Salmo 46 — Deus, nosso refúgio quando tudo treme

Salmo

Salmo 46: Deus, nosso refúgio na crise

O salmo do Deus que é refúgio quando tudo treme, na tradução católica do Padre Figueiredo

O Salmo 46 — o 45 na numeração da Vulgata — é o salmo da confiança quando tudo treme: a terra se abala, os montes caem no mar, as nações se agitam, e Deus continua sendo o refúgio do seu povo.

1Para o fim, aos filhos de Coré para os arcanos, Salmo.

2O nosso Deus é refúgio, e esforço: favorecedor nas tribulações, que com excesso nos têm compreendido.

3Por isso não temeremos ainda que seja comovida a terra: e trasladados os montes ao meio do mar.

4Bramaram, e turbaram-se as suas águas: estremeceram os montes pela sua fortaleza.

5O ímpeto do rio alegra a cidade de Deus: santificou o seu tabernáculo o Altíssimo.

6Deus está no meio dela, ela não será comovida: Deus a ajudará desde o raiar da manhã.

7As nações se conturbaram, e os reinos se humilharam: deu a sua voz, moveu-se a terra.

8O Senhor dos exércitos é conosco: nosso amparador o Deus de Jacó.

9Vinde, e vede as obras do Senhor, as maravilhas, que pôs sobre a terra:

10que aparta as guerras até à extremidade da terra. Quebrará o arco, e romperá as armas: e queimará ao fogo os escudos.

11Cessai, e vede que eu sou o Deus: serei exaltado entre as gentes, e serei exaltado na terra.

12O Senhor dos exércitos é conosco: nosso amparador o Deus de Jacó.

Tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), segundo a Vulgata latina, onde este é o Salmo 45. Ortografia atualizada; texto do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público).

Texto original (grafia de 1866, com uma correção de impressão)

1Para o fim, aos filhos de Coré para os arcanos, Salmo.

2O nosso Deos he refugio, e esforço: favorecedor nas tribulações, que com excesso nos tem comprehendido.

3Por isso não temeremos ainda que seja commovida a terra: e trasladados os montes ao meio do mar.

4Bramárão, e turbárão-se as suas aguas: estremecêrão os montes pela sua fortaleza.

5O impeto do rio alegra a cidade de Deos: santificou o seu tabernaculo o Altissimo.

6Deos está no meio d'ella, ella não será commovida: Deos a ajudará desde o raiar da manhãa.

7As nações se conturbárão, e os reinos se humilhárão: deo a sua voz, moveo-se a terra.

8O Senhor dos exercitos he comnosco: nosso amparador o Deos de Jacob.

9Vinde, e vede as obras do Senhor, as maravilhas, que poz sobre a terra:

10que aparta as guerras até á extremidade da terra. Quebrará o arco, e romperá as armas: e queimará ao fogo os escudos.

11Cessai, e vede que eu sou o Deos: serei exaltado entre as gentes, e serei exaltado na terra.

12O Senhor dos exercitos he comnosco: nosso amparador o Deos de Jacob.

Uma correção de impressão nesta transcrição: v. 4: o impresso de 1866 traz “Bramarão” sem acento (que, na grafia da edição, seria futuro, ao lado de “turbárão”, passado); lemos “Bramárão”, hoje “Bramaram” — passado exigido pelo latim “Sonuerunt” e confirmado pela reimpressão de Lisboa, 1885 (“Bramárão”, na imagem da página), e pela edição católica de 1950 (“Bramaram”).

A Biblia Sagrada, traduzida em portuguez segundo a Vulgata Latina, por Antonio Pereira de Figueiredo. Londres: Harrison e Filhos, 1866, pp. 577–578 (Salmo XLV).

Paráfrase moderna

Paráfrase em português de hoje — escrita especialmente para esta página, para ajudar na leitura; não é uma tradução bíblica.

1Salmo dos filhos de Coré, com uma indicação para o canto.

2Deus é o nosso abrigo e a nossa força; ele nos socorre nas aflições que caíram pesadas sobre nós.

3Por isso não vamos ter medo, nem se o chão tremer, nem se as montanhas forem arrancadas e jogadas no meio do mar.

4As águas rugiram e se agitaram; as montanhas estremeceram diante da sua força.

5A correnteza de um rio deixa feliz a cidade de Deus; a tenda onde o Altíssimo mora, ele mesmo a fez santa.

6Deus está no meio dela: ela não vai cair; Deus vai socorrê-la quando o dia começar a clarear.

7Os povos se agitaram, os reinos se curvaram; bastou ele falar, e a terra se moveu.

8Quem está do nosso lado é o Senhor dos exércitos; quem nos ampara é o Deus de Jacó.

9Olhem o que o Senhor fez, as maravilhas que ele espalhou pela terra:

10ele põe fim às guerras de ponta a ponta do mundo; quebra o arco, despedaça as armas e joga os escudos no fogo.

11“Parem e reconheçam: eu sou Deus. Os povos vão me exaltar, e a terra inteira também.”

12Quem está do nosso lado é o Senhor dos exércitos; quem nos ampara é o Deus de Jacó.

Na tradução católica do Padre Figueiredo, ele começa assim: “O nosso Deus é refúgio, e esforço”, e traz o verso que muitos conhecem como “aquietai-vos”: “Cessai, e vede que eu sou o Deus.” A Igreja o reza nas Vésperas da sexta-feira da primeira semana do Saltério. Aqui no AngelGuard você lê o salmo completo, entende cada verso e aprende a rezá-lo nas horas de crise.

Aprofundar

Significado do Salmo 46, verso a verso

3 min de leituraSão João Paulo II chamou o Salmo 46 de o primeiro dos “cânticos de Sião”, os salmos que celebram Jerusalém, a cidade onde Deus mora no meio do seu povo.

São João Paulo II chamou o Salmo 46 de o primeiro dos “cânticos de Sião”, os salmos que celebram Jerusalém, a cidade onde Deus mora no meio do seu povo. Ele notou que um refrão, repetido nos versos 8 e 12, corta o salmo em duas metades: “O Senhor dos exércitos é conosco: nosso amparador o Deus de Jacó.” Os números de verso aqui são os do Padre Figueiredo, que conta o título como verso 1, como as Bíblias católicas atuais (a Ave-Maria, a Pastoral); nas Bíblias evangélicas, como as de Almeida e a NVI, que não numeram o título, cada verso tem um número a menos.

Verso 2: refúgio e força. “O nosso Deus é refúgio, e esforço”. “Esforço” é a palavra com que Figueiredo traduz o latim virtus, força. Deus não é só o lugar onde a gente se esconde; é também a força que nos põe de pé.

Versos 3–4: quando o mundo treme. A terra se abala, os montes vão parar no meio do mar, as águas rugem. João Paulo II lembra que, na linguagem da Bíblia, essas águas escuras são símbolo da devastação, da confusão e do mal. O salmo não diz que isso não vai acontecer; diz: “não temeremos ainda que seja comovida a terra”.

Versos 5–6: o rio e a cidade. No meio do caos aparece outra água: “O ímpeto do rio alegra a cidade de Deus”. Jerusalém fica sobre montes secos, e o salmista vê na água que a abastece, como a fonte de Siloé, um sinal da vida que Deus dá à cidade santa. “Deus está no meio dela, ela não será comovida: Deus a ajudará desde o raiar da manhã.”

Versos 7–8: as nações e o Deus conosco. Os povos se agitam, os reinos caem, e basta Deus erguer a voz para a terra se mover. Então vem a antífona: “O Senhor dos exércitos é conosco”. João Paulo II viu nesse “conosco” uma referência ao Emanuel, o Deus-conosco (Is 7,14; Mt 1,23).

Versos 9–11: o Deus que acaba com as guerras. “Vinde, e vede as obras do Senhor”: ele “aparta as guerras até à extremidade da terra” e destrói arcos e escudos. João Paulo II ligou estes versos à profecia de Isaías, das espadas transformadas em arados (Is 2,4). É neste contexto que Deus fala: “Cessai, e vede que eu sou o Deus” (v. 11). O sentido dessa palavra vem explicado logo depois.

Verso 12: de novo o refrão. O salmo termina como terminou a primeira parte: o Senhor está conosco. Depois de tudo, é a única certeza que fica de pé.

Deus, nosso refúgio e nossa força, quando tudo à minha volta tremer, sê tu o chão firme debaixo dos meus pés. Faz correr na minha vida o rio da tua paz, fica no meio da minha casa e socorre-nos desde o raiar da manhã. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

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“Cessai, e vede que eu sou o Deus”: o que quer dizer o verso 11 (10 em muitas Bíblias)

2 min de leituraÉ o verso mais conhecido do salmo.

É o verso mais conhecido do salmo. Muitas Bíblias, sobretudo as evangélicas, o traduzem com “aquietai-vos” e “sabei”; o Padre Figueiredo, que traduz do latim, escreve “Cessai” e “vede”. É o mesmo convite. Nas Bíblias que não contam o título como verso, como as de Almeida e a NVI, ele é o Salmo 46,10.

O que diz o original. O latim da Vulgata diz Vacate, de um verbo que significa ficar vazio, ficar livre, desocupado. O verbo hebraico tem o sentido de soltar, largar, deixar cair as mãos. “Aquietar-se” diz bem aonde se chega; o primeiro passo é parar. Parar de lutar com as próprias forças, largar o que a gente tenta segurar sozinho e deixar Deus ser Deus.

Leia o verso no seu lugar. Logo antes, o salmo mostra Deus acabando com as guerras e quebrando as armas (v. 10). O “Cessai” vem depois disso e soa primeiro para os povos em guerra: parem de lutar e reconheçam quem é Deus. Para quem reza, vale o mesmo: quando é Deus quem luta, as nossas armas podem descer. Por isso o verso não é um convite a fingir calma, e sim a confiar no meio do barulho.

E rezar em silêncio. O verso também ensina a rezar. O Catecismo diz que “A contemplação é silêncio” (CIC 2717) e que ela é “o olhar da fé, fixado em Jesus” (CIC 2715). Parar, ficar em silêncio e reconhecer quem é Deus é exatamente isso: passar alguns minutos diante dele, sem pressa, deixando que ele olhe para você e aja.

Senhor, eu paro agora. Largo nas tuas mãos o que tento segurar sozinho, as preocupações, as brigas, os planos que não dependem de mim. Faz silêncio no meu coração, para que eu reconheça que tu és Deus e que estás aqui. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Salmo 46 em tempos de crise: o que ele promete e o que não promete

2 min de leituraO Salmo 46 foi escrito para as horas em que o chão parece sumir: notícia de guerra, uma tragédia na cidade, uma doença grave na família, o desemprego, uma casa que desmorona por dentro.

O Salmo 46 foi escrito para as horas em que o chão parece sumir: notícia de guerra, uma tragédia na cidade, uma doença grave na família, o desemprego, uma casa que desmorona por dentro. Ele é honesto: não diz que a terra não vai tremer nem que os montes vão ficar no lugar. Diz que, mesmo assim, Deus é refúgio, e que ele está “no meio” de quem confia nele.

Não é um escudo mágico. Rezar este salmo não impede catástrofes nem funciona como amuleto. O Catecismo chama de superstição atribuir a força de uma oração só às palavras ditas (CIC 2111). A promessa do salmo é outra: “O Senhor dos exércitos é conosco”. Ele não promete tirar ninguém do mundo que treme; promete não deixar ninguém sozinho dentro dele.

Rezar e agir. Confiar em Deus não dispensa fazer o que está ao nosso alcance: cuidar, ajudar, procurar quem pode resolver. O Catecismo diz que “A oração cristã é cooperação com a sua providência” (CIC 2738). O “Cessai” do verso 11 não manda cruzar os braços; manda parar de carregar sozinho o que só Deus pode carregar.

Para a noite que não acaba. Há problemas que não se resolvem hoje. Quando a cabeça não desliga, rezar devagar os versos 2, 8 e 11 é um jeito de entregar a Deus o que você não pode fazer até amanhã. O verso 6 lembra que ele socorre “desde o raiar da manhã”.

Pela paz. Os versos 9 e 10 fazem deste salmo uma oração pela paz entre os povos e dentro de casa. Reze-o pelos lugares em guerra, pela violência no seu bairro, pelas brigas na sua família.

Senhor dos exércitos, estás conosco mesmo quando o mundo treme. Olha para esta situação que eu não consigo resolver: dá-me coragem para fazer o que me cabe e paz para te entregar o resto. Faz cessar as guerras, as de longe e as de dentro de casa. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Como a Igreja reza o Salmo 46: Vésperas, Latrão e leitura orante

2 min de leituraNa Liturgia das Horas, o Salmo 46 (45 nos livros litúrgicos) é rezado nas Vésperas da sexta-feira da primeira semana do Saltério.

Nas Vésperas de sexta-feira. Na Liturgia das Horas, o Salmo 46 (45 nos livros litúrgicos) é rezado nas Vésperas da sexta-feira da primeira semana do Saltério. São João Paulo II o comentou na audiência geral de 16 de junho de 2004, dentro da sua série sobre os salmos das Vésperas.

Na festa da Dedicação da Basílica de Latrão. No dia 9 de novembro, a Igreja celebra a dedicação da catedral do Papa, em Roma, e canta este salmo na Missa. A primeira leitura é a visão de Ezequiel da água que sai do Templo e leva vida por onde passa (Ez 47,1-2.8-9.12), e o Evangelho mostra Jesus purificando o Templo e dizendo que levantaria em três dias o templo destruído, falando do seu próprio corpo (Jo 2,13-22). O verso 5, “O ímpeto do rio alegra a cidade de Deus”, encontra aí o seu eco.

Em leitura orante. 1. Leia o salmo inteiro em voz baixa. 2. Medite: pare num verso, talvez “Deus está no meio dela, ela não será comovida”, e pense no que está tremendo na sua vida. 3. Reze: conte isso a Deus, sem enfeitar. 4. Contemple: faça o que o verso 11 pede; cesse, fique em silêncio alguns minutos.

Antes das notícias. Um costume simples: antes de abrir o noticiário ou as redes, reze o verso 8, “O Senhor dos exércitos é conosco”. As notícias continuam as mesmas, mas você as lê de outro lugar.

Deus, que fazes jorrar do teu Templo a água que dá vida, faz da tua Igreja uma cidade de paz no meio do mundo agitado. Que eu reze com ela, de tarde e de manhã, e leve aos outros a calma que vem de ti. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

O Salmo 46 e Jesus

2 min de leituraO refrão “O Senhor dos exércitos é conosco” encontra o seu cumprimento em Jesus, o Emanuel, nome que quer dizer Deus conosco (Mt 1,23).

Deus conosco. O refrão “O Senhor dos exércitos é conosco” encontra o seu cumprimento em Jesus, o Emanuel, nome que quer dizer Deus conosco (Mt 1,23). João Paulo II fez justamente essa ligação ao comentar o salmo.

O Senhor das águas. As águas que rugem no verso 4 obedecem a Jesus: no meio da tempestade, no barco com os discípulos apavorados, ele mandou o vento e o mar se calarem, e veio uma grande calma (Mc 4,35-41).

O rio e o templo. Jesus prometeu que, de quem crê nele, correriam rios de água viva, e o Evangelho explica que ele falava do Espírito Santo (Jo 7,37-39). No fim da Bíblia, um rio que dá vida brota do trono onde estão Deus e o Cordeiro e atravessa a cidade santa (Ap 22,1-2). E o templo onde Deus mora no meio do seu povo é o próprio corpo de Cristo (Jo 2,21).

A ajuda ao amanhecer. Santo Ambrósio, citado por João Paulo II, leu o socorro “desde o raiar da manhã” (v. 6) como anúncio da ressurreição: “a ressurreição matutina obtém-nos o sustento da ajuda celeste”. Para ele, a paixão de Cristo se cumpriu ao anoitecer, e a ressurreição veio ao alvorecer. E, como lembrou João Paulo II, a tradição cristã cantou com este salmo a Cristo, “nossa paz” (Ef 2,14).

Senhor Jesus, Deus conosco, que acalmaste o mar e ressuscitaste ao amanhecer, entra no barco da minha vida quando a tempestade vier. Dá-me o teu Espírito, rio de água viva, e sê tu a minha paz. Amém.

Quem escreveu o Salmo 46, a numeração e a tradução

2 min de leituraO título atribui o salmo aos “filhos de Coré”, uma família de levitas que cantava os louvores do Senhor (2 Cr 20,19).

Os filhos de Coré. O título atribui o salmo aos “filhos de Coré”, uma família de levitas que cantava os louvores do Senhor (2 Cr 20,19). Vários salmos levam o nome deles. “Para os arcanos” é como a Vulgata traduz uma indicação musical do hebraico; a edição católica de 1950 da tradução de Figueiredo anota que os melhores intérpretes a entendiam como “para voz de soprano”.

Um salmo de todos os cristãos. O Salmo 46 é amado também pelos evangélicos, que o cantam em hinos muito conhecidos no Brasil. Católicos e evangélicos rezam, aqui, o mesmo salmo de confiança.

Dois números, o mesmo salmo. A numeração hebraica, seguida pela maioria das Bíblias atuais e pelas buscas na internet, chama este salmo de 46. A grega e latina, seguida pelo Padre Figueiredo e pelos livros litúrgicos, chama de 45, porque nela os Salmos 9 e 10 contam como um só. Também os versos podem mudar: Figueiredo conta o título como verso 1, como as Bíblias católicas atuais, e por isso o “Cessai” é o verso 11 aqui e nelas; nas Bíblias evangélicas, que não numeram o título, é o 10.

A tradução que você lê aqui. O texto é o do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, sacerdote português do século XVIII que traduziu a Bíblia inteira a partir da Vulgata latina. Nesta página o texto está em ortografia atualizada, com algumas palavras antigas trocadas pela forma atual, sem mudar o sentido; junto ao salmo, no início da página, você encontra também a grafia original da edição de 1866 (“Deos”, “comnosco”, “manhãa”…). No verso 4, o impresso de 1866 traz “Bramarão” sem acento, o que faria do verbo um futuro; lemos “Bramaram”, no passado, como pedem o latim e as outras edições. No livro, este é o Salmo XLV.

Perguntas

O que diz o Salmo 46?

O Salmo 46 diz que Deus é refúgio e força do seu povo quando tudo treme: a terra se abala, os montes caem no mar, as nações se agitam. No meio disso, um rio alegra a cidade de Deus, e Deus está no meio dela. O salmo termina com Deus acabando com as guerras e dizendo: “Cessai, e vede que eu sou o Deus”. O texto completo, na tradução católica do Padre Figueiredo, está no início desta página.

O que significa o Salmo 46,10, o “aquietai-vos”?

É o versículo que muitas Bíblias, sobretudo as evangélicas, traduzem com “aquietai-vos” e “sabei”; na tradução do Padre Figueiredo, que conta o título como verso 1, é o verso 11 (também nas Bíblias católicas atuais): “Cessai, e vede que eu sou o Deus”. O verbo do original quer dizer parar, largar, soltar as mãos. Como vem logo depois de Deus quebrar as armas, o sentido é parar de lutar com as próprias forças e reconhecer que Deus é Deus.

Para que serve o Salmo 46?

Serve para rezar com confiança em tempos de crise: guerra, tragédias, doença, problemas que não se resolvem hoje. Também é uma oração pela paz e um convite ao silêncio diante de Deus. Não é um amuleto contra catástrofes; é uma oração que lembra que Deus está conosco no meio delas.

Quem escreveu o Salmo 46?

O título o atribui aos “filhos de Coré”, uma família de levitas que cantava os louvores do Senhor no culto de Israel (2 Cr 20,19). Não sabemos o nome do autor de cada salmo desse grupo; o título indica a família de cantores à qual ele pertencia.

Por que algumas Bíblias chamam de Salmo 45?

Existem duas numerações dos Salmos. A hebraica, usada na maioria das Bíblias atuais, chama este salmo de 46. A grega e latina, seguida pela tradução do Padre Figueiredo e pelos livros litúrgicos, chama de 45, porque nela os Salmos 9 e 10 contam como um só. É o mesmo salmo; muitas edições trazem “Salmo 45(46)”. Se a sua Bíblia é a Ave-Maria, que usa a numeração antiga, procure o Salmo 45: lá, o “Salmo 46” é outro salmo, um hino que aclama Deus como rei.

Rezar o Salmo 46 protege de tragédias?

O salmo não promete que nada de ruim vai acontecer: ele mesmo fala da terra tremendo e das águas rugindo. Promete que Deus é refúgio e está conosco no meio disso. Usá-lo como amuleto seria superstição (CIC 2111). Rezá-lo com fé ajuda a atravessar a crise sem perder a paz e a fazer, com calma, o que está ao nosso alcance.