
Oração
Ato de contrição: a oração tradicional, a forma pequena e como rezar na confissão
O ato de contrição tradicional completo, a forma pequena da catequese e a do Ritual da Penitência, o que é contrição perfeita e como rezá-lo na confissão
O ato de contrição mais rezado no Brasil começa assim: “Senhor meu, Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu! Por serdes vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas…”. É a oração em que o católico diz a Deus que se arrepende dos pecados e promete, com a graça dele, emendar-se; na confissão, reza-se depois de contar os pecados, antes da absolvição. No AngelGuard você encontra o texto completo, a forma pequena da catequese, a do Ritual da Penitência e o sentido de cada frase.
Senhor meu, Jesus Cristo,
Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu!
Por serdes vós quem sois,
sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas;
e porque vos amo e estimo,
pesa-me, Senhor, de todo o meu coração, por vos ter ofendido.
Pesa-me também por ter perdido o céu e merecido o inferno.
Mas proponho firmemente,
ajudado com o auxílio de vossa divina graça,
emendar-me e nunca mais vos tornar a ofender.
E espero alcançar o perdão das minhas culpas,
pela vossa infinita misericórdia.
Amém.
Ato de contrição tradicional, como o publica o Manual de Orações da Fundação Pontifícia ACN Brasil; oração devocional tradicional.
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O ato de contrição tradicional, frase por frase
2 min de leituraO texto no alto desta página é o ato de contrição que gerações de brasileiros aprenderam na catequese.
O texto no alto desta página é o ato de contrição que gerações de brasileiros aprenderam na catequese. Ele segue um caminho: primeiro olha para Deus, depois para o próprio pecado, e termina na esperança.
“Senhor meu, Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu!” Antes de falar do pecado, a oração diz a quem está falando: àquele que nos criou e nos salvou. O arrependimento cristão não começa olhando para o próprio umbigo, mas para Deus.
“Por serdes vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas.” É o coração da oração. A pessoa se arrepende porque ofendeu alguém que é bom e que ama. Esse é o motivo da chamada contrição perfeita, a que nasce do amor a Deus (Catecismo da Igreja Católica, CIC 1452).
“Pesa-me também por ter perdido o céu e merecido o inferno.” Aqui aparece o outro motivo, o temor das consequências do pecado. A Igreja chama esse arrependimento de contrição imperfeita, ou atrição, e ensina que também ele é um dom de Deus e um impulso do Espírito Santo (CIC 1453). A oração junta os dois motivos, porque é assim que costumamos chegar a Deus: com um pouco de amor e um pouco de medo.
“Mas proponho firmemente, ajudado com o auxílio de vossa divina graça, emendar-me.” Sem o propósito de mudar de vida, não há arrependimento verdadeiro. Mas o propósito se apoia na graça, não na força de vontade. O Papa Francisco, comentando a fórmula italiana do ato de contrição, que tem o mesmo propósito, explicou que essas palavras não são a garantia de que a pessoa nunca mais vai pecar: “Estas palavras exprimem um objetivo, não uma promessa” (discurso aos participantes do curso da Penitenciaria Apostólica, 8 de março de 2024).
“E espero alcançar o perdão das minhas culpas, pela vossa infinita misericórdia.” A oração não termina na culpa, termina na misericórdia. Quem reza o ato de contrição não barganha com Deus; confia nele.
Ato de contrição pequeno e outras formas
2 min de leituraNão existe um único texto obrigatório.
Não existe um único texto obrigatório. O Ritual da Penitência, ao convidar o penitente a manifestar o arrependimento, propõe uma fórmula e diz que ele pode fazê-lo “com estas ou semelhantes palavras” (Ordo Paenitentiae, 1974, n. 45, em tradução nossa do latim his vel similibus verbis). Estas são as formas mais conhecidas no Brasil.
A forma baseada no Ritual da Penitência, como a publica o livro Sou católico, vivo a minha fé (Edições CNBB, 2019): “Senhor, eu me arrependo sinceramente de todo mal que pratiquei e do bem que deixei de fazer. Pecando, eu vos ofendi, meu Deus e meu sumo bem, digno de ser amado sobre todas as coisas. Prometo firmemente, ajudado com a vossa graça, fazer penitência e fugir às ocasiões de pecado.” No próprio Ritual, a fórmula inclui também o propósito de não mais pecar e termina pedindo a misericórdia de Deus pelos méritos da paixão de Jesus Cristo.
A forma que detesta os pecados, publicada pela CNBB: “Meu Deus, eu me arrependo, de todo coração de todos meus pecados e os detesto, porque pecando não só mereci as penas que justamente estabelecestes, mas principalmente porque Vos ofendi a Vós, sumo bem e digno de ser amado sobre todas as coisas…”. Ela corresponde ao antigo ato de contrição latino e faz o mesmo caminho da oração tradicional: do temor ao amor.
O ato de contrição pequeno, o que muitas crianças aprendem na catequese, na redação da Formação Canção Nova:
Meu Deus, eu me arrependo, de todo o coração,
de Vos ter ofendido,
porque sois tão bom e amável.
Prometo, com a Vossa graça,
esforçar-me para não mais pecar.
Meu Jesus, Misericórdia.
A forma mais curta de todas vem do Evangelho. O publicano, no fundo do Templo, só conseguia dizer: “Meu Deus, sê propício a mim pecador” (Lc 18,13, na tradução do Padre Figueiredo). O Ritual da Penitência propõe também a antiga oração de Jesus: “Senhor Jesus, Filho de Deus, tende piedade de mim, que sou pecador” (Ritual da Penitência; Ordo Paenitentiae, n. 92). Qualquer uma delas, dita com sinceridade, é um verdadeiro ato de contrição.
Contrição perfeita e imperfeita: o que a Igreja ensina
2 min de leituraO Catecismo, retomando o Concílio de Trento, define a contrição como “uma dor da alma e uma detestação do pecado cometido, com o propósito de não mais pecar no futuro”, e diz que ela ocupa o primeiro lugar entre os atos do penitente (CIC 1451).
O Catecismo, retomando o Concílio de Trento, define a contrição como “uma dor da alma e uma detestação do pecado cometido, com o propósito de não mais pecar no futuro”, e diz que ela ocupa o primeiro lugar entre os atos do penitente (CIC 1451).
Contrição perfeita é a que nasce do amor a Deus, amado sobre todas as coisas. Ela perdoa os pecados veniais e obtém também o perdão dos pecados mortais, se incluir o propósito firme de se confessar assim que for possível (CIC 1452).
Contrição imperfeita, ou atrição, é a que nasce da consideração da feiura do pecado ou do medo da condenação. É um começo verdadeiro e um dom de Deus. Sozinha, não perdoa os pecados graves, mas dispõe a pessoa para receber o perdão no sacramento da Penitência (CIC 1453).
Isso tem uma consequência muito prática. Quem tem consciência de um pecado grave e não consegue se confessar logo, porque não há padre, porque está doente ou em viagem, pode e deve fazer um ato de contrição perfeita, com a intenção de se confessar na primeira oportunidade. Durante a pandemia, em 20 de março de 2020, o Papa Francisco lembrou exatamente isso: se você não encontra um sacerdote, “fale com Deus, ele é seu Pai”, peça perdão de todo o coração com o ato de contrição e prometa se confessar depois. Até lá, quem tem consciência de pecado grave não deve comungar, a não ser por motivo grave e sem possibilidade de se confessar (CIC 1457).
Como rezar o ato de contrição na confissão
2 min de leituraO sacramento da Penitência é formado por três atos do penitente, o arrependimento, a confissão dos pecados e o propósito de cumprir a penitência, e pela absolvição do sacerdote (CIC 1491).
O sacramento da Penitência é formado por três atos do penitente, o arrependimento, a confissão dos pecados e o propósito de cumprir a penitência, e pela absolvição do sacerdote (CIC 1491). O ato de contrição é a expressão do primeiro. Na prática, a confissão individual costuma seguir esta ordem:
1. Antes de entrar, faça o exame de consciência, de preferência à luz da Palavra de Deus e dos mandamentos (CIC 1454).
2. O padre acolhe você; faça o sinal da cruz. Se quiser, diga há quanto tempo foi a última confissão.
3. Conte os seus pecados com simplicidade, sem justificativas longas. Os pecados graves devem ser todos confessados (CIC 1456).
4. O padre dá um conselho e uma penitência.
5. Ele convida você a manifestar o arrependimento: é a hora do ato de contrição (Ordo Paenitentiae, n. 45). Reze a forma que você sabe, com calma.
6. O padre reza a absolvição, e você responde “Amém”.
Se você esquecer o texto na hora, não se preocupe: diga que não lembra, e o padre ajuda, ou diga com as suas palavras que está arrependido e quer mudar. Muitos confessionários têm o ato de contrição impresso num cartão. O que o sacramento pede é arrependimento verdadeiro, não memória perfeita.
Quando rezar o ato de contrição fora da confissão
2 min de leituraÀ noite, antes de dormir.
À noite, antes de dormir. É um uso antigo e simples: um breve exame do dia, agradecer pelo bem, reconhecer as falhas e rezar o ato de contrição. Dormir em paz com Deus muda o dia seguinte.
Logo depois de cair. Não é preciso esperar a próxima confissão para pedir perdão. O arrependimento imediato, mesmo para faltas pequenas, é um jeito de voltar logo para casa.
Quando não é possível se confessar e há consciência de pecado grave: o ato de contrição perfeita, com a intenção de se confessar assim que der (CIC 1452).
Em perigo de morte, sem padre por perto: é nessa hora que o ato de contrição mais importa. Quem estiver ao lado de um doente grave pode rezá-lo junto com ele, devagar, e chamar um padre para a Confissão e a Unção dos Enfermos sempre que possível.
E se a culpa não passa? Algumas pessoas se confessam e continuam se sentindo sujas, repetindo os mesmos pecados já perdoados. Isso se chama escrúpulo, e os confessores sabem ajudar: conte isso ao padre. Não acreditar que Deus possa perdoar não é humildade; o Catecismo chama de desespero a atitude de quem deixa de esperar o perdão, e lembra que ela se opõe à bondade e à misericórdia de Deus (CIC 2091). Nenhum pecado é maior do que a misericórdia dele.
O arrependimento na Bíblia
2 min de leituraO ato de contrição é tecido com as palavras da Escritura.
O ato de contrição é tecido com as palavras da Escritura. Estas passagens, na tradução do Padre Figueiredo, ajudam a rezá-lo com mais verdade.
O salmo do arrependimento. “Sacrifício para Deus é o espírito atribulado: ao coração contrito, e humilhado não o desprezarás, ó Deus” (Sl 50,19; Salmo 51 nas Bíblias atuais). Segundo o título do próprio salmo, é a oração de Davi depois do seu pecado.
O filho que volta. “Pai, pequei contra o céu, e diante de ti” (Lc 15,18). O filho pródigo ensaia o seu ato de contrição no caminho de volta, e o pai corre ao encontro dele quando ele ainda vem longe.
As lágrimas de Pedro. Depois de negar Jesus três vezes, Pedro “tendo saído para fora chorou amargamente” (Mt 26,75). O Catecismo diz que foi o olhar misericordioso de Jesus que provocou essas lágrimas de arrependimento (CIC 1429).
A mulher que amou muito. Da pecadora que lavou os pés de Jesus com as lágrimas, ele disse: “perdoados lhe são seus muitos pecados, porque amou muito” (Lc 7,47). É a contrição perfeita em pessoa.
O coração, não a roupa. O profeta Joel pede um arrependimento de dentro: “rasgai os vossos corações, e não os vossos vestidos” (Jl 2,13).
Perguntas
Qual é o ato de contrição mais usado?
No Brasil, o mais conhecido é o tradicional: “Senhor meu, Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu! Por serdes vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas; e porque vos amo e estimo, pesa-me, Senhor, de todo o meu coração, por vos ter ofendido…”. O texto completo está no alto desta página. Qualquer forma, rezada com arrependimento sincero, é válida na confissão.
Qual é o ato de contrição pequeno?
É a forma curta que muitas crianças aprendem na catequese: “Meu Deus, eu me arrependo, de todo o coração, de Vos ter ofendido, porque sois tão bom e amável. Prometo, com a Vossa graça, esforçar-me para não mais pecar. Meu Jesus, Misericórdia.” Ela pode ser rezada na confissão, como qualquer outra forma.
Em que momento da confissão se reza o ato de contrição?
Depois de contar os pecados e de receber a penitência, quando o padre convida você a manifestar o arrependimento. Em seguida, ele reza a absolvição. Se você esquecer, o padre lembra e ajuda.
O ato de contrição perdoa os pecados sem confissão?
Os pecados veniais, sim, quando o arrependimento é sincero. Os pecados graves são perdoados pela contrição perfeita, a que nasce do amor a Deus, desde que a pessoa tenha o propósito firme de se confessar assim que possível (Catecismo da Igreja Católica, n. 1452). Até a confissão, quem tem consciência de pecado grave não deve comungar, salvo motivo grave e impossibilidade de se confessar (n. 1457).
Preciso saber o ato de contrição de cor para me confessar?
Não. O Ritual da Penitência permite que o penitente se expresse com a fórmula proposta ou com palavras semelhantes. Se não souber nenhuma, diga com simplicidade que está arrependido de ter ofendido a Deus e que, com a graça dele, quer mudar de vida. O padre ajuda.
Qual a diferença entre o ato de contrição novo e o antigo?
Mudam as palavras, não o sentido. O tradicional (“Senhor meu, Jesus Cristo…”) e o que “detesta os pecados” são formas antigas, que o povo aprendeu nos catecismos; a do Ritual da Penitência renovado depois do Concílio Vaticano II (“Senhor, eu me arrependo sinceramente de todo o mal que pratiquei e do bem que deixei de fazer…”) é a mais recente. Todas dizem a mesma coisa: arrependimento, amor a Deus e propósito de mudar.






