Oração de proteção espiritual

Proteção

Oração de proteção espiritual: a armadura de Deus e os meios que a Igreja oferece

Uma oração de proteção espiritual para rezar de manhã, a armadura de Deus de Efésios 6, os sacramentos, a água benta, o sinal da cruz, São Miguel e o anjo da guarda

Uma oração de proteção espiritual pede a Deus que nos guarde do mal e nos revista da sua armadura, como diz São Paulo: “Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as ciladas do diabo” (Ef 6,11). Pode ser simples: “Senhor, eu me coloco nas vossas mãos. Guardai a minha mente, o meu corpo e a minha casa, e livrai-nos do mal. São Miguel Arcanjo, defendei-nos. Amém.” Segundo a Igreja, a proteção mais forte vem dos sacramentos, da oração diária e dos sacramentais. No AngelGuard você encontra abaixo a oração completa e cada um desses meios explicado.

Senhor Deus, Pai todo-poderoso,

no começo deste dia eu me coloco nas vossas mãos.

Revesti-me da vossa armadura:

da verdade, da justiça e da fé,

da esperança da salvação e da vossa Palavra.

Guardai a minha mente, o meu corpo e a minha casa.

Afastai de nós todo mal e todas as ciladas do inimigo,

e não nos deixeis cair em tentação.

Que este sinal me lembre que eu pertenço a Cristo (faça o sinal da cruz)

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós.

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate.

Meu anjo da guarda, ficai ao meu lado hoje.

Por Cristo, nosso Senhor.

Amém.

Texto AngelGuard: uma oração da manhã pela proteção de Deus, inspirada na armadura de Efésios 6, com a intercessão de Nossa Senhora, de São Miguel e do anjo da guarda.

Aprofundar

A armadura de Deus: Efésios 6

2 min de leitura

A imagem mais conhecida de proteção espiritual vem de São Paulo, na Carta aos Efésios, na tradução do Padre Figueiredo:

“Quanto ao mais, irmãos, fortalecei-vos no Senhor, e no poder da sua virtude. Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as ciladas do diabo: porque nós não temos que lutar contra a carne, e o sangue: mas sim contra os principados, e potestades, contra os governadores destas trevas do mundo, contra os espíritos de malícia espalhados por esses ares. Portanto tomai a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e estar completos em tudo. Estai pois firmes, tendo cingidos os vossos lombos em verdade, e vestidos da couraça da justiça, e tendo os pés calçados, na preparação do evangelho da paz: embraçando sobre tudo o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do mais que maligno.” (Ef 6,10-16)

E o apóstolo completa: tomai também o capacete da salvação e a espada do espírito, que é a palavra de Deus (Ef 6,17).

Repare que cada peça da armadura é uma virtude ou um dom de Deus, não um objeto nem uma fórmula: a verdade (viver sem mentira), a justiça (agir com retidão), a paz do Evangelho (estar pronto para levá-lo), a fé (que apaga as “flechas” da dúvida e do medo), a salvação (a esperança que protege a cabeça) e a Palavra de Deus, a única peça de ataque. Logo depois, no versículo 18, o apóstolo pede oração perseverante em todo tempo, por todos os santos. A oração no alto da página segue essa ordem: pede a Deus que nos vista de verdade, justiça, fé, esperança e da sua Palavra.

São Paulo fala de uma luta real, mas não de uma luta perdida. A vitória é de Cristo, e o cristão luta fortalecido no Senhor (Ef 6,10), não na própria força.

A primeira proteção: os sacramentos

2 min de leituraQuando a Congregação para a Doutrina da Fé escreveu aos bispos sobre o exorcismo, em 1985, pediu que lembrassem “a função própria dos Sacramentos” e a intercessão de Maria, dos anjos e dos santos.

Quando a Congregação para a Doutrina da Fé escreveu aos bispos sobre o exorcismo, em 1985, pediu que lembrassem “a função própria dos Sacramentos” e a intercessão de Maria, dos anjos e dos santos. A proteção espiritual católica começa aí.

O Batismo. Nele fomos libertados do pecado e do diabo, e renunciamos expressamente a Satanás (CIC 1237). Toda proteção posterior é viver o que ali começou. Por isso a água benta e o sinal da cruz recordam o Batismo.

A Confissão. O pecado é a verdadeira porta por onde o mal entra numa vida. O sacramento da Reconciliação restitui a graça de Deus e traz “a paz e a tranquilidade da consciência” (CIC 1468). Uma confissão bem feita protege mais do que qualquer ritual.

A Eucaristia. A Comunhão afasta do pecado e, pela caridade que acende em nós, preserva dos pecados graves futuros (CIC 1395). A Missa de domingo é o centro da vida protegida.

Depois vem a oração de todos os dias, a começar pelo Pai Nosso, que termina com o pedido “mas livrai-nos do Mal”. O Catecismo ensina que, ao rezá-lo, pedimos a Deus que nos livre do Maligno e de todos os males de que ele é autor ou instigador (CIC 2854).

Água benta, sinal da cruz e outros sacramentais

2 min de leituraOs sacramentais são sinais sagrados instituídos pela Igreja.

Os sacramentais são sinais sagrados instituídos pela Igreja. Incluem sempre uma oração, muitas vezes acompanhada de um sinal, como a imposição da mão, o sinal da cruz ou a aspersão com água benta, que recorda o Batismo (CIC 1668). Não agem como os sacramentos, mas, pela oração da Igreja, preparam para receber a graça e para cooperar com ela (CIC 1670).

O sinal da cruz. O cristão começa o dia, as orações e as atividades pelo sinal da cruz, e o Catecismo diz que ele “fortalece-nos nas tentações e nas dificuldades” (CIC 2157). Faça-o devagar, ao acordar, ao sair de casa, antes de dormir.

A água benta. Ao entrar na igreja, ao abençoar a casa ou os filhos, ela lembra a água do Batismo. Pode-se pedir ao padre água benta para casa. Ao usá-la, você pode rezar:

Senhor, por esta água benta

renovai em mim a graça do meu Batismo.

Purificai o meu coração,

guardai esta casa e os que moram nela

e afastai de nós todo mal.

Amém.

Medalhas, bênçãos da casa, crucifixos. A medalha de São Bento, um crucifixo na parede, a bênção da casa por um padre: tudo isso pode ajudar a fé. Mas nenhum sacramental funciona sozinho. Atribuir eficácia a um objeto ou a um gesto independentemente das disposições do coração é superstição (CIC 2111), e o Catecismo é claro: “O uso de amuletos também é repreensível” (CIC 2117). A medalha lembra; quem protege é Deus.

São Miguel Arcanjo e o anjo da guarda

2 min de leituraA Igreja confia a luta espiritual também à intercessão dos anjos.

A Igreja confia a luta espiritual também à intercessão dos anjos. São Miguel é o arcanjo que, segundo o Apocalipse, combate o dragão (Ap 12,7). Até ele, diz a Carta de Judas, não se atreveu a condenar o diabo por conta própria, mas disse: “Mande-te o Senhor” (Jd 9). É a atitude certa: não falamos com o inimigo, pedimos a Deus. A oração de São Miguel Arcanjo, do Papa Leão XIII, pode ser rezada por todos, todos os dias; ela é um pedido ao arcanjo, não um exorcismo.

O anjo da guarda. “Porquanto mandou aos seus anjos acerca de ti: que te guardem em todos os teus caminhos” (Sl 91(90),11). O Catecismo ensina que, do começo ao fim, a vida humana é acompanhada pela assistência e pela intercessão dos anjos, e que cada fiel tem a seu lado um anjo como protetor e pastor (CIC 336). A oração ao Anjo da Guarda é uma das primeiras que as crianças aprendem, e continua valendo para adultos.

Senhor, enviai o vosso anjo para me guardar hoje

em casa, na rua e no trabalho.

São Miguel Arcanjo, rogai por nós

e defendei-nos no combate.

Nossa Senhora, Rainha dos Anjos, cobri-nos com o vosso manto.

Amém.

Outra oração antiga de proteção é a Couraça de São Patrício, que se veste de Cristo da cabeça aos pés. E muitos rezam à noite o Salmo 91, o salmo da proteção.

Vigiar sem medo

2 min de leituraA Bíblia pede vigilância, não pânico: “Sede sóbrios, e vigiai: porque o diabo vosso adversário anda ao derredor de vós, como um leão, que ruge, buscando a quem possa tragar: resisti-lhe fortes na fé” (1Pd 5,8-9).

A Bíblia pede vigilância, não pânico: “Sede sóbrios, e vigiai: porque o diabo vosso adversário anda ao derredor de vós, como um leão, que ruge, buscando a quem possa tragar: resisti-lhe fortes na fé” (1Pd 5,8-9). E São Tiago dá o caminho: “Sede logo sujeitos a Deus, e resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos para Deus, e ele se chegará para vós” (Tg 4,7-8). Resistir, aqui, é dizer não à tentação e aproximar-se de Deus, não travar diálogos com o mal.

O mal tem limite. O Catecismo ensina que Satanás é uma simples criatura, impotente para impedir a edificação do Reino de Deus (CIC 395). Viver com medo de “ataques” em cada contratempo não é fé; é outra forma de escravidão. A Igreja rejeita também tudo o que promete proteção fora de Deus: adivinhação, magia, espiritismo, “trabalhos” (CIC 2116-2117).

Nem tudo é espiritual. Pesadelos, ansiedade, pânico, tristeza profunda podem ter causas que um médico ou um psicólogo precisam avaliar. A própria Igreja pede que se distinga a doença de qualquer ação do Maligno (CIC 1673). Se algo o assusta de verdade, fale com o padre da sua paróquia e, se for o caso, com um profissional de saúde. As duas coisas andam juntas. Para uma libertação pedida a Deus, veja a oração de libertação.

Oração de proteção espiritual pela família e pela casa

1 min de leituraPara rezar à noite, com a família reunida, ou sozinho, pelos que você ama.

Para rezar à noite, com a família reunida, ou sozinho, pelos que você ama. Você pode percorrer a casa, fazer o sinal da cruz em cada cômodo ou aspergir água benta enquanto reza.

Senhor Jesus, esta casa é vossa.

Abençoai cada pessoa que mora aqui

e cada pessoa que entra por esta porta.

Guardai-nos das brigas, da mentira e do medo.

Livrai-nos de todo mal, visível e invisível,

e dai-nos um sono tranquilo.

Maria, Mãe de Jesus, guardai a nossa família.

São José, protetor da Sagrada Família, rogai por nós.

Santo anjo de cada um de nós, ficai ao nosso lado.

Amém.

A melhor proteção de uma casa é a vida que se vive nela: a oração em família, o perdão pedido antes de dormir, a Missa de domingo juntos. As bênçãos e os sinais ajudam, mas é o amor de Deus acolhido todos os dias que faz da casa um lugar protegido.

Perguntas

Qual é a oração de proteção espiritual mais forte?

Nenhuma oração é um escudo automático, e atribuir poder às palavras em si é superstição (Catecismo da Igreja Católica, n. 2111). A Igreja propõe como proteção os sacramentos, sobretudo a Confissão e a Eucaristia, e a oração de todos os dias: o Pai Nosso, que termina em “mas livrai-nos do Mal”, a oração de São Miguel Arcanjo, o Salmo 91 e o sinal da cruz.

Como se proteger espiritualmente segundo a Igreja Católica?

Viva o Batismo: confesse-se com regularidade, participe da Missa, reze todos os dias, faça o sinal da cruz, use com fé os sacramentais, como a água benta, e peça a intercessão de Nossa Senhora, de São Miguel e do anjo da guarda. Evite adivinhação, magia e espiritismo, que a Igreja rejeita (Catecismo, n. 2116-2117).

Qual salmo é de proteção espiritual?

O Salmo 91 (90 na numeração antiga), que promete a guarda dos anjos “em todos os teus caminhos”, é o salmo da proteção mais rezado. O Salmo 121 também pede ao Senhor que guarde a vida de dia e de noite. Na Liturgia das Horas, a Igreja reza o Salmo 91 nas Completas de domingo, a oração da noite.

A água benta protege?

A água benta é um sacramental: recorda o Batismo e, pela oração da Igreja, prepara para receber a graça de Deus (Catecismo, n. 1668 e 1670). Ela não age como um amuleto. Usada com fé, ao entrar na igreja, ao abençoar a casa ou os filhos, é um sinal de que pertencemos a Cristo e pedimos a proteção dele.

O que é a armadura de Deus?

É a imagem de São Paulo em Efésios 6,10-17: a verdade como cinto, a justiça como couraça, o Evangelho da paz como calçado, a fé como escudo, a salvação como capacete e a Palavra de Deus como espada. Cada peça é uma virtude ou um dom de Deus. Revestir-se da armadura é viver na fé e na oração, fortalecido no Senhor (Ef 6,10).

Posso rezar a oração de São Miguel todos os dias?

Sim. A oração curta de São Miguel Arcanjo, do Papa Leão XIII, é um pedido ao arcanjo para que nos defenda, e qualquer fiel pode rezá-la quantas vezes quiser. O que a Igreja reserva é outra coisa: a fórmula de exorcismo publicada por ordem de Leão XIII, que os fiéis não devem usar por conta própria (Congregação para a Doutrina da Fé, 1985).