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Oração de libertação: como pedir a Deus que nos livre do mal
Uma oração de libertação católica, dirigida a Jesus, a oração por outra pessoa e o que a Igreja ensina sobre libertação, exorcismo, medo e doença
Uma oração de libertação é um pedido a Deus para que nos livre do mal, como Jesus ensinou no Pai Nosso: “mas livrai-nos do Mal”. Ela não dá ordens a espíritos e não é exorcismo, que a Igreja reserva ao padre autorizado pelo bispo. Pode ser curta: “Senhor Jesus, livrai-me de todo mal, perdoai os meus pecados e guardai-me em vós. Nossa Senhora e São Miguel Arcanjo, rogai por mim. Amém.” No AngelGuard você encontra abaixo a oração completa, uma oração de libertação por outra pessoa e o que a Igreja ensina sobre libertação, exorcismo e discernimento.
Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus vivo,
eu venho a vós como estou (diga a ele o que pesa sobre você)
Vós vencestes o mal na cruz,
e nada é mais forte do que o vosso amor.
Livrai-me de todo mal, no corpo e na alma,
de tudo o que me afasta de vós
e de toda ação do Maligno sobre a minha vida.
Perdoai os meus pecados, que me prendem mais do que qualquer medo,
e dai-me a graça de uma boa confissão.
Renovo as promessas do meu Batismo:
renuncio ao pecado e a Satanás, e creio em vós.
Curai as feridas que o medo deixou em mim,
guardai a minha mente e o meu coração
e enchei a minha casa com a vossa paz.
Nossa Senhora, mãe de Jesus, rogai por mim.
São Miguel Arcanjo, defendei-me no combate.
Meu santo anjo da guarda, guardai-me nos caminhos de Deus.
Senhor, eu confio em vós: livrai-nos do mal.
Amém.
Texto AngelGuard: uma súplica a Jesus Cristo para ser livre do mal, com a intercessão de Nossa Senhora, de São Miguel e do anjo da guarda.
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O que é uma oração de libertação (e o que ela não é)
2 min de leituraToda vez que você reza o Pai Nosso, já faz uma oração de libertação.
Toda vez que você reza o Pai Nosso, já faz uma oração de libertação. O último pedido, “mas livrai-nos do Mal”, foi ensinado pelo próprio Jesus. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) explica que, nesse pedido, o mal não é uma ideia abstrata: designa o Maligno, e ao pedirmos para ser libertados dele pedimos também para ser livres de todos os males, passados, presentes e futuros, de que ele é autor ou instigador (CIC 2851, 2854). O pedido tem raiz na oração de Jesus pelos discípulos: “Eu não peço que os tires do mundo, mas sim que os guardes do mal” (Jo 17,15, na tradução do Padre Figueiredo).
A libertação começa no Batismo. O Catecismo lembra que o Batismo significa a libertação do pecado e do diabo, e que nele o candidato renuncia expressamente a Satanás (CIC 1237). Rezar por libertação é, no fundo, voltar a esse dia: renovar a escolha por Cristo e pedir que ele guarde o que começou.
Uma oração de libertação católica pede; não manda. Ela se dirige a Deus, a Jesus, a Nossa Senhora e aos santos, e pede que o Senhor nos livre do mal. Não fala com demônios, não lhes dá ordens e não tenta descobrir quem são. A Carta de Judas conta que nem o arcanjo Miguel, disputando com o diabo, “se atreveu a fulminar-lhe sentença”, mas disse: “Mande-te o Senhor” (Jd 9). Quem manda é Deus. Nos Evangelhos, é Jesus quem diz “Vai-te Satanás” (Mt 4,10); nós, discípulos, pedimos ao Pai em nome dele.
Por isso esta página não traz orações que circulam com frases como “eu te ordeno” ou “quebro toda maldição”. Não é implicância: segue a prudência que a Igreja pede aos fiéis diante da libertação, como você vai ver no capítulo sobre libertação e exorcismo.
A oração de libertação, frase por frase
2 min de leituraA oração no alto da página pode ser rezada de manhã, à noite ou num momento de angústia.
A oração no alto da página pode ser rezada de manhã, à noite ou num momento de angústia. Reze devagar. Onde houver o parêntese, diga a Jesus, com as suas palavras, o que está pesando: um medo, uma tentação que volta, um ambiente pesado, uma culpa.
“Vós vencestes o mal na cruz.” É o ponto de partida. A vitória sobre o “príncipe deste mundo” foi alcançada de uma vez para sempre na hora em que Jesus se entregou à morte por nós (CIC 2853). Não rezamos para ganhar uma batalha incerta; rezamos para viver dentro de uma vitória que já é de Cristo.
“Perdoai os meus pecados, que me prendem mais do que qualquer medo.” O que mais nos escraviza é o pecado. Jesus disse: “todo o que comete pecado, é escravo do pecado” e, logo depois, “se o Filho vos livrar, sereis verdadeiramente livres” (Jo 8,34.36). Por isso a oração pede a graça de uma boa confissão: a Confissão é o primeiro lugar da libertação.
“Renovo as promessas do meu Batismo.” Renunciar a Satanás não é falar com ele: é dizer a Deus de que lado você está, como no dia do seu Batismo.
“Curai as feridas que o medo deixou em mim.” Muita gente que procura uma oração de libertação carrega sustos antigos, perdas, ambientes violentos. Deus cura também a memória. E, quando o medo é uma doença, ele age também pelas mãos de quem trata (veja o capítulo sobre discernimento).
“Nossa Senhora… São Miguel Arcanjo… meu santo anjo da guarda.” Pedimos a quem está perto de Deus que reze conosco. A Igreja lembra a intercessão de Maria, dos anjos e dos santos na luta espiritual dos cristãos (Congregação para a Doutrina da Fé, carta de 1985). O pedido a São Miguel vem da oração de São Miguel Arcanjo, e o anjo da guarda acompanha cada fiel pela vida inteira (CIC 336; veja a oração ao Anjo da Guarda).
“Senhor, eu confio em vós: livrai-nos do mal.” A oração termina no plural, como o Pai Nosso. Mesmo sozinho, você reza com a Igreja inteira (CIC 2850).
Libertação não é exorcismo: o que a Igreja ensina
2 min de leituraMuita confusão nasce de misturar as duas coisas.
Muita confusão nasce de misturar as duas coisas. A regra da Igreja é clara e protege você.
O exorcismo é um ato da Igreja, reservado. O Catecismo explica que se fala de exorcismo quando a Igreja pede publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou um objeto seja protegido contra o Maligno e subtraído ao seu domínio. Em forma simples, ele faz parte da celebração do Batismo; o exorcismo solene, o chamado grande exorcismo, “só pode ser feito por um presbítero e com licença do bispo” (CIC 1673). O Código de Direito Canônico diz o mesmo: ninguém pode legitimamente exorcizar os possessos sem licença especial e expressa do Ordinário do lugar, que só a concede a um presbítero de piedade, ciência, prudência e integridade de vida (cân. 1172).
O que os leigos não devem fazer. Em 1985, a Congregação para a Doutrina da Fé escreveu aos bispos sobre grupos que se reuniam, sob a direção de leigos, para pedir a libertação do influxo dos demônios. A carta pede três coisas:
- que se cumpra o cânon sobre o exorcismo;
- que os fiéis não usem a fórmula de exorcismo contra Satanás publicada por ordem do Papa Leão XIII, muito menos o texto inteiro desse exorcismo (não confundir com a oração curta de São Miguel, que é um pedido e que todos podem rezar);
- que pessoas não autorizadas não dirijam reuniões com orações que interpelem diretamente os demônios ou procurem saber a identidade deles, mesmo quando não se trata de possessão.
E a mesma carta acrescenta que essas normas não devem afastar ninguém de rezar para ser livre do mal, como Jesus ensinou (Mt 6,13). Em 2000, uma Instrução da mesma Congregação sobre as orações de cura repetiu que o exorcismo depende do bispo e deve ficar separado das celebrações de cura (art. 8).
Na prática. Você pode sempre rezar pedindo a Deus a libertação, para você e para os outros. Se suspeita de algo mais grave, procure o padre da sua paróquia: ele sabe como encaminhar a situação e, se for o caso, falar com o exorcista da diocese. Desconfie de quem cobra por “libertação”, de quem diagnostica demônios à primeira conversa ou de quem pede que você repasse uma oração para ficar protegido.
Oração de libertação por outra pessoa
2 min de leituraPara o filho envolvido com drogas, o marido que se afundou na bebida, a amiga que vive com medo, o parente que se meteu com práticas ocultas.
Para o filho envolvido com drogas, o marido que se afundou na bebida, a amiga que vive com medo, o parente que se meteu com práticas ocultas. Você não precisa estar perto nem ter a permissão da pessoa para rezar por ela: interceder é pedir a Deus pelos outros, como fez a mãe cananeia que gritou a Jesus: “Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim: que está minha filha miseravelmente atormentada do demônio” (Mt 15,22). Ela não falou com o demônio; falou com Jesus, e insistiu.
Senhor Jesus, eu vos apresento (diga o nome da pessoa).
Vós a conheceis e a amais mais do que eu.
Livrai-a de todo mal,
do que a prende, do que a engana
e de tudo o que a afasta de vós.
Tocai o coração dela com a vossa misericórdia
e dai-lhe a liberdade de voltar para vós.
Colocai no caminho dela pessoas boas,
um padre, um médico, um amigo fiel.
E a mim, dai paciência e caridade,
para que eu não a julgue, mas a ame.
Nossa Senhora, rogai por ela.
São Miguel Arcanjo, defendei-a no combate.
Amém.
Rezar por alguém não substitui o cuidado concreto: a oração vem junto com ação, com a família, um profissional de saúde, a paróquia. E respeite a liberdade dela: a libertação que Deus oferece nunca é imposta. Muitas famílias rezam também o terço da libertação por um parente, dizendo o nome dele nas invocações.
Medo, doença e discernimento
2 min de leituraNem tudo o que assusta é espiritual.
Nem tudo o que assusta é espiritual. Insônia, pensamentos que não param, vozes, pânico, tristeza profunda, crises que parecem “de fora” podem ser sinais de uma doença que tem tratamento. A própria Igreja pede que isso seja considerado antes de qualquer exorcismo: o Catecismo diz que muito diferente é o caso das doenças, sobretudo psíquicas, cujo tratamento depende da ciência médica, e que é importante ter certeza de que não se trata de uma doença (CIC 1673). Se até o exorcista precisa fazer essa pergunta, você também pode fazê-la sem culpa: procurar um médico ou um psicólogo não é falta de fé.
O poder do mal tem limite. O Catecismo ensina que Satanás é uma criatura, poderosa, mas criatura, impotente para impedir a edificação do Reino de Deus (CIC 395). São João escreve: “o que está em vós outros é maior que o que está no mundo” (1Jo 4,4). A fé não vive de medo. Quem passa o dia procurando sinais do demônio em cada contratempo acaba mais preso do que livre.
Magia, adivinhação e “trabalhos”. A Igreja pede que se rejeitem a adivinhação, a magia, a feitiçaria e o espiritismo (CIC 2116-2117). Se você buscou essas práticas, o caminho de volta é simples: pare, confesse-se e reze. E, se tem medo de que alguém tenha feito algo contra você, não responda com outra prática: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8,31).
Jesus, eu tenho medo.
Ficai comigo agora.
Vós sois mais forte do que tudo o que me assusta.
Guardai a minha mente em vós
e dai-me a vossa paz.
Amém.
Esta é uma oração curta para rezar na hora do medo, até de olhos fechados. Jesus disse: “Vós haveis de ter aflições no mundo: mas tende confiança, eu venci o mundo” (Jo 16,33). Se a angústia não passa, fale com alguém de confiança e marque uma consulta. Deus também age por aí.
Os meios de libertação que a Igreja oferece
2 min de leituraA carta de 1985 lembra aos padres que falem da função própria dos sacramentos e da intercessão de Maria, dos anjos e dos santos na luta espiritual.
A carta de 1985 lembra aos padres que falem da função própria dos sacramentos e da intercessão de Maria, dos anjos e dos santos na luta espiritual. São esses os meios comuns, ao alcance de todo católico:
A Confissão. O sacramento da Reconciliação restitui a graça de Deus e traz paz e tranquilidade à consciência (CIC 1468). É a libertação mais concreta que existe.
A Eucaristia. A Comunhão afasta do pecado e, pela caridade que acende em nós, preserva dos pecados graves futuros (CIC 1393, 1395). Ir à Missa aos domingos é uma proteção real.
Os sacramentais. O sinal da cruz, a água benta, as bênçãos: não agem como os sacramentos, mas, pela oração da Igreja, preparam para receber a graça (CIC 1670). O cristão começa o dia pelo sinal da cruz, que fortalece nas tentações e nas dificuldades (CIC 2157). Nenhum deles é amuleto: sem fé, viram superstição (CIC 2111).
A oração de todos os dias. O Pai Nosso, o terço, o Salmo 91, a oração de São Miguel. Uma vida de oração simples e fiel protege mais do que uma oração isolada, por mais bonita que seja. Para ir mais fundo, veja a página sobre oração de proteção espiritual.
A comunidade. Ninguém se liberta sozinho. Um padre que acompanhe, um grupo de oração sério, amigos que rezem com você: a Igreja é o lugar onde Cristo continua a libertar.
Perguntas
Qual é a oração de libertação mais forte?
Não existe uma oração mais forte que obrigue Deus ou o mal a agir. A força está em Deus e na fé com que se reza; atribuir eficácia só às palavras de uma oração é superstição (Catecismo da Igreja Católica, n. 2111). A oração de libertação por excelência foi ensinada por Jesus: o Pai Nosso, que termina em “mas livrai-nos do Mal”. Junto com a Confissão e a Eucaristia, ela é o que a Igreja propõe a todos.
Quem pode fazer oração de libertação?
Todo cristão pode rezar pedindo a Deus que livre a si mesmo ou a outra pessoa do mal. O que é reservado é o exorcismo: só um padre com licença especial do bispo pode fazê-lo (Código de Direito Canônico, cân. 1172). A Igreja também pede que pessoas não autorizadas não dirijam reuniões com orações que falem diretamente aos demônios (Congregação para a Doutrina da Fé, 1985).
Qual a diferença entre oração de libertação e exorcismo?
A oração de libertação é um pedido feito a Deus, com a intercessão de Nossa Senhora e dos santos, e qualquer fiel pode rezá-la. O exorcismo é um ato público da Igreja, em nome de Jesus Cristo, para proteger alguém contra o Maligno e subtraí-lo ao seu domínio; em sua forma solene, só pode ser feito por um presbítero com licença do bispo (Catecismo, n. 1673).
Existe maldição de família?
A Igreja não ensina que os filhos herdem uma maldição dos pais que precise ser quebrada com orações especiais. O profeta Ezequiel diz que “o filho não carregará com a iniquidade do pai” (Ez 18,20), e o Batismo nos liberta do pecado e do diabo (Catecismo, n. 1237). Se na sua família houve envolvimento com magia ou espiritismo, converse com um padre, confesse o que for seu e reze pelos seus: não é preciso viver com medo.
Como saber se preciso de libertação?
Não tente se diagnosticar sozinho, nem aceite diagnósticos rápidos de quem quer que seja. Muitos sinais atribuídos ao demônio são sintomas de doenças que têm tratamento, e a Igreja pede que isso seja verificado antes de qualquer exorcismo (Catecismo, n. 1673). O caminho seguro é duplo: um médico ou psicólogo para a saúde e o padre da sua paróquia para a vida espiritual.
Posso rezar a oração de libertação por outra pessoa?
Sim. Interceder por alguém é pedir a Deus por essa pessoa, e não depende de ela estar perto ou saber. Diga o nome dela, peça que Jesus a livre de todo mal e toque o coração dela, e peça a Nossa Senhora e a São Miguel que rezem por ela. Respeite a liberdade dela e junte à oração o cuidado concreto.








