quem reze “e depois deste desterro mostrai-nos Jesus”, com o pronome depois do verbo; e muita gente acrescenta “sempre” em “ó doce sempre Virgem Maria”. O texto no alto desta página é o que a Canção Nova e o Vatican News publicam. Se você aprendeu outro jeito na catequese ou com a sua avó, reze como aprendeu: é a mesma oração.

Este é o texto latino da antífona, como ainda é cantado nos mosteiros:

Salve, Regina, Mater misericordiae, vita, dulcedo et spes nostra, salve. Ad te clamamus, exsules filii Hevae. Ad te suspiramus, gementes et flentes in hac lacrimarum valle. Eia ergo, advocata nostra, illos tuos misericordes oculos ad nos converte. Et Iesum, benedictum fructum ventris tui, nobis post hoc exsilium ostende. O clemens, o pia, o dulcis Virgo Maria.

Perguntas

Qual é a oração da Salve Rainha completa?

Salve, Rainha, mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve! A Vós bradamos, os degredados filhos de Eva. A Vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses Vossos olhos misericordiosos a nós volvei. E, depois deste desterro, nos mostrai Jesus, bendito fruto do Vosso ventre. Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

Quem escreveu a Salve Rainha?

Não se sabe com certeza. A tradição mais conhecida, mas não comprovada, a atribui a Hermano de Reichenau (1013–1054), monge beneditino alemão, conhecido como Hermano Contracto; outras tradições, a Ademar de Le Puy ou a Pedro de Mezonzo. A oração foi escrita em latim, entre os séculos XI e XII, como a antífona Salve Regina.

Em que momento do terço se reza a Salve Rainha?

No fim, depois do quinto mistério e antes do sinal da cruz. Quem conduz diz “Rogai por nós, Santa Mãe de Deus” e todos respondem “para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém”.

O que significa “degredados filhos de Eva”?

Degredado é quem foi mandado para longe da sua terra. A frase diz que somos filhos de Eva vivendo como exilados, longe do paraíso, e que recorremos a Maria, a nova Eva, para voltar para casa.

O que quer dizer “vale de lágrimas”?

É uma imagem da vida na terra, com as suas dores. A expressão vem da Bíblia latina (Vulgata), no Salmo 83 (84 nas Bíblias atuais, que traduzem o trecho de outro modo), que fala do peregrino que atravessa o vale das lágrimas a caminho da casa de Deus.

Rezar a Salve Rainha é adorar Maria?

Não. A Igreja ensina que a devoção a Maria é essencialmente diferente da adoração, que se presta só a Deus (CIC 971). Na Salve Rainha pedimos a Maria que interceda por nós e nos mostre Jesus.

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