Oração de São Miguel Arcanjo

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Oração de São Miguel Arcanjo: texto completo, origem e significado

A oração do Papa Leão XIII pedindo a defesa do Arcanjo, no texto rezado no Brasil, com a história e o sentido de cada frase

A oração de São Miguel Arcanjo é a súplica curta que o Papa Leão XIII acrescentou em 1886 às orações rezadas depois da missa: “São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate. Sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio…”. Qualquer fiel pode rezá-la, porque ela pede a proteção de Deus pela intercessão do Arcanjo, sem dar ordens ao demônio. No AngelGuard você reza o texto completo e encontra, logo abaixo, a origem e o sentido de cada frase.

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate.

Sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio.

Que Deus manifeste o seu poder sobre ele. Eis a nossa humilde súplica.

E vós, Príncipe da Milícia Celeste, com o poder que Deus vos conferiu,

precipitai no inferno Satanás e os outros espíritos malignos,

que andam pelo mundo tentando as almas. Amém.

Oração a São Miguel Arcanjo como a publica a Arquidiocese de Pouso Alegre (arquidiocesepa.org.br, 05/05/2023), idêntica ao texto de Vatican News em português; oração tradicional, de domínio público.

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De onde vem a oração: o Papa Leão XIII, 1884 e 1886

2 min de leituraEm 6 de janeiro de 1884, o Papa Leão XIII mandou que, no fim de toda missa rezada sem canto, o padre e o povo rezassem de joelhos algumas orações: três Ave-Marias, a Salve Rainha e uma oração pela Igreja.

Em 6 de janeiro de 1884, o Papa Leão XIII mandou que, no fim de toda missa rezada sem canto, o padre e o povo rezassem de joelhos algumas orações: três Ave-Marias, a Salve Rainha e uma oração pela Igreja. Eram anos difíceis para a Santa Sé, que em 1870 tinha perdido Roma, o que restava dos Estados Pontifícios. Em 1886 o Papa revisou esse conjunto e acrescentou a ele a oração a São Miguel Arcanjo. Ficaram conhecidas como “orações leoninas”, e durante quase oitenta anos os católicos do mundo inteiro, também no Brasil, rezaram São Miguel no fim da missa.

Em 1930, depois que o Tratado de Latrão resolveu a chamada questão romana, Pio XI pediu que essas orações passassem a ser oferecidas pela liberdade de professar a fé na Rússia. A reforma litúrgica que se seguiu ao Concílio Vaticano II as tirou do fim da missa: a instrução Inter Oecumenici, de 26 de setembro de 1964, determina no número 48 que as orações leoninas ficam suprimidas, com efeito a partir de 7 de março de 1965.

A oração, porém, não saiu da vida da Igreja. Em 24 de abril de 1994, no Regina Caeli, São João Paulo II lembrou que ela já não se rezava no fim da missa e convidou todos a não esquecê-la, mas a rezá-la para obter ajuda no combate contra as forças das trevas e contra o espírito deste mundo. Em setembro de 2018, o Papa Francisco pediu que, durante todo o mês de outubro, os fiéis terminassem o terço com a antiga antífona “À vossa proteção” e com esta oração a São Miguel, pela Igreja.

E a visão de Leão XIII? Conta-se que, logo depois de celebrar uma missa, o Papa ficou alguns minutos imóvel, como quem vê algo terrível, e em seguida escreveu a oração. O Vatican News em português repete a história e a situa em 13 de outubro de 1884. Os estudiosos, porém, observam que os primeiros relatos impressos apareceram décadas depois, que a data muda de uma versão para outra e que a oração só entrou nas orações depois da missa em 1886. É uma tradição piedosa, não um fato documentado. A oração não depende dela: vale pelo que pede.

A oração curta, a forma longa e o exorcismo

2 min de leituraMuita gente chama esta oração de “pequeno exorcismo”.

Muita gente chama esta oração de “pequeno exorcismo”. O apelido é popular, mas mistura duas coisas diferentes. A oração que você reza acima é uma súplica: ela se dirige a São Miguel e pede que Deus manifeste o seu poder. Quem reza não fala com o demônio nem lhe dá ordens. Até o pedido mais forte, “precipitai no inferno Satanás”, é dirigido ao Arcanjo, e ele age “com o poder que Deus vos conferiu”, não com um poder de quem reza.

Em 1890, Leão XIII publicou também um texto muito mais longo, um exorcismo contra Satanás e os anjos rebeldes, destinado aos bispos e aos padres autorizados. Esse texto começa com uma longa invocação a São Miguel e continua com as fórmulas de exorcismo propriamente ditas. Em 29 de setembro de 1985, a Congregação para a Doutrina da Fé lembrou aos bispos que os fiéis não podem usar a fórmula de exorcismo tirada desse texto de Leão XIII, e muito menos o texto integral, e pediu que os pastores alertassem o povo quando fosse preciso.

O Catecismo explica o motivo: o exorcismo solene, chamado “grande exorcismo”, só pode ser feito por um sacerdote com licença do bispo, com prudência e segundo as normas da Igreja; e, antes dele, é preciso verificar se não se trata de uma doença, sobretudo psíquica, cujo tratamento cabe à medicina (Catecismo da Igreja Católica, CIC 1673; ver também o Código de Direito Canônico, cân. 1172, que exige licença especial e expressa do bispo). Por isso esta página traz apenas a oração curta, que é para todos, e não reproduz as fórmulas reservadas.

A mesma carta de 1985 faz questão de dizer que essas normas não devem afastar ninguém de pedir, como Jesus ensinou no Pai Nosso, para ser livre do mal, e recorda o lugar dos sacramentos e da intercessão de Nossa Senhora, dos anjos e dos santos no combate espiritual do cristão. É exatamente esse o lugar da oração a São Miguel: um pedido humilde, feito na Igreja.

O que diz cada frase da oração de São Miguel

2 min de leitura“São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate.”

“São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate.” O combate é a luta espiritual de todo cristão, de que São Paulo fala na Carta aos Efésios (Ef 6,10-18), e não só os casos extraordinários. Ela acontece na tentação, no desânimo, na mentira em que a gente começa a acreditar. O pedido está no plural: mesmo quem reza sozinho reza como Igreja, por si e pelos outros.

“Sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio.” O latim fala em nequitia e insidiae, a maldade e as armadilhas. O inimigo trabalha mais pelo engano do que pela força: Jesus o chama de pai da mentira (Jo 8,44; CIC 392). Refúgio é o lugar para onde se corre quando a gente percebe a armadilha tarde.

“Que Deus manifeste o seu poder sobre ele. Eis a nossa humilde súplica.” É o coração da oração. O latim diz, ao pé da letra, que Deus lhe dê ordens, e que nós o pedimos como suplicantes. Na Carta de Judas, o próprio Miguel, ao disputar com o diabo, “não se atreveu a fulminar-lhe sentença de blasfemo: mas disse: Mande-te o Senhor” (Jd 9, na tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo). O latim da oração, Imperet illi Deus, faz o mesmo: quem manda é Deus; a nós cabe pedir.

“E vós, Príncipe da Milícia Celeste, com o poder que Deus vos conferiu,” Milícia celeste é o exército do céu (cf. Lc 2,13). O livro de Daniel chama Miguel de um dos primeiros príncipes e de grande príncipe que protege o povo (Dn 10,13; 12,1). O poder dele é recebido: Satanás é uma criatura, e o seu poder não é infinito (CIC 395).

“precipitai no inferno Satanás e os outros espíritos malignos,” A imagem vem do Apocalipse, em que Miguel e os seus anjos combatem o dragão, que é lançado por terra com os seus anjos (Ap 12,7-9). A Igreja ensina que esses espíritos foram criados bons por Deus e se fizeram maus por escolha própria (CIC 391–392).

“que andam pelo mundo tentando as almas. Amém.” O latim diz ad perditionem animarum, para a perdição das almas, e por isso a versão mais antiga traduz “para perder as almas”. É a mesma ideia da Primeira Carta de Pedro, que pede vigilância porque o adversário ronda procurando a quem devorar (1Pd 5,8). O “Amém” fecha tudo com confiança: assim seja.

Quem é São Miguel e o que a Igreja ensina sobre os anjos

2 min de leituraA existência dos anjos é uma verdade de fé, testemunhada pela Escritura e pela Tradição (CIC 328).

A existência dos anjos é uma verdade de fé, testemunhada pela Escritura e pela Tradição (CIC 328). “Anjo” é nome de ofício, não de natureza, lembra o Catecismo citando Santo Agostinho: pelo que são, são espíritos; pelo que fazem, são mensageiros (CIC 329). São criaturas pessoais e imortais, com inteligência e vontade (CIC 330), e pertencem a Cristo, centro do mundo dos anjos (CIC 331). Na liturgia, a Igreja celebra de modo especial a memória de São Miguel, São Gabriel, São Rafael e dos Anjos da Guarda (CIC 335).

Miguel aparece pelo nome cinco vezes na Bíblia, em três livros: em Daniel (10,13; 10,21; 12,1), na Carta de Judas (v. 9) e no Apocalipse (12,7). O nome, em hebraico, é uma pergunta: “Quem é como Deus?”. E a pergunta já traz a resposta: ninguém. Toda a devoção a São Miguel cabe nesse nome, porque ele não aponta para si, aponta para Deus.

Sobre o demônio, a Igreja é sóbria. Ele foi criado como anjo bom e se fez mau por uma recusa livre e irrevogável de Deus (CIC 391–392). Seu poder é real, mas limitado: é uma criatura, incapaz de impedir a edificação do Reino de Deus (CIC 395). No Pai Nosso, “livrai-nos do mal” pede a libertação de uma pessoa, o Maligno, e de todos os males de que ele é autor ou instigador (CIC 2851, 2854). Rezar a São Miguel, portanto, não é imaginar uma luta entre duas forças iguais. O Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia (2001, n. 217) adverte contra ler cada contratempo da vida como obra do demônio e cada acerto como obra dos anjos.

Quando é a festa de São Miguel? Em 29 de setembro, dia em que a Igreja celebra juntos os arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael. Três dias depois, em 2 de outubro, vem a memória dos Santos Anjos da Guarda.

Quando e como rezar a oração de São Miguel

2 min de leituraNão há hora obrigatória.

Não há hora obrigatória. Muita gente reza São Miguel no fim do terço, como o Papa Francisco pediu em outubro de 2018; outros, ao acordar, ao sair de casa ou antes de dormir. Ela cabe bem num momento de tentação, antes de uma conversa difícil, quando o medo aperta de madrugada ou quando você reza por alguém que está longe de Deus. Em setembro, ela acompanha a novena de São Miguel Arcanjo, de 20 a 28, e a Quaresma de São Miguel, de 15 de agosto a 28 de setembro.

O jeito de rezar é simples. Faça o sinal da cruz. Diga a Deus, em poucas palavras, por quem ou pelo que você está pedindo. Reze a oração devagar, frase por frase, sem pressa de chegar ao fim, e termine com um Glória ao Pai. Quem já sabe de cor pode prestar atenção a uma palavra diferente a cada dia. Em família, um reza a primeira metade e todos respondem a segunda.

Uma coisa ela não é: um amuleto. Não existe “oração forte que nunca falha”, nem oração “fechada” que obriga Deus a agir. O Catecismo chama de superstição atribuir a eficácia de uma oração apenas às palavras pronunciadas, sem as disposições do coração que ela pede (CIC 2111), e reprova o uso de amuletos (CIC 2117). Guardar o santinho na carteira como lembrança é bom; tratá-lo como talismã, não. A força está em quem é invocado, não na fórmula.

Senhor Deus, que confiastes a São Miguel Arcanjo a defesa do vosso povo, guardai hoje a mim e aos que eu amo. Livrai-nos da mentira, do desânimo e de tudo o que nos afasta de vós. Pela intercessão do Arcanjo, dai-nos um coração firme e humilde, que confie mais no vosso poder do que no próprio medo. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Se você ou alguém próximo vive um medo que não passa, ou sinais que parecem espirituais mas podem ser de saúde, procure um padre da sua paróquia e também um médico. A Igreja pede as duas coisas (CIC 1673).

As duas versões rezadas no Brasil e o texto em latim

2 min de leituraNo Brasil circulam duas traduções da mesma oração.

No Brasil circulam duas traduções da mesma oração. A que está no alto desta página é a publicada pelo Vatican News em português e por muitas dioceses brasileiras, e foi a usada no pedido do Papa Francisco em 2018. A outra, mais antiga e mais próxima do latim, ainda é rezada em muitas paróquias e santuários, como a Basílica São Miguel Arcanjo:

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede o nosso refúgio contra as maldades e as ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno a satanás e a todos os espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém.

As diferenças são de tradução. “Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos” segue de perto o latim Imperet illi Deus, supplices deprecamur; “Que Deus manifeste o seu poder sobre ele. Eis a nossa humilde súplica” diz o mesmo em português de hoje. “Para perder as almas” traduz ao pé da letra; “tentando as almas” descreve o modo como isso acontece. A doutrina é a mesma, e você pode rezar a que aprendeu.

Para quem gosta de rezar na língua em que Leão XIII a escreveu, este é o texto latino:

Sancte Michaël archangele, defende nos in prælio; contra nequitiam et insidias diaboli esto præsidium. Imperet illi Deus, supplices deprecamur, tuque, princeps militiæ cælestis, Satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute in infernum detrude. Amen.

Perguntas

Qual é a oração de São Miguel Arcanjo completa?

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate. Sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio. Que Deus manifeste o seu poder sobre ele. Eis a nossa humilde súplica. E vós, Príncipe da Milícia Celeste, com o poder que Deus vos conferiu, precipitai no inferno Satanás e os outros espíritos malignos, que andam pelo mundo tentando as almas. Amém. Existe também uma forma longa, que começa com “Gloriosíssimo Príncipe da milícia celeste…”: ela vem da abertura do exorcismo publicado por Leão XIII em 1890, e as fórmulas de exorcismo desse texto são reservadas aos sacerdotes autorizados (carta da Congregação para a Doutrina da Fé, 1985).

Quem escreveu a oração de São Miguel Arcanjo?

O Papa Leão XIII. Em 1886 ele a acrescentou às orações que mandara rezar depois da missa em 1884. Ela foi rezada no fim da missa até 1965, quando essas orações foram suprimidas pela reforma litúrgica, e São João Paulo II pediu em 1994 que os fiéis não a esquecessem.

A oração de São Miguel é um exorcismo? Leigo pode rezar?

Qualquer fiel pode rezar a oração curta de São Miguel: ela é uma súplica a Deus e ao Arcanjo, não uma ordem ao demônio. O exorcismo é outra coisa. O texto longo de exorcismo publicado por Leão XIII em 1890 é reservado; a Congregação para a Doutrina da Fé lembrou em 1985 que os fiéis não podem usar essa fórmula, e o exorcismo solene só é feito por um sacerdote com licença expressa do bispo (Catecismo da Igreja Católica, CIC 1673; Código de Direito Canônico, cân. 1172).

Quando rezar a oração de São Miguel Arcanjo?

A qualquer hora. É comum rezá-la no fim do terço, de manhã, antes de dormir ou num momento de tentação e de medo. Em setembro, muitos a rezam na novena de 20 a 28 e na festa dos arcanjos, em 29 de setembro.

Por que existem duas versões da oração de São Miguel?

São duas traduções do mesmo texto latino. A mais antiga diz “Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos” e “para perder as almas”; a mais recente, usada pelo Vatican News em português, diz “Que Deus manifeste o seu poder sobre ele. Eis a nossa humilde súplica” e “tentando as almas”. As duas são a mesma oração.

A oração de São Miguel é garantida? É uma oração que nunca falha?

Nenhuma oração funciona como fórmula mágica, e a Igreja chama de superstição atribuir a eficácia de uma oração só às palavras ditas (CIC 2111). A oração de São Miguel é um pedido confiante: Deus sempre escuta, e responde do modo que sabe ser melhor para nós.