Salmo 27 — o Senhor é a minha luz

Salmo

Salmo 27: o Senhor é a minha luz

O salmo de quem tem medo e escolhe confiar, na tradução católica do Padre Figueiredo

O Salmo 27 — o 26 na numeração da Vulgata — é a oração de quem tem medo e decide confiar: começa com “O Senhor é a minha luz, e a minha salvação, a quem temerei?” e termina pedindo coragem para continuar esperando em Deus.

1Salmo de Davi antes de ser ungido. O Senhor é a minha luz, e a minha salvação, a quem temerei? O Senhor é o defensor da minha vida, de quem tremerei?

2Enquanto se chegam a mim os daninhos, para comer as minhas carnes: estes meus inimigos que me angustiam, eles mesmos se debilitaram e caíram.

3Ainda que se acampem exércitos contra mim, não temerá o meu coração. Ainda quando se levante batalha contra mim, nisto mesmo esperarei eu.

4Uma só coisa pedi ao Senhor, esta tornarei a pedir, que habite eu na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para ver as delícias do Senhor, e visitar o seu templo.

5Porquanto me escondeu no seu tabernáculo: no dia dos males me pôs a coberto no escondido do seu tabernáculo.

6Na pedra me exaltou: e agora tem exaltado a minha cabeça sobre os meus inimigos. Dei voltas, e sacrifiquei no seu tabernáculo hóstia com vozes de júbilo: cantarei, e direi salmo ao Senhor.

7Ouve, Senhor, a minha voz, com que clamei a ti: tem compaixão de mim, e ouve-me.

8O meu coração te falou a ti, os meus olhos te buscaram: teu rosto hei de buscar, Senhor.

9Não apartes de mim a tua face: e não te retires do teu servo na tua ira. Sê minha ajuda: não me deixes, nem me desprezes, ó Deus meu Salvador.

10Porque meu pai, e minha mãe me deixaram: mas o Senhor me recolheu.

11Prescreve-me, Senhor, a lei no teu caminho: e guia-me pela vereda direita por causa de meus inimigos.

12Não me entregues às almas dos que me atribulam: porque se têm levantado contra mim testemunhas falsas, mas a iniquidade mentiu em seu dano.

13Creio ver os bens do Senhor na terra dos viventes.

14Espera ao Senhor, porta-te varonilmente: e fortifique-se o teu coração, e está firme esperando ao Senhor.

Tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), segundo a Vulgata latina, onde este é o Salmo 26. Ortografia atualizada; texto do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público).

Texto original (grafia de 1866, com uma correção de impressão)

1Salmo de David antes de ser ungido. O Senhor he a minha luz, e a minha salvação, a quem temerei? O Senhor he o defensor da minha vida, de quem tremerei?

2Em quanto se chegão a mim os daninhos, para comer as minhas carnes: estes meus inimigos que me angustião, elles mesmos se debilitárão e cahîrão.

3Ainda que se acampem exercitos contra mim, não temerá o meu coração. Ainda quando se levante batalha contra mim, nisto mesmo esperarei eu.

4Huma só cousa pedi ao Senhor, esta tornarei a pedir, que habite eu na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para ver as delicias do Senhor, e visitar o seu templo.

5Por quanto me escondeo no seu tabernaculo: no dia dos males me poz a cuberto no escondido do seu tabernaculo.

6Na pedra me exaltou: e agora tem exaltado a minha cabeça sobre os meus inimigos. Dei voltas, e sacrifiquei no seu tabernaculo hostia com vozes de júbilo: cantarei, e direi salmo ao Senhor.

7Ouve, Senhor, a minha voz, com que clamei a ti: tem compaixão de mim, e ouve-me.

8O meu coração te fallou a ti, os meus olhos te buscárão: teu rosto hei de buscar, Senhor.

9Não apartes de mim a tua face: e não te retires do teu servo na tua ira. Sê minha ajuda: não me deixes, nem me desprezes, ó Deos meu Salvador.

10Porque meu pai, e minha mãi me deixárão: mas o Senhor me recolheo.

11Prescreve-me, Senhor, a lei no teu caminho: e guia-me pela vareda direita por causa de meus inimigos.

12Não me entregues ás almas dos que me atribulão: porque se tem levantado contra mim testemunhas falsas, mas a iniquidade mentio em seu damno.

13Creio ver os bens do Senhor na terra dos viventes.

14Espera ao Senhor, porta-te varonilmente: e fortifique-se o teu coração, e está firme esperando ao Senhor.

Uma correção de impressão nesta transcrição: v. 3: o impresso de 1866 traz “espararei” (tipo trocado); lemos “esperarei” — verbo exigido pelo latim “in hoc ego sperabo” e confirmado pela reimpressão de Lisboa, 1885 (“esperarei”, na imagem da página), e pela edição católica de 1950 (“esperarei”).

A Biblia Sagrada, traduzida em portuguez segundo a Vulgata Latina, por Antonio Pereira de Figueiredo. Londres: Harrison e Filhos, 1866, pp. 566–567 (Salmo XXVI).

Paráfrase moderna

Paráfrase em português de hoje — escrita especialmente para esta página, para ajudar na leitura; não é uma tradução bíblica.

1Salmo de Davi, antes de ser ungido rei. O Senhor ilumina o meu caminho e me salva: vou ter medo de quem? O Senhor protege a minha vida: diante de quem vou tremer?

2Quando gente má avança sobre mim querendo me devorar, esses inimigos que me apertam é que perdem as forças e caem.

3Mesmo que tropas inteiras acampem à minha volta, o meu coração não vai temer. Ainda que estoure uma guerra contra mim, mesmo assim eu vou confiar.

4Uma coisa só eu pedi ao Senhor, e vou continuar pedindo: morar na casa dele pela vida inteira, para provar da sua bondade e frequentar o seu templo.

5Quando chega o dia da desgraça, ele me esconde na sua tenda e me guarda no lugar mais escondido da sua morada.

6Ele me pôs no alto, sobre a rocha, e agora levanto a cabeça acima dos que me cercam. Por isso vou rodear a sua tenda e oferecer sacrifícios com gritos de alegria; vou cantar e fazer música para o Senhor.

7Escuta, Senhor, quando eu chamo por ti; tem compaixão e responde.

8O meu coração conversou contigo, os meus olhos te procuraram: é a tua face, Senhor, que eu vou buscar.

9Não tires de mim o teu olhar, não te afastes irado de quem te serve. Sê o meu socorro; não me largues, não me rejeites, ó Deus que me salvas.

10Até quem me deu a vida, pai e mãe, me deixou; mas o Senhor me recolheu.

11Mostra-me, Senhor, como andar no teu caminho; leva-me pela estrada reta, por causa de quem fica de olho em mim.

12Não me deixes nas mãos de quem me oprime: testemunhas mentirosas se levantaram contra mim, mas a mentira delas acaba ferindo a elas mesmas.

13Tenho certeza de que ainda vou ver o bem que o Senhor faz, aqui, entre os vivos.

14Espere pelo Senhor, seja forte; deixe o seu coração se firmar, e continue esperando pelo Senhor.

A Igreja o reza nas Vésperas da quarta-feira da primeira semana do Saltério, dividido em duas partes. Aqui no AngelGuard você lê o salmo completo na tradução católica do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, entende cada verso e aprende a rezá-lo.

Aprofundar

Significado do Salmo 27, verso a verso

3 min de leituraSão João Paulo II comparou o Salmo 27 a um díptico, um quadro de duas folhas.

São João Paulo II comparou o Salmo 27 a um díptico, um quadro de duas folhas. Na primeira (versos 1–6), o fiel declara a sua confiança no meio do perigo; na segunda (versos 7–14), essa mesma confiança vira súplica. O salmo não esconde a mudança de tom: quem começa dizendo que não tem medo termina pedindo que Deus não o abandone. É justamente por isso que ele é tão verdadeiro.

Verso 1: três nomes para Deus. “O Senhor é a minha luz, e a minha salvação, a quem temerei? O Senhor é o defensor da minha vida, de quem tremerei?” Luz contra o escuro, salvação contra o perigo, defesa contra o ataque. As duas perguntas não esperam resposta: são o jeito de o salmista dizer a si mesmo onde está a sua segurança.

Versos 2–3: o medo com nome. João Paulo II notou duas imagens: os inimigos como feras que avançam para devorar e como um exército inteiro em batalha. O salmista não finge que estão longe. Mas conclui: “nisto mesmo esperarei eu”. A confiança não espera o perigo passar para nascer.

Versos 4–6: uma só coisa. “Uma só coisa pedi ao Senhor”: não a vitória, mas morar na casa de Deus e “ver as delícias do Senhor”. Para João Paulo II, a comunhão com Deus é aqui “como entrar num oásis de luz e de amor”. A tenda, o “escondido do seu tabernáculo” e a pedra são imagens do Templo de Jerusalém, onde o fiel se sente abrigado.

Versos 7–10: a busca do rosto. “Ouve, Senhor, a minha voz”: agora o salmo pede. O centro é o verso 8: “teu rosto hei de buscar, Senhor”. E vem a frase mais dura: “meu pai, e minha mãe me deixaram: mas o Senhor me recolheu” (v. 10). Nem os laços mais fortes da terra são a última segurança; Deus é.

Versos 11–12: as testemunhas falsas. O salmista pede um caminho reto porque há gente armando contra ele com mentiras. “A iniquidade mentiu em seu dano”: a mentira acaba se voltando contra quem a inventa.

Versos 13–14: esperar com coragem. “Creio ver os bens do Senhor na terra dos viventes.” O salmo termina com um conselho que o fiel dá a si mesmo: “Espera ao Senhor, porta-te varonilmente”. Varonilmente, aqui, quer dizer com coragem (o latim diz viriliter age), e vale para homens e mulheres. Não promete que a espera será curta; promete que vale a pena esperar.

Senhor, tu és a minha luz e a minha salvação: quando o medo crescer, lembra-me de quem sou e em quem confio. Eu te peço uma só coisa, viver perto de ti todos os dias; e, se tudo mais faltar, não afastes de mim o teu rosto. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

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Salmo 27 para o medo: confiança que não finge

2 min de leituraMuita gente procura o Salmo 27 num momento de medo: uma doença, um processo, uma ameaça, uma noite que não acaba.

Muita gente procura o Salmo 27 num momento de medo: uma doença, um processo, uma ameaça, uma noite que não acaba. Ele foi escrito para isso, e é honesto. Não diz que o perigo é imaginário: há exércitos, batalhas, falsas testemunhas. Diz que, no meio de tudo isso, o fiel tem onde se apoiar. João Paulo II o descreveu assim: o crente pode ser isolado e até hostilizado, mas “ele não está só e o seu coração conserva uma paz interior surpreendente”.

Coragem e medo na mesma oração. A primeira parte é confiante; a segunda pede, quase suplica: “Não apartes de mim a tua face”. Os dois sentimentos convivem no mesmo salmo, como convivem em nós. Rezar o Salmo 27 não é fingir que não tem medo; é levar o medo para dentro da confiança. O Catecismo diz que a esperança “protege contra o desânimo; sustenta no abatimento” (CIC 1818).

Os inimigos. O salmo fala de inimigos de carne e osso, e quem é perseguido pode rezá-lo assim. Mas João Paulo II lembra também que “no mundo existe um mal agressivo, que encontra em Satanás o guia e o inspirador”, e cita São Pedro: o adversário anda ao redor procurando a quem devorar (1 Pd 5,8). O cristão reza o Salmo 27 nesse combate espiritual pedindo a Deus a sua proteção, sem amaldiçoar ninguém: a luta não é contra pessoas, mas contra o mal (Ef 6,12).

O que o salmo não é. Não é uma fórmula que obriga Deus a derrubar os seus adversários, nem uma oração que funciona por repetição. O Catecismo chama de superstição atribuir a força de uma oração só às palavras ditas, sem as disposições do coração (CIC 2111). A força do Salmo 27 está em Deus, a quem ele se dirige, e na confiança que ele vai formando em quem o reza.

Pai, tu vês o que me assusta e conheces os que me querem mal. Não te peço vingança; peço a tua luz para não andar no escuro e a tua defesa contra todo mal, visível e invisível. Dá-me um coração firme para esperar em ti, mesmo quando a resposta demorar. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Quando rezar o Salmo 27

2 min de leitura“O Senhor é a minha luz”: é um bom primeiro pensamento do dia, antes de olhar o celular.

Ao acordar. “O Senhor é a minha luz”: é um bom primeiro pensamento do dia, antes de olhar o celular. A primeira parte do salmo cabe na manhã.

Antes de algo que dá medo. Uma cirurgia, uma prova, uma audiência, uma conversa difícil, uma viagem. Reze devagar o verso 1 e o verso 3 e entregue a Deus o que você não controla.

Quando você se sente só ou abandonado. O verso 10 fala a quem cresceu sem o carinho do pai ou da mãe, a quem foi deixado, a quem está longe da família. O Catecismo, ao citar este verso, reconhece que os pais humanos falham e podem desfigurar a imagem da paternidade e da maternidade, e ensina que Deus está acima delas (CIC 239). João Paulo II pediu que estas palavras fossem lembradas também aos idosos e doentes esquecidos por todos.

Quando é acusado injustamente. Os versos 11 e 12 são a oração de quem enfrenta mentiras e “testemunhas falsas”. Peça a Deus um caminho reto e a paciência de esperar que a verdade apareça.

Numa espera longa. Um emprego que não vem, um filho que se afastou, um diagnóstico em aberto. O verso 14 não marca prazo: “está firme esperando ao Senhor”.

No luto. O Salmo 27 está entre os salmos que a Igreja propõe para as Missas pelos falecidos, como a de sétimo dia. Ali o verso 13 ganha todo o seu peso: “Creio ver os bens do Senhor na terra dos viventes”. Rezá-lo por quem morreu é confiar que essa pessoa vive diante de Deus.

Senhor, quando eu me sentir sozinho, recolhe-me; quando me acusarem sem razão, mostra-me o caminho reto; quando a espera for longa, fortalece o meu coração. Que eu nunca deixe de procurar o teu rosto. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Como a Igreja reza o Salmo 27: Vésperas, Missa e leitura orante

2 min de leituraNa Liturgia das Horas, o Salmo 27 (26 nos livros litúrgicos) é rezado nas Vésperas da quarta-feira da primeira semana do Saltério, dividido em duas partes: versos 1–6 e 7–14.

Nas Vésperas. Na Liturgia das Horas, o Salmo 27 (26 nos livros litúrgicos) é rezado nas Vésperas da quarta-feira da primeira semana do Saltério, dividido em duas partes: versos 1–6 e 7–14. São João Paulo II comentou cada uma delas nas audiências gerais de 21 e de 28 de abril de 2004.

Na Missa. O salmo é o responsorial do III Domingo do Tempo Comum do Ano A, quando se lê a profecia de Isaías sobre o povo que caminhava no escuro e enxergou uma luz forte (Is 8,23b–9,3) e o Evangelho conta que Jesus começou a pregar na Galileia, cumprindo essa profecia (Mt 4,12-23). Desde 2020, o III Domingo do Tempo Comum é também o Domingo da Palavra de Deus, instituído pelo Papa Francisco. O salmo volta no II Domingo da Quaresma do Ano C, com o Evangelho da Transfiguração (Lc 9,28-36): o rosto de Jesus brilha diante dos discípulos, e a Igreja canta a busca do rosto de Deus.

Na vigilância do coração. O Catecismo cita o verso 8 ao falar da vigilância na oração: “A luz que não se deve extinguir é a da fé” (CIC 2730).

Em leitura orante. 1. Leia o salmo inteiro em voz baixa. 2. Medite: fique num verso, talvez “Uma só coisa pedi ao Senhor”, e pergunte qual é a sua “uma só coisa”. 3. Reze: conte a Deus o que você teme, com nomes. 4. Contemple: fique em silêncio, como quem se põe diante de um rosto.

Em duas partes. Uma sugestão simples: reze os versos 1 a 6 de manhã e os versos 7 a 14 à noite. Você vai perceber que a confiança da manhã e a súplica da noite são da mesma pessoa, no mesmo dia.

Senhor, que iluminaste o povo que andava nas trevas, acende em mim a luz da fé e não a deixes apagar. Que eu reze com a tua Igreja e aprenda, dia após dia, a buscar o teu rosto. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

O Salmo 27 e Jesus

2 min de leituraPara o cristão, a luz do verso 1 tem nome: Jesus se apresentou como a luz do mundo (Jo 8,12), e o velho Simeão, ao segurar o Menino no Templo, o chamou de luz que se acende para todos os povos (Lc 2,32).

A luz tem rosto. Para o cristão, a luz do verso 1 tem nome: Jesus se apresentou como a luz do mundo (Jo 8,12), e o velho Simeão, ao segurar o Menino no Templo, o chamou de luz que se acende para todos os povos (Lc 2,32). Quem reza “o Senhor é a minha luz” reza a Cristo.

“Uma só coisa”. O desejo do verso 4 aparece no Evangelho na casa de Betânia: enquanto Marta se agitava com muitas coisas, Maria ficou aos pés de Jesus, e ele disse que só uma coisa era necessária, e que ela tinha escolhido a melhor parte (Lc 10,41-42).

O justo diante de testemunhas falsas. O que o salmista sofre no verso 12, Jesus sofreu no seu processo: muitos buscavam falsos testemunhos contra ele, e os depoimentos não combinavam (Mc 14,55-59). E, como no verso 10, também os mais próximos o deixaram sozinho naquela noite (Mc 14,50). Jesus atravessou tudo isso entregue ao Pai.

O rosto que buscamos. João Paulo II lembra que nesta vida não vemos o rosto de Deus diretamente (Êx 33,20), mas que Cristo o revelou de um modo ao nosso alcance, e que no encontro definitivo poderemos vê-lo face a face, tal qual ele é (1 Jo 3,2). Santo Agostinho, comentando o verso 8, dizia que não procurava em Deus outra recompensa além do próprio rosto de Deus, para amá-lo de graça. A “terra dos viventes” do verso 13 ganha, assim, o sentido da vida eterna.

Senhor Jesus, luz do mundo, tu foste acusado por testemunhas falsas e deixado sozinho pelos teus amigos, e mesmo assim confiaste no Pai. Quando eu passar por isso, fica comigo. Mostra-me o teu rosto, para que eu deseje uma só coisa: estar contigo agora e na vida que não acaba. Amém.

Salmo 27 ou 26? O título, a numeração e a tradução

2 min de leituraNa Vulgata, o salmo traz o título “Salmo de Davi antes de ser ungido”.

“Antes de ser ungido”. Na Vulgata, o salmo traz o título “Salmo de Davi antes de ser ungido”. Essas palavras vêm da antiga tradução grega e latina; as Bíblias traduzidas do hebraico trazem apenas “De Davi”. A Bíblia conta que Davi foi ungido por Samuel ainda jovem (1 Sm 16,13) e, mais tarde, ungido rei em Hebron (2 Sm 2,4; 5,3), e o título convida a rezar o salmo como a oração de quem ainda não chegou aonde Deus o está levando.

Dois números, o mesmo salmo. A numeração hebraica, seguida pela maioria das Bíblias atuais e pelas buscas na internet, chama este salmo de 27. A grega e latina, seguida pelo Padre Figueiredo e pelos livros litúrgicos, chama de 26, porque nela os Salmos 9 e 10 contam como um só. Na Liturgia das Horas e no Lecionário você vai encontrar “Salmo 26” ou “Salmo 26(27)”. Os números dos versos são os mesmos nas duas contagens.

A tradução que você lê aqui. O texto é o do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, sacerdote português do século XVIII que traduziu a Bíblia inteira a partir da Vulgata latina. Nesta página o texto está em ortografia atualizada, com algumas palavras antigas trocadas pela forma atual, sem mudar o sentido; junto ao salmo, no início da página, você encontra também a grafia original da edição de 1866 (“Deos”, “Huma só cousa”, “cahîrão”…). No verso 3, o impresso de 1866 traz um erro de tipografia (“espararei”), corrigido aqui para “esperarei”, como no latim e em outras edições. No livro, este é o Salmo XXVI.

Perguntas

O que diz o Salmo 27?

O Salmo 27 diz que Deus é luz, salvação e defesa de quem confia nele, mesmo diante de inimigos e de guerra. Na segunda parte, o salmista pede que Deus não esconda o rosto nem o abandone, lembra que até o pai e a mãe o deixaram, mas o Senhor o recolheu, e termina: “Espera ao Senhor, porta-te varonilmente”. O texto completo, na tradução católica do Padre Figueiredo, está no início desta página.

Para que serve o Salmo 27?

Serve para rezar com confiança nas horas de medo: antes de algo difícil, numa doença, diante de acusações injustas, na solidão, no luto ou numa espera longa. Ele não é uma fórmula que garante um resultado; é uma oração que leva a apoiar-se em Deus e a buscar o seu rosto.

Onde está “O Senhor é a minha luz, e a minha salvação”?

No primeiro verso do Salmo 27, que na numeração da Vulgata, usada pelo Padre Figueiredo e pelos livros litúrgicos, é o Salmo 26. Na tradução de Figueiredo: “O Senhor é a minha luz, e a minha salvação, a quem temerei?”

Como fazer a oração do Salmo 27?

O próprio salmo é a oração. Comece pelo verso 1, “O Senhor é a minha luz, e a minha salvação, a quem temerei?”, e diga a Deus, com as suas palavras, o que você teme. Pode ser simples: “Senhor, tu és a minha luz; eu tenho medo, mas confio em ti.” Um jeito de rezá-lo inteiro é dividir: os versos 1 a 6 de manhã, os versos 7 a 14 à noite. Não é uma fórmula que funciona por repetição; é entregar o medo a quem é a sua luz.

O Salmo 27 é uma oração contra inimigos?

É uma oração de quem tem inimigos e confia em Deus. O cristão pode rezá-lo no combate espiritual, pedindo a Deus proteção contra todo mal, mas sem amaldiçoar ninguém: a luta é contra o mal, não contra pessoas (Ef 6,12). Também não funciona como fórmula: o Catecismo chama de superstição atribuir a força de uma oração só às palavras ditas (CIC 2111).

Por que algumas Bíblias chamam de Salmo 26?

Existem duas numerações dos Salmos. A hebraica, usada na maioria das Bíblias atuais, chama este salmo de 27. A grega e latina, seguida pela tradução do Padre Figueiredo e pelos livros litúrgicos, chama de 26, porque nela os Salmos 9 e 10 contam como um só. É o mesmo salmo; muitas edições trazem “Salmo 26(27)”. Se a sua Bíblia é a Ave-Maria, que usa a numeração antiga, procure o Salmo 26: lá, o “Salmo 27” é outro salmo, um pedido de socorro.

O que quer dizer “porta-te varonilmente”?

Quer dizer “tenha coragem”, “aja com firmeza”. É a tradução que o Padre Figueiredo dá ao latim viriliter age, no verso 14. A palavra lembra a coragem de um guerreiro, mas o conselho vale para todos, homens e mulheres: esperar em Deus sem desanimar.