Magnificat

Oração

Magnificat: a oração completa do cântico de Maria e o sentido de cada verso

O Magnificat é o cântico de louvor que Maria proclamou ao visitar a prima Isabel, no Evangelho de São Lucas (Lc 1,46-55).

A minha alma engrandece ao Senhor:

e o meu espírito se alegrou por extremo em Deus meu Salvador.

Por ele ter posto os olhos na baixeza de sua escrava:

porque eis aí de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.

Porque me fez grandes coisas o que é Poderoso:

e santo o seu nome.

E a sua misericórdia se estende de geração a geração

sobre os que o temem.

Ele manifestou o poder do seu braço:

dissipou os que no fundo do seu coração formavam altivos pensamentos.

Depôs do trono os poderosos,

e elevou os humildes.

Encheu de bens os que tinham fome:

e despediu vazios os que eram ricos.

Tomou debaixo da sua proteção a Israel seu servo,

lembrado da sua misericórdia.

Assim como o tinha prometido a nossos pais,

a Abraão, e à sua posteridade para sempre.

(Nas Vésperas, a Igreja termina o cântico com o Glória ao Pai.)

Glória ao Pai e ao Filho

e ao Espírito Santo.

Como era, no princípio,

agora e sempre.

Amém!

Lucas 1,46-55 na tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, segundo a Vulgata latina (Londres, 1866, p. 993), com a ortografia atualizada; domínio público. O Glória ao Pai é a oração tradicional, como no terço.

A Igreja o reza todos os dias no fim da tarde, nas Vésperas, e com um brilho especial no Advento. No AngelGuard você o reza na tradução católica do Padre Antônio Pereira de Figueiredo e entende o sentido de cada verso.

Aprofundar

O que é o Magnificat: o cântico de Maria na visita a Isabel

2 min de leituraPouco depois do anúncio do anjo, Maria sai de Nazaré e vai “com pressa” às montanhas da Judeia, à casa de Zacarias, para visitar a prima Isabel, que já estava no sexto mês de gravidez (Lc 1,36.39-40).

Pouco depois do anúncio do anjo, Maria sai de Nazaré e vai “com pressa” às montanhas da Judeia, à casa de Zacarias, para visitar a prima Isabel, que já estava no sexto mês de gravidez (Lc 1,36.39-40). Quando Maria a saúda, o menino salta no ventre de Isabel, e ela, cheia do Espírito Santo, exclama: “Benta és tu entre as mulheres, e bento é o fruto do teu ventre” (Lc 1,42), palavras que a Igreja repete em cada Ave-Maria. E pergunta, admirada, por que vem visitá-la “a que é mãe de meu Senhor” (Lc 1,43).

Maria não guarda o elogio para si. Ela louva a Deus, e São Lucas guarda a sua resposta como um cântico de dez versículos (Lc 1,46-55). É o Magnificat, também chamado Cântico de Maria. O nome é a primeira palavra do cântico em latim, Magnificat anima mea Dominum: “A minha alma engrandece ao Senhor”. Engrandecer o Senhor não é torná-lo maior. É proclamar a sua grandeza, para que os outros a vejam.

O Catecismo diz que o cântico de Maria é, “ao mesmo tempo, o cântico da Mãe de Deus e o da Igreja” (CIC 2619): cântico de ação de graças e cântico dos pobres, que veem cumpridas as promessas de Deus. Por isso o Magnificat não é uma oração a Nossa Senhora, é a oração de Nossa Senhora. Quem o reza não fala com Maria: louva a Deus com as palavras dela. O Catecismo o dá como exemplo de adoração: adorar a Deus é louvá-lo e engrandecê-lo, fazendo-se pequeno diante dele, “como Maria no Magnificat” (CIC 2097).

Quando se reza o Magnificat: as Vésperas de cada dia

2 min de leituraTodo fim de tarde, a Igreja reza o Magnificat.

Todo fim de tarde, a Igreja reza o Magnificat. A Liturgia das Horas, a oração diária de toda a Igreja, gira em torno de dois polos: as Laudes, de manhã, e as Vésperas, ao entardecer (Instrução Geral da Liturgia das Horas, 37). No ponto alto das Vésperas vem o Cântico de Maria, como nas Laudes vem o Cântico de Zacarias, o Benedictus (IGLH, 50). À noite, nas Completas, a Igreja reza o terceiro cântico do Evangelho, o de Simeão, que está na página da oração da noite.

A Igreja trata esses três cânticos com a mesma solenidade com que proclama o Evangelho (IGLH, 138). Por isso todos ficam de pé durante o Magnificat (IGLH, 263) e fazem o sinal da cruz nas suas primeiras palavras (IGLH, 266). Antes e depois do cântico, reza-se uma antífona, uma frase curta que muda conforme o dia, o tempo litúrgico e a festa (IGLH, 50). No fim, como depois dos salmos, vem o Glória ao Pai.

Padres, religiosos e muitos leigos rezam as Vésperas todos os dias. Se você não reza a Liturgia das Horas, dizer o Magnificat no fim da tarde já é um jeito simples de se unir a essa oração da Igreja inteira.

O Magnificat verso a verso: o que significa cada parte

3 min de leitura

O cântico tem dois movimentos. Nos versículos 46 a 50, Maria fala do que Deus fez nela. Nos versículos 51 a 55, ela vê na própria história o jeito de Deus agir com o seu povo, desde sempre.

“A minha alma engrandece ao Senhor: e o meu espírito se alegrou por extremo em Deus meu Salvador” (vv. 46-47). A primeira palavra de Maria não é um pedido, é louvor. “Alma” e “espírito” querem dizer a pessoa inteira. O profeta Habacuc tinha rezado quase assim, alegrando-se em Deus, seu salvador (Hab 3,18), e Ana, a mãe do profeta Samuel, começou o seu cântico com o coração exultando no Senhor (1Sm 2,1). Maria reza com as palavras das Escrituras do seu povo.

“Por ele ter posto os olhos na baixeza de sua escrava” (v. 48). Na linguagem de Figueiredo, “baixeza” não é coisa vil: é a condição humilde de quem não conta para o mundo. Ana também tinha pedido a Deus que olhasse a aflição da sua serva (1Sm 1,11). Deus olhou para uma virgem de Nazaré, na Galileia (Lc 1,26-27). E a profecia se cumpre até hoje: “me chamarão bem-aventurada todas as gerações”. O Catecismo cita este versículo para mostrar que a devoção a Maria faz parte do próprio culto cristão (CIC 971).

“Porque me fez grandes coisas o que é Poderoso: e santo o seu nome” (v. 49). A coisa grande é o Filho que ela traz no ventre. Maria não toma para si mérito nenhum: quem fez foi o Poderoso. O salmo já cantava: santo e temível é o seu nome (Sl 110,9; Salmo 111 nas Bíblias atuais).

“E a sua misericórdia se estende de geração a geração sobre os que o temem” (v. 50). Aqui o cântico se abre de Maria para todos. A misericórdia que ela recebeu é a mesma que Deus mostra em todas as épocas (Sl 102,17; Salmo 103 nas Bíblias atuais). “Temer” a Deus, na Bíblia, não é ter medo dele: é levá-lo a sério, com respeito e confiança.

“Ele manifestou o poder do seu braço” (vv. 51-53). É o centro do cântico, a grande inversão. Deus dissipa os que se acham grandes por dentro, tira do trono os poderosos e levanta os humildes, dá bens a quem passa fome e manda embora vazios os que eram ricos. Ana tinha cantado o mesmo: o Senhor empobrece e enriquece, levanta do pó o necessitado (1Sm 2,7-8); e o salmo diz que ele sacia de bens a alma faminta (Sl 106,9; Salmo 107 nas Bíblias atuais). Repare no tempo dos verbos: Maria fala dessas coisas como já feitas, embora quase tudo ainda estivesse por vir. Ela confia tanto na promessa de Deus que a dá por cumprida, porque nela já começou.

O Magnificat não canta vingança. É um aviso para os orgulhosos e os acomodados, o que todos somos às vezes, e uma boa notícia para quem chega a Deus de mãos vazias. E fala também da fome de pão, não só da fome de Deus. O Catecismo ensina: “Deus abençoa os que ajudam os pobres e reprova os que deles se afastam” (CIC 2443).

“Tomou debaixo da sua proteção a Israel seu servo” (vv. 54-55). O cântico termina onde a história de Deus com o seu povo começou. Deus tinha chamado Israel de seu servo, descendência de Abraão, seu amigo (Is 41,8), e o profeta Miqueias tinha anunciado que Deus mostraria a Abraão a misericórdia jurada aos pais (Mq 7,20). Maria canta que Deus se lembrou. A promessa está sendo cumprida, e cumprida no Filho dela.

Fechar: O Magnificat verso a verso: o que significa cada parte

Como rezar o Magnificat hoje: gratidão e os pequenos

3 min de leitura

No fim do dia. Não é preciso ter breviário. Se puder, fique de pé e faça o sinal da cruz, como a Igreja faz nas Vésperas. Antes de começar, lembre uma coisa boa que Deus fez hoje, por menor que seja: uma refeição, uma conversa, uma preocupação que deu em nada. Então “me fez grandes coisas o que é Poderoso” deixa de ser só uma frase de Maria e passa a ser sua. Reze os versículos devagar e termine com o Glória ao Pai.

Para agradecer. O Magnificat é antes de tudo ação de graças (CIC 2619). É a oração natural depois de um nascimento, de uma cura, de um emprego, de uma reconciliação, de uma prova que deu certo.

Quando é difícil agradecer. Maria não cantou de um lugar fácil. Estava grávida de um jeito que quase ninguém entenderia, e o seu caminho a levaria até o pé da cruz (Jo 19,25). O louvor dela não era um sentimento: estava apoiado em quem Deus é. Num dia em que você não sente gratidão, ainda assim pode rezá-lo. Diga primeiro as palavras como palavras dela, e deixe que aos poucos elas se tornem suas. E se hoje você é o pequeno, o que passa fome, o que ficou para trás, repare de que lado o cântico está.

Em família. O Magnificat é curto o bastante para as crianças aprenderem de cor. Pode ser rezado em dois coros: um lado diz uma linha, o outro responde com a seguinte. Se há uma gestante na família, este cântico é dela de um jeito especial: foi cantado primeiro por uma grávida diante de outra.

Com o terço. No segundo mistério gozoso, a visita de Nossa Senhora a Santa Isabel, o Magnificat está no coração do mistério que se contempla. São João Paulo II escreveu que no Rosário “ecoa a oração de Maria, o seu perene Magnificat” (Rosarium Virginis Mariae, 1). Os mistérios de cada dia estão na página dos mistérios do terço, e, para fechar o terço louvando Maria, há a Ladainha de Nossa Senhora.

Uma oração para rezar antes do Magnificat:

Deus Pai, que olhastes para a pequenez de Maria

e fizestes nela grandes coisas,

olhai também para mim no fim deste dia.

Eu vos agradeço pelo bem que me fizestes hoje,

até pelo que eu não percebi.

Dai-me um coração humilde, que saiba vos louvar,

e mãos abertas para quem tem fome.

Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

O Magnificat não é amuleto. Atribuir a eficácia de uma oração só às palavras, sem as disposições do coração, é o que o Catecismo chama de superstição (CIC 2111). O que ele faz é outra coisa: põe a sua vida, como a de Maria, nas mãos de Deus.

No app AngelGuard, o Magnificat também está em áudio guiado, com uma meditação sobre as palavras do cântico antes de rezá-lo. Faz parte da assinatura do app, que você pode experimentar por 7 dias grátis e cancelar quando quiser.

Fechar: Como rezar o Magnificat hoje: gratidão e os pequenos

O Magnificat no Advento: as antífonas do Ó

2 min de leituraNo Advento, a Igreja espera o Natal com Maria, e o Magnificat ganha um brilho especial.

No Advento, a Igreja espera o Natal com Maria, e o Magnificat ganha um brilho especial. De 17 a 23 de dezembro, nas Vésperas, a antífona do Magnificat é, a cada dia, uma das grandes antífonas do Ó, que chamam o Messias por nomes do Antigo Testamento: Ó Sabedoria, Ó Adonai, Ó Raiz de Jessé, Ó Chave de Davi, Ó Sol nascente, Ó Rei das nações, Ó Emanuel. Cada uma termina pedindo que ele venha.

O Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia propõe que, nesses dias, as comunidades celebrem as Vésperas com essas antífonas, como uma novena de Natal unida à liturgia (n. 103). Em casa, você pode fazer algo parecido: cada noite, diga a invocação do dia, reze o Magnificat e termine com o Glória ao Pai. A novena de Natal em família traz uma passagem do Evangelho para cada dia de 16 a 24 de dezembro, e no dia 18 a leitura é o próprio cântico de Maria.

No dia 22 de dezembro, quando cai num dia de semana, a Missa lê a história de Ana levando o pequeno Samuel ao templo, canta o cântico de Ana como salmo e proclama o Magnificat como Evangelho (1Sm 1,24-28; 1Sm 2,1-8; Lc 1,46-56). As duas mães cantam lado a lado.

O Magnificat em latim e a tradução do Padre Figueiredo

2 min de leituraEste é o texto da Vulgata, a Bíblia latina que a Igreja usou por séculos, como ainda se canta nas Vésperas em latim: Magnificat anima mea Dominum, et exsultavit spiritus meus in Deo salutari meo.

Em latim. Este é o texto da Vulgata, a Bíblia latina que a Igreja usou por séculos, como ainda se canta nas Vésperas em latim:

Magnificat anima mea Dominum,
et exsultavit spiritus meus in Deo salutari meo.
Quia respexit humilitatem ancillae suae:
ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes generationes.
Quia fecit mihi magna qui potens est:
et sanctum nomen eius.
Et misericordia eius a progenie in progenies
timentibus eum.
Fecit potentiam in bracchio suo:
dispersit superbos mente cordis sui.
Deposuit potentes de sede:
et exaltavit humiles.
Esurientes implevit bonis:
et divites dimisit inanes.
Suscepit Israel puerum suum:
recordatus misericordiae suae.
Sicut locutus est ad patres nostros,
Abraham et semini eius in saecula.

A tradução desta página. O texto do alto da página é a tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), religioso português que traduziu a Bíblia inteira a partir da Vulgata. Usamos a edição impressa em Londres em 1866, conferida na imagem da página, só com a ortografia atualizada: “Deos” virou “Deus”, “he” virou “é”, “throno” virou “trono”. Por isso o texto acompanha o latim de perto: “engrandece”, de magnificat; “baixeza”, de humilitatem.

Por que soa diferente? Na Missa, na Liturgia das Horas e nas Bíblias católicas de hoje, o Magnificat aparece com outras palavras, porque são traduções mais recentes. Se você o aprendeu de outro jeito, reze como aprendeu: o cântico é o mesmo.

Perguntas

O que significa Magnificat?

É a primeira palavra do cântico de Maria em latim: “Magnificat anima mea Dominum”, isto é, “A minha alma engrandece ao Senhor”. Magnificat quer dizer “engrandece”: proclama a grandeza de Deus. Por isso o cântico inteiro ficou conhecido por esse nome.

Qual é a oração do Magnificat?

É o cântico de Maria no Evangelho de São Lucas (Lc 1,46-55). Na tradução católica do Padre Figueiredo, começa assim: “A minha alma engrandece ao Senhor: e o meu espírito se alegrou por extremo em Deus meu Salvador”. E termina: “Assim como o tinha prometido a nossos pais, a Abraão, e à sua posteridade para sempre”. Nas Vésperas, a Igreja acrescenta o Glória ao Pai. O texto completo está no alto desta página.

Onde está o Magnificat na Bíblia?

No Evangelho de São Lucas, capítulo 1, versículos 46 a 55. Maria o diz na casa de Zacarias e Isabel, logo depois de Isabel a saudar como “mãe de meu Senhor”. A cena inteira da Visitação vai do versículo 39 ao 56.

Quando se reza o Magnificat?

A Igreja o reza todos os dias no fim da tarde, nas Vésperas da Liturgia das Horas, com uma antífona que muda conforme o dia. Você pode rezá-lo a qualquer hora, sobretudo para agradecer. No Advento, de 17 a 23 de dezembro, ele vem com as antífonas do Ó.

Qual a diferença entre o Magnificat e a Ave-Maria?

A Ave-Maria é dirigida a Maria: junta a saudação do anjo Gabriel e a de Isabel e termina pedindo que ela rogue por nós. O Magnificat é a resposta de Maria, dirigida a Deus: são as palavras dela louvando o Senhor. As duas nascem do mesmo capítulo de São Lucas. O Catecismo descreve esses dois movimentos da oração a Maria: um louva a grandeza do Senhor por tudo o que ele fez de maravilhoso em Maria, o outro confia a ela os nossos pedidos (CIC 2675).

O que quer dizer “a minha alma engrandece ao Senhor”?

Engrandecer o Senhor não é deixá-lo maior, porque Deus já é grande. É proclamar a sua grandeza, mostrar aos outros o que ele fez. Maria diz isso com a alma e o espírito, isto é, com a vida inteira. Em outras traduções, no lugar de “engrandece” aparece “glorifica”: o sentido é o mesmo.