
Oração
Ave-Maria: a oração completa, de onde vem e o sentido de cada frase
A Ave-Maria no texto rezado no Brasil, as duas passagens do Evangelho de onde ela nasce, a história da segunda parte e o sentido de cada linha
A Ave-Maria completa é: “Ave-Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém!”. A primeira parte junta a saudação do anjo Gabriel e a de Isabel no Evangelho de Lucas; a segunda é uma súplica que a Igreja acrescentou e fixou no século XVI. No AngelGuard você encontra o texto como a Canção Nova o publica, as passagens da Bíblia de onde ele vem e o sentido de cada frase.
Ave-Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco,
bendita sois vós entre as mulheres
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós pecadores,
agora e na hora da nossa morte. Amém!
Ave-Maria como a publica a Canção Nova (Santuário do Pai das Misericórdias, série “Terço”); oração tradicional, de domínio público.
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De onde vem a Ave-Maria na Bíblia
2 min de leituraA primeira parte da Ave-Maria é quase toda Evangelho.
A primeira parte da Ave-Maria é quase toda Evangelho. Ela junta duas saudações do primeiro capítulo de São Lucas.
A saudação do anjo. Quando Gabriel entra na casa de Maria, em Nazaré, diz, na tradução do Padre Figueiredo: “Deus te salve, cheia de graça: o Senhor é contigo: Benta és tu entre as mulheres” (Lc 1,28). O “Ave” da oração é a palavra latina dessa saudação. No grego do Evangelho, ela é um convite à alegria; por isso o Catecismo da Igreja Católica escreve “Ave, Maria (alegrai-vos, Maria)” e explica que é o próprio Deus quem, pelo anjo, saúda Maria (Catecismo da Igreja Católica, CIC 2676).
A saudação de Isabel. Logo depois, Maria vai visitar a prima. Isabel, cheia do Espírito Santo, exclama: “Benta és tu entre as mulheres, e bento é o fruto do teu ventre” (Lc 1,42). Como as duas saudações têm em comum as palavras “Benta és tu entre as mulheres”, elas se encaixaram naturalmente numa só oração.
O que a Igreja acrescentou. Dois nomes: “Maria”, no começo, para dizer a quem se fala, e “Jesus”, no fim da primeira parte, para dizer quem é o fruto bendito. E a segunda parte inteira, “Santa Maria, Mãe de Deus…”, que não está na Bíblia: é uma súplica formulada pela própria Igreja, como diz o Catecismo do Concílio de Trento, citado na história abaixo.
O sentido da Ave-Maria, linha por linha
2 min de leitura“Ave-Maria, cheia de graça.”
“Ave-Maria, cheia de graça.” Quem reza a Ave-Maria repete a saudação que Deus mesmo mandou a Maria, alegrando-se com a alegria que Deus encontra nela (CIC 2676). “Cheia de graça” quer dizer cumulada do favor de Deus: para poder dar à fé o seu “sim” livre, ela foi totalmente movida pela graça (CIC 490).
“O Senhor é convosco.” O Catecismo diz que as duas palavras do anjo se explicam uma pela outra: Maria é cheia de graça porque o Senhor está com ela, e a graça de que ela é cumulada é a presença daquele que é a fonte de toda graça (CIC 2676).
“Bendita sois vós entre as mulheres.” Aqui fazemos nossa a saudação de Isabel, a primeira de uma longa série de gerações a chamar Maria de bem-aventurada. Maria é bendita porque acreditou no cumprimento da palavra do Senhor (CIC 2676; Lc 1,45).
“E bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.” É o centro da oração. O Catecismo lembra que a Ave-Maria culmina no nome de Jesus (CIC 435), e São João Paulo II chama esse nome de “baricentro” da Ave-Maria, o ponto de equilíbrio que não pode se perder na pressa (Rosarium Virginis Mariae, 33). Toda a honra dada a Maria termina nele.
“Santa Maria, Mãe de Deus.” Com Isabel, também nós nos admiramos: “E donde a mim esta dita, que venha visitar-me a que é mãe de meu Senhor?” (Lc 1,43, na tradução do Padre Figueiredo). Porque nos dá Jesus, Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe (CIC 2677).
“Rogai por nós pecadores.” Pedir que Maria reze por nós é reconhecer que somos pobres pecadores e recorrer à “Mãe de misericórdia” (CIC 2677). Não pedimos que ela faça no lugar de Deus, mas que reze conosco e por nós, como rezou por si mesma: “faça-se em mim, segundo a tua palavra” (Lc 1,38).
“Agora e na hora da nossa morte.” Os dois únicos momentos que a oração nomeia são o de hoje e o último. Confiamos a Maria o “agora”, o dia que estamos vivendo, e desde já a hora da morte, para que ela esteja presente como esteve ao pé da cruz do seu Filho e nos leve a ele (CIC 2677).
“Amém!” É o nosso “assim seja”: fazemos nosso tudo o que acabamos de dizer.
A história: como a Ave-Maria chegou à forma de hoje
2 min de leituraAs palavras do anjo aparecem cedo na liturgia: o antigo antifonário atribuído a São Gregório Magno já as traz como canto do ofertório da Missa do quarto domingo do Advento.
As palavras do anjo aparecem cedo na liturgia: o antigo antifonário atribuído a São Gregório Magno já as traz como canto do ofertório da Missa do quarto domingo do Advento. Mas, como mostra o historiador Herbert Thurston na Catholic Encyclopedia, quase não há sinal da Ave-Maria como oração de devoção pessoal antes de por volta do ano 1050. Ela nasce de versículos e respostas do Ofício de Nossa Senhora, que os mosteiros começavam a rezar naquela época, e se espalha rapidamente como saudação a Maria, muitas vezes acompanhada de uma genuflexão ou de uma inclinação.
Por volta de 1196, o bispo de Paris, Eudes de Sully, pede aos padres que façam o povo saber de cor a saudação à Virgem, junto com o Credo e o Pai-Nosso; depois disso, decisões parecidas se multiplicam por toda parte. Nessa época a oração terminava nas palavras de Isabel: “e bendito é o fruto do vosso ventre”. O nome de Jesus foi acrescentado mais tarde, na Idade Média; a tradição atribui o acréscimo ao Papa Urbano IV, no século XIII, mas as provas não são claras.
Nos séculos XIV e XV, muitas pessoas passaram a acrescentar, por conta própria, um pedido no fim, quase sempre pelos pecadores e pela hora da morte, com muitas variações. Uma Ave-Maria praticamente igual à nossa aparece impressa em 1495, numa obra de Savonarola. O Catecismo do Concílio de Trento (1566) diz que foi com toda a razão que a Igreja acrescentou à saudação a súplica à Mãe de Deus. E em 1568 o Breviário Romano reformado por São Pio V trouxe oficialmente a Ave-Maria completa, como a rezamos até hoje.
Mãe de Deus: honrar Maria não é adorá-la
2 min de leituraO título “Mãe de Deus” não é exagero de devoção.
O título “Mãe de Deus” não é exagero de devoção. Diante de quem separava em Cristo uma pessoa humana e uma pessoa divina, o Concílio de Éfeso, em 431, proclamou que Maria se tornou verdadeiramente Mãe de Deus, porque aquele que ela concebeu como homem é o Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade (CIC 466 e 495). Dizer “Mãe de Deus” é, antes de tudo, uma afirmação sobre Jesus: ele é verdadeiro Deus desde o seio de Maria.
Isso não faz de Maria uma deusa. O Catecismo ensina que a Igreja a venera com um culto especial, mas que esse culto difere essencialmente da adoração, que se presta só a Deus: ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo (CIC 971). Jesus é o único mediador e o caminho da nossa oração; Maria é “pura transparência” dele, aquela que mostra o caminho (CIC 2674).
O Catecismo descreve a oração a Maria com dois movimentos: um que engrandece o Senhor pelas maravilhas que fez nela, e outro que confia a ela as súplicas e os louvores dos filhos de Deus (CIC 2675). E acrescenta que esse duplo movimento encontrou na Ave-Maria uma expressão privilegiada (CIC 2676). A primeira parte louva a Deus pelo que fez em Maria; a segunda pede que ela reze por nós.
Quando rezar a Ave-Maria
2 min de leituraNo terço.
No terço. A Ave-Maria é a oração que mais se repete no terço: dez em cada dezena, enquanto se medita um mistério da vida de Jesus. Veja os mistérios de cada dia na página Mistérios do terço e o passo a passo em Como rezar o terço.
No Ângelus. A oração do Ângelus, rezada tradicionalmente de manhã, ao meio-dia e ao fim da tarde, intercala três Ave-Marias com versículos que recordam o anúncio do anjo, o “sim” de Maria e o Filho de Deus que se fez homem e habitou entre nós. Em poucos minutos, ela percorre o mistério inteiro da Encarnação.
Nos momentos difíceis. Uma Ave-Maria cabe em qualquer lugar: no ônibus, antes de uma prova, ao lado da cama de um doente. Não há número mágico de Ave-Marias, nem forma de rezar que “garanta” uma graça. O Catecismo chama de superstição atribuir a eficácia de uma oração só às palavras ou aos gestos, sem as disposições do coração (CIC 2111). O que conta é a confiança com que você se põe, com Maria, nas mãos de Deus.
Pela hora da morte. A Igreja nos convida a pedir à Mãe de Deus que reze por nós “na hora da nossa morte” (CIC 1014). Rezar uma Ave-Maria junto de quem está morrendo, ou pelos que morrem hoje, é um gesto simples e muito querido do povo cristão. Nesses momentos, chame também o padre, para a Unção dos Enfermos e a Comunhão.
Deus, nosso Pai, que pela palavra do anjo anunciastes a Maria a encarnação do vosso Filho, dai-me acolher a vossa palavra com a fé dela. Que, rezando com ela e como ela, eu diga também o meu “sim” no dia de hoje, e que, na hora da minha morte, ela esteja comigo para me levar a Jesus. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Perguntas
Qual é a oração da Ave-Maria completa?
Ave-Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém!
A Ave-Maria está na Bíblia?
Em parte, sim. A primeira parte vem do Evangelho de Lucas: a saudação do anjo Gabriel (Lc 1,28) e a saudação de Isabel (Lc 1,42). Os nomes de Maria e de Jesus e a segunda parte, “Santa Maria, Mãe de Deus…”, foram acrescentados pela Igreja.
Quem escreveu a segunda parte da Ave-Maria?
Não há um autor conhecido. A súplica final foi se formando nos séculos XIV e XV, em várias versões, e a forma de hoje foi fixada oficialmente no Breviário Romano de São Pio V, em 1568. O Catecismo do Concílio de Trento diz que foi a própria Igreja que a acrescentou.
Católico adora Maria?
Não. A Igreja honra Maria com um culto especial, mas que é essencialmente diferente da adoração, devida só a Deus (Catecismo da Igreja Católica, n. 971). Na Ave-Maria, louvamos a Deus pelo que ele fez em Maria e pedimos que ela reze por nós.
Como é a Ave-Maria em latim?
Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum. Benedicta tu in mulieribus, et benedictus fructus ventris tui, Iesus. Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis peccatoribus, nunc et in hora mortis nostrae. Amen.
Por que em alguns sites está escrito “Avé Maria” e “Ámen”?
É a grafia de Portugal. As palavras da oração são as mesmas; no Brasil se escreve “Ave-Maria” e “Amém”.
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