
Salmo
Salmo 91: o salmo da proteção de Deus
O salmo de quem habita à sombra do Altíssimo, na tradução católica do Padre Figueiredo
O Salmo 91 completo tem 16 versos e começa assim: “O que habita à sombra do Altíssimo, na proteção do Deus do céu descansará.” É a oração de quem entrega a própria vida nas mãos de Deus — a Igreja o reza todo domingo à noite, nas Completas — e deve ser rezado com confiança de filho, não como amuleto. Aqui no AngelGuard você lê o texto completo na tradução católica do Padre Antônio Pereira de Figueiredo e aprende a rezá-lo verso a verso.
Louvor de cântico de Davi.
1O que habita à sombra do Altíssimo, na proteção do Deus do céu descansará.
2Dirá ao Senhor: Tu és o meu amparador, e o meu refúgio: é o meu Deus, nele esperarei.
3Porque ele me livrou do laço dos caçadores, e da palavra áspera.
4Com as suas espáduas te fará sombra: e debaixo das suas asas esperarás.
5Com escudo te cercará a sua verdade: não terás temor de espanto noturno,
6de seta que voa de dia, de nenhuma coisa que ande em trevas: de assalto, nem de demônio do meio-dia.
7Cairão mil ao teu lado, e dez mil à tua déxtera: mas a ti não se chegará.
8Certamente com os teus olhos contemplarás: e verás a paga dos pecadores.
9Porque tu és, Senhor, a minha esperança: puseste por teu refúgio ao Altíssimo.
10Não se chegará a ti mal: e o flagelo não se aproximará à tua tenda.
11Porquanto mandou aos seus anjos acerca de ti: que te guardem em todos os teus caminhos.
12Eles te levarão nas suas mãos: para que não suceda que o teu pé tropece em pedra.
13Sobre o áspide, e basilisco andarás: e pisarás ao leão, e ao dragão.
14Porquanto em mim esperou, livrá-lo-ei: protegê-lo-ei, porquanto conheceu o meu nome.
15Clamará a mim, e eu o ouvirei: com ele estou na tribulação: livrá-lo-ei, e glorificá-lo-ei.
16Saciá-lo-ei com diuturnidade de dias: e mostrar-lhe-ei o meu Salvador.
Tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), segundo a Vulgata latina, onde este é o Salmo 90. Ortografia atualizada; texto do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público).
Texto original (grafia de 1866)
Louvor de Cantico de David.
1O que habita á sombra do Altissimo, na protecção do Deos do ceo descançará.
2Dirá ao Senhor: Tu és o meu amparador, e o meu refugio: he o meu Deos, nelle esperarei.
3Porque elle me livrou do laço dos caçadores, e da palavra aspera.
4Com as suas espadoas te fará sombra: e de baixo das suas azas esperarás.
5Com escudo te cercará a sua verdade: não terás temor de espanto nocturno,
6de setta que vôa de dia, de nenhuma cousa que ande em trévas: de assalto, nem de demonio do meio dia.
7Cahirão mil ao teu lado, e dez mil á tua dextera: mas a ti não se chegará.
8Certamente com os teus olhos contemplarás: e verás a paga dos peccadores.
9Porque tu és, Senhor, a minha esperança: pozeste por teu refugio ao Altissimo.
10Não se chegará a ti mal: e o flagello não se aproximará á tua tenda.
11Por quanto mandou aos seus anjos á cerca de ti: que te guardem em todos os teus caminhos.
12Elles te levarão nas suas mãos: para que não succeda que o teu pé tropece em pedra.
13Sobre o áspide, e basilisco andarás: e pizarás ao leão, e ao dragão.
14Por quanto em mim esperou, livrallo-hei: protejello-hei, por quanto conheceo o meu nome.
15Clamará a mim, e eu o ouvirei: com elle estou na tribulação: livrallo-hei, e glorificallo-hei.
16Saciallo-hei com diuturnidade de dias: e mostrar-lhe-hei o meu Salvador.
Paráfrase moderna
Paráfrase em português de hoje — escrita especialmente para esta página, para ajudar na leitura; não é uma tradução bíblica.
1Quem mora à sombra do Altíssimo descansa debaixo do cuidado do Deus do céu.
2Essa pessoa diz ao Senhor: “Tu me sustentas e me abrigas; tu és o meu Deus, e é em ti que eu espero.”
3Foi ele quem me soltou da armadilha dos caçadores e da palavra que fere.
4Ele cobre você com a sombra dos seus ombros; debaixo das asas dele você pode esperar tranquilo.
5A fidelidade dele é um escudo em volta de você; não tenha medo dos pavores da noite,
6nem da flecha que voa de dia, nem do que se move no escuro, nem do ataque de surpresa, nem do demônio do meio-dia.
7Podem cair mil ao seu lado e dez mil à sua direita: nada disso chegará até você.
8Você só vai ver com os próprios olhos como acaba o caminho de quem faz o mal.
9“Tu és, Senhor, a minha esperança”, você disse; e fez do Altíssimo o seu abrigo.
10O mal não vai alcançar você, e a desgraça não chegará perto da sua casa.
11Pois Deus mandou os seus anjos cuidarem de você, para que o protejam em todos os seus caminhos.
12Eles vão carregar você nas mãos, para que o seu pé não bata em nenhuma pedra.
13Você passará por cima da víbora e da serpente, e pisará o leão e o dragão.
14“Porque ele esperou em mim, eu o livrarei; eu o protegerei, porque conhece o meu nome.
15Ele vai me chamar, e eu vou responder; na hora da aflição, eu estou com ele; eu o livrarei e lhe darei glória.
16Vou saciá-lo com uma vida longa e lhe mostrar o meu Salvador.”
Aprofundar
Significado do Salmo 91, verso a verso
3 min de leituraO Salmo 91 tem duas vozes.
O Salmo 91 tem duas vozes. Nos versos 1 a 13 fala alguém que já aprendeu a confiar: primeiro em primeira pessoa (“Tu és o meu amparador, e o meu refúgio”, v. 2), depois dirigindo-se a outro fiel, como quem encoraja um irmão — por isso o texto passa a dizer “te” e “tu”. Nos versos 14 a 16 quem fala é o próprio Deus, respondendo: “livrá-lo-ei: protegê-lo-ei”. O salmo inteiro é, portanto, um diálogo de confiança, e não uma fórmula.
Versos 1–2: morar à sombra. O verbo decisivo é “habita”. A promessa não é para quem passa de vez em quando pela casa de Deus, mas para quem faz dela a sua morada. A “sombra do Altíssimo” é imagem de abrigo no calor do deserto. E a primeira resposta do fiel é uma profissão de fé: “é o meu Deus, nele esperarei”.
Versos 3–6: os perigos com nome. O salmista não finge que o perigo não existe. Ele nomeia o “laço dos caçadores” (as armadilhas preparadas por outros), a “palavra áspera” (a calúnia, a palavra que fere), o “espanto noturno”, a “seta que voa de dia”, o que “ande em trevas” e o “demônio do meio-dia”. É o mapa inteiro do medo humano: de noite e de dia, o que vem de fora e o que vem de dentro. A proteção de Deus é descrita com imagens de ternura (“debaixo das suas asas esperarás”) e de firmeza (“Com escudo te cercará a sua verdade”). Repare: o escudo é a verdade de Deus, isto é, a sua fidelidade às promessas.
Versos 7–10: no meio da multidão que cai. “Cairão mil ao teu lado, e dez mil à tua déxtera” não é uma estatística de imunidade. É a linguagem poética de quem atravessa uma calamidade sem perder a paz, porque sabe em quem está apoiado. O verso 9 repete a razão de tudo: “puseste por teu refúgio ao Altíssimo”.
Versos 11–13: os anjos. “Mandou aos seus anjos acerca de ti: que te guardem em todos os teus caminhos.” Os versos 11 e 12 são os que o demônio citou a Jesus no deserto (Mt 4,6; Lc 4,10–11) — tirando-os do contexto para desafiar Deus. O áspide, o basilisco, o leão e o dragão do verso 13 resumem todas as forças do mal; à luz do Evangelho, o cristão reconhece neles a vitória de Cristo sobre o inimigo.
Versos 14–16: Deus responde. A última palavra é de Deus, e ela explica a quem a promessa se dirige: a quem “em mim esperou” e “conheceu o meu nome”. Deus não promete ausência de tribulação; promete presença dentro dela: “com ele estou na tribulação”. E o salmo termina apontando para além desta vida: “mostrar-lhe-ei o meu Salvador”. Para o cristão, esse Salvador tem rosto e nome: Jesus.
Senhor Deus Altíssimo, que acolhes à tua sombra quem se refugia em ti, ensina-me a morar na tua presença e não apenas a te procurar na hora do medo. Cobre-me com as tuas asas, livra-me das armadilhas e da palavra que fere, e faz que eu te reconheça presente em toda tribulação. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Salmo 91 para proteção: confiança, não amuleto
3 min de leituraMuita gente procura o “salmo 91 para proteção” num momento de medo: um exame, uma viagem, um filho na rua à noite, uma doença na família.
Muita gente procura o “salmo 91 para proteção” num momento de medo: um exame, uma viagem, um filho na rua à noite, uma doença na família. Esse desejo é bom — o próprio salmo foi escrito para ele. Mas é importante dizer com honestidade o que o Salmo 91 é e o que ele não é.
O Salmo 91 não é uma senha que obriga Deus a agir, nem um objeto que protege por si mesmo. O Catecismo da Igreja Católica chama de superstição atribuir às orações uma eficácia que dependa só da sua recitação exterior, sem as disposições interiores que elas pedem (CCC 2111). E lembra que usar amuletos é repreensível (CCC 2117). Achar que rezá-lo sete vezes “garante” o resultado, ou que o papel com o salmo guardado na carteira ou a Bíblia aberta nessa página protegem por si mesmos, muda o sentido da oração: em vez de confiar em Deus, passa-se a confiar na fórmula.
O próprio Evangelho mostra o risco. No deserto, o demônio levou Jesus ao alto do Templo e citou exatamente os versos 11 e 12 deste salmo: se és Filho de Deus, joga-te daqui, porque os anjos vão te segurar. Jesus respondeu com outra palavra da Escritura: “Não tentarás ao Senhor teu Deus” (Lc 4,12). O Catecismo comenta essa cena: tentar a Deus é pôr à prova a sua bondade e o seu poder, forçando-o a agir, e isso fere a confiança que devemos ao Criador (CCC 2119). Usar o Salmo 91 como garantia contra todo mal é repetir, sem querer, a leitura que o tentador fez.
O caminho católico é outro: rezar o salmo como Jesus viveu a confiança no Pai — entregando a vida, os medos e as pessoas amadas nas mãos de Deus, e aceitando que a sua proteção é maior do que a nossa ideia de proteção. Deixar a Bíblia aberta em casa pode ser um belo sinal de que a Palavra de Deus tem lugar no lar; o que protege, porém, é o Deus a quem ela nos leva, não a página aberta.
Confiar em Deus também não dispensa a prudência. Durante a pandemia, muita gente leu o verso 7 (“Cairão mil ao teu lado…”) como promessa de imunidade; não é isso que ele diz. Rezar o Salmo 91 não substitui o tratamento médico, o cuidado no trânsito ou o pedido de ajuda a quem pode proteger você — numa situação de violência, procure ajuda sem demora. Deus costuma nos proteger justamente por meio desses cuidados e dessas pessoas.
Pai de bondade, eu te entrego o meu medo e as pessoas que amo. Não quero te pôr à prova nem exigir sinais; quero confiar em ti como Jesus confiou. Guarda-nos de todo mal, segundo a tua vontade, e, se vier a tribulação, fica conosco dentro dela. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Quando rezar o Salmo 91
2 min de leituraÀ noite, antes de dormir.
À noite, antes de dormir. É o uso mais antigo e mais próprio deste salmo. Os monges de São Bento o rezavam todas as noites, e a Igreja ainda hoje o reza nas Completas do domingo, a oração que fecha o dia. O “espanto noturno” do verso 5 ganha sentido concreto: entregar a Deus a noite, o sono, a casa e os que dormem nela.
Em perigo ou diante do desconhecido. Antes de uma cirurgia, de uma viagem, de uma entrevista, durante uma crise. Não para “fechar o corpo”, mas para lembrar a quem você pertence.
Em tempo de tentação e desânimo. Os antigos monges chamavam de “demônio do meio-dia” a acídia, aquele desânimo espiritual que chega no meio da jornada e tira o gosto pelas coisas de Deus. Quando rezar parecer inútil, este salmo é um remédio.
Pelos outros. Como boa parte do salmo fala a um “tu”, é natural rezá-lo pensando em alguém: um filho, o esposo, um doente, um amigo em perigo. Leia devagar e, a cada verso, coloque essa pessoa diante de Deus.
Na Quaresma. O salmo acompanha a Igreja no primeiro domingo da Quaresma, quando se lê o Evangelho das tentações de Jesus no deserto.
Senhor, ao terminar este dia eu me coloco debaixo das tuas asas. Guarda esta casa e todos os que nela descansam; afasta os medos da noite e dá-nos um sono tranquilo, para que amanhã te sirvamos com alegria. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
O que a Igreja ensina sobre o Salmo 91 e a proteção de Deus
2 min de leituraOs Salmos são oração de Cristo e da Igreja.
Os Salmos são oração de Cristo e da Igreja. O Catecismo chama o Saltério de obra-prima da oração no Antigo Testamento (CCC 2585) e o livro em que a Palavra de Deus se torna oração do homem (CCC 2587). Rezados por Cristo e nele cumpridos, os salmos continuam essenciais para a oração da Igreja (CCC 2586) e servem para pessoas de toda condição e de todo tempo (CCC 2597). Por isso a Igreja lê o Salmo 91 à luz de Jesus: ele é o justo que habitou plenamente à sombra do Pai.
A providência é concreta. A Escritura é unânime: Deus cuida de tudo, das menores coisas aos grandes acontecimentos (CCC 303), e Jesus pede um abandono de filho à providência do Pai (CCC 305). O Salmo 91 é a oração desse abandono.
Os anjos são reais. “Mandou aos seus anjos acerca de ti”: a existência dos anjos é uma verdade de fé (CCC 328), e a Igreja ensina que, da infância até a morte, a vida humana é cercada pela guarda e pela intercessão dos anjos, e que ao lado de cada fiel está um anjo como protetor e pastor (CCC 336).
E quando o mal acontece? Esta é a pergunta honesta de quem reza o salmo e mesmo assim passa por sofrimento. O Catecismo não oferece resposta fácil: só a fé cristã como um todo responde à pergunta do mal (CCC 309), e Deus não permitiria um mal se dele não tirasse um bem, por caminhos que só conheceremos plenamente na vida eterna (CCC 324). Sobre a oração que parece não ser ouvida, o Catecismo convida a perguntar que imagem de Deus move a nossa oração — um instrumento a ser usado ou o Pai de Jesus Cristo (CCC 2735). O verso 15 já dizia: Deus não promete que não haverá tribulação, mas que estará conosco nela.
Deus fiel, cuja verdade é escudo para quem espera em ti, aumenta a minha fé quando não entendo os teus caminhos. Que eu não te procure como um instrumento, mas como Pai; e que, na alegria e na dor, eu nunca deixe de habitar à tua sombra. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Como rezar o Salmo 91: Liturgia das Horas e leitura orante
2 min de leituraNas Completas de domingo.
Nas Completas de domingo. Na Liturgia das Horas, o Salmo 91 (que os livros litúrgicos numeram como Salmo 90) é o salmo das Completas depois das II Vésperas do domingo — a última oração do dia do Senhor. As Completas terminam com uma antífona a Nossa Senhora, como a Salve Rainha: o dia se fecha entregando-se a Deus e confiando-se à Mãe de Jesus. Rezar este salmo no domingo à noite é unir-se à oração de toda a Igreja.
Em leitura orante (lectio divina). O Catecismo lembra que a leitura orante nasce da própria liturgia: a Palavra de Deus é lida e meditada até se tornar oração (CCC 1177). Um jeito simples:
1. Leia o salmo inteiro devagar, em voz baixa. 2. Medite: escolha um verso que tocou você — por exemplo, “é o meu Deus, nele esperarei” — e pergunte o que Deus lhe diz hoje com ele. 3. Reze: responda a Deus com as suas palavras, apresentando os seus medos concretos. 4. Contemple: fique alguns momentos em silêncio, apenas descansando “à sombra do Altíssimo”.
Rezando com o corpo. Uma sugestão: reze o verso 2 lentamente, no ritmo da respiração: “Tu és o meu amparador” ao inspirar, “nele esperarei” ao expirar. Não é técnica mágica, apenas um modo de deixar a Palavra descer do pensamento para o coração.
Senhor, que a tua Palavra não fique só nos meus lábios. Enquanto rezo este salmo, abre o meu coração para ouvir o que me dizes hoje e dá-me a paz de quem descansa em ti. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
O Salmo 91 na história da Igreja
2 min de leituraA oração da noite dos monges.
A oração da noite dos monges. Na Regra de São Bento (século VI), capítulo 18, as Completas repetem todos os dias os mesmos salmos: 4, 90 e 133, na numeração latina. Durante séculos, portanto, comunidades inteiras de monges adormeceram com as palavras deste salmo.
O salmo da Quaresma. Na forma antiga da Missa romana, o primeiro domingo da Quaresma tem como trato o canto Qui habitat, que reúne quase todo o salmo (versos 1–7 e 11–16 da Vulgata) e é um dos cantos mais longos do repertório gregoriano. No Lecionário atual, o salmo é o responsorial do primeiro domingo da Quaresma do Ano C, quando se lê o relato das tentações segundo São Lucas (Lc 4,1–13). E, em todos os anos, a antífona de entrada da Missa desse domingo vem do próprio salmo: “Clamará a mim, e eu o ouvirei…” (versos 15–16). A Igreja, assim, põe este salmo exatamente onde o tentador tentou distorcê-lo.
O “demônio do meio-dia”. João Cassiano, mestre dos monges no século V, conta que alguns anciãos identificavam a acídia com o “demônio do meio-dia” do Salmo 90 (Instituições cenobíticas, livro X, cap. 1). O Catecismo também fala da acídia como tentação na vida de oração, uma forma de desânimo por falta de vigilância (CCC 2733).
A tradução que você lê aqui. O texto desta página é o do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, sacerdote português que traduziu a Bíblia inteira a partir da Vulgata latina no século XVIII. Nesta página o texto está em grafia atualizada, sem mudar as palavras; logo abaixo você encontra também a grafia original da edição de 1866 (“Deos”, “he”, “livrallo-hei”…). Como a tradução segue a numeração latina, no livro este é o Salmo XC.
Perguntas
Qual é o Salmo 91 completo?
O Salmo 91 tem 16 versos. Começa com “O que habita à sombra do Altíssimo, na proteção do Deus do céu descansará” e termina com a promessa de Deus: “Saciá-lo-ei com diuturnidade de dias: e mostrar-lhe-ei o meu Salvador.” O texto completo, na tradução católica do Padre Figueiredo, está no início desta página, seguido de uma paráfrase em português de hoje.
Para que serve o Salmo 91?
O Salmo 91 serve para entregar a vida a Deus com confiança, especialmente à noite, em perigo, em doença ou em tempo de tentação. Ele ensina a fazer de Deus a nossa morada e lembra que Deus está conosco na tribulação. Não é uma fórmula que funciona sozinha: o que protege é Deus, a quem o salmo nos leva.
O Salmo 91 é uma oração forte?
É uma oração poderosa porque é Palavra de Deus e nos leva a confiar nele, não porque funcione sozinha. A força está em Deus, a quem o salmo se dirige, e na fé de quem reza. Repetir o salmo como fórmula para garantir um resultado seria superstição (CCC 2111).
Quem reza o Salmo 91 nunca passa por nenhum mal?
Não é isso que o salmo promete. O próprio Deus diz no verso 15: “com ele estou na tribulação” — a tribulação continua possível, mas o fiel não a atravessa sozinho. Jesus, o justo por excelência, também sofreu. A Igreja ensina que Deus pode tirar um bem até do mal que permite (CCC 324) e que confiar nele não é exigir provas (CCC 2119).
Posso deixar a Bíblia aberta no Salmo 91 em casa?
Pode, como sinal de que a Palavra de Deus tem lugar na sua casa e como lembrete para rezar. O que não se deve é tratar a página aberta como um amuleto que protege por si mesmo; o Catecismo chama isso de superstição (CCC 2111, 2117). Melhor ainda do que deixar aberta é rezar o salmo, sozinho ou em família.
Por que algumas Bíblias chamam de Salmo 90?
Existem duas numerações dos Salmos. A hebraica, usada na maioria das Bíblias modernas e nas buscas, chama este salmo de 91. A grega e latina, seguida pelas traduções feitas da Vulgata (como a do Padre Figueiredo), por várias Bíblias católicas e pelos livros litúrgicos, chama de 90, porque nela os Salmos 9 e 10 contam como um só. É o mesmo salmo; muitas edições trazem os dois números, como “Salmo 90(91)”.
Qual a melhor hora para rezar o Salmo 91?
Qualquer hora é boa, mas a tradição da Igreja o reza à noite: é o salmo das Completas de domingo na Liturgia das Horas e foi, por séculos, o salmo de todas as noites nos mosteiros beneditinos. Rezá-lo antes de dormir é uma forma simples de entregar a Deus o dia que termina.


