
Salmo
Salmo 4: a oração da noite para dormir em paz
O salmo da noite de quem dorme em paz, na tradução católica do Padre Figueiredo
O Salmo 4 — também o 4 na numeração da Vulgata — é a oração de quem, no meio da angústia e das críticas, entrega a Deus o fim do dia e adormece confiante.
1Para o fim entre os Cânticos, Salmo de Davi.
2Quando eu invocava me ouviu o Deus da minha justiça: na angústia me alargaste. Tem compaixão de mim, e ouve a minha oração.
3Filhos dos homens, até quando sereis de pesado coração? por que amais a vaidade, e buscais a mentira?
4Sabei pois que o Senhor tem feito maravilhoso ao seu santo: o Senhor me ouvirá quando eu clamar a ele.
5Irai-vos, e não queirais pecar: do que dizeis nos vossos corações, compungi-vos nos vossos leitos.
6Sacrificai sacrifício de justiça, e esperai no Senhor: muitos dizem: Quem nos patenteará os bens?
7Gravado está, Senhor, sobre nós o lume do teu rosto: deste alegria no meu coração.
8Pelo produto do seu trigo, vinho, e azeite se multiplicaram.
9Em paz dormirei nele mesmo, e repousarei;
10porque tu, Senhor, de uma maneira singular me tens firmado na esperança.
Tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), segundo a Vulgata latina, onde este é o Salmo 4. Ortografia atualizada; texto do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público).
Texto original (grafia de 1866)
1Para o fim entre os Canticos, Salmo de David.
2Quando eu invocava me ouvio o Deos da minha justiça: na angustia me alargaste. Tem compaixão de mim, e ouve a minha oração.
3Filhos dos homens, até quando sereis de pesado coração? porque amais a vaidade, e buscais a mentira?
4Sabei pois que o Senhor tem feito maravilhoso ao seu santo: o Senhor me ouvirá quando eu clamar a elle.
5Irai-vos, e não queirais peccar: do que dizeis nos vossos corações, compungi-vos nos vossos leitos.
6Sacrificai sacrificio de justiça, e esperai no Senhor: muitos dizem: Quem nos patenteará os bens?
7Gravado está, Senhor, sobre nós o lume do teu rosto: déste alegria no meu coração.
8Pelo producto do seu trigo, vinho, e azeite se multiplicárão.
9Em paz dormirei nelle mesmo, e repousarei;
10porque tu, Senhor, de huma maneira singular me tens firmado na esperança.
Paráfrase moderna
Paráfrase em português de hoje — escrita especialmente para esta página, para ajudar na leitura; não é uma tradução bíblica.
1Salmo de Davi, para ser cantado.
2Quando eu chamava, o meu Deus justo me respondeu; no aperto, tu me deste espaço para respirar. Tem pena de mim e escuta o que eu te peço.
3Gente, até quando vocês vão andar com o coração pesado? Por que correm atrás do que é vazio e vão em busca da mentira?
4Fiquem sabendo: o Senhor fez maravilhas por quem é dele; o Senhor vai me ouvir quando eu o chamar.
5Se a raiva vier, não caiam no pecado; e, ao deitar, arrependam-se do que andaram dizendo por dentro.
6Ofereçam a Deus o sacrifício que é justo e ponham a esperança no Senhor. Tem muita gente perguntando: “Quem vai nos mostrar o que é bom?”
7Senhor, a claridade da tua face está marcada em nós; tu encheste de alegria o meu coração.
8Os outros enriqueceram com a colheita farta do seu trigo, do seu vinho e do seu azeite.
9Vou dormir tranquilo, junto dele, e descansar,
10porque tu, Senhor, de um modo único, me firmaste na esperança.
Na tradução católica do Padre Figueiredo, o verso que muitos conhecem como “em paz me deito” diz: “Em paz dormirei nele mesmo, e repousarei.” O salmo traz também o conselho “Irai-vos, e não queirais pecar”, que São Paulo retoma na Carta aos Efésios. A Igreja o reza nas Completas, a oração da noite, depois das I Vésperas do domingo, isto é, no sábado à noite. Aqui no AngelGuard você lê o salmo completo, entende cada verso e aprende a rezá-lo antes de dormir.
Aprofundar
Significado do Salmo 4, verso a verso
3 min de leituraO Salmo 4 é uma oração curta de confiança, de alguém que está sendo criticado e pressionado e, mesmo assim, termina o dia em paz.
O Salmo 4 é uma oração curta de confiança, de alguém que está sendo criticado e pressionado e, mesmo assim, termina o dia em paz. Ele fala com Deus, fala com os que o atacam e, no fim, deita-se tranquilo. Os números de verso aqui são os do Padre Figueiredo, que conta o título como verso 1, como as Bíblias católicas atuais (a Ave-Maria, a Pastoral); nas Bíblias evangélicas, como as de Almeida e a NVI, que não numeram o título, cada verso tem um número a menos.
Verso 2: o Deus que dá espaço. “Quando eu invocava me ouviu o Deus da minha justiça: na angústia me alargaste.” A imagem é a de um aperto que Deus alarga: ele dá espaço, dá ar. O salmista começa lembrando o que Deus já fez, e só depois pede: “Tem compaixão de mim, e ouve a minha oração.”
Versos 3–4: aos que atacam. “Filhos dos homens, até quando sereis de pesado coração?” O salmista se volta para os que o criticam e correm atrás da vaidade e da mentira. E responde com uma certeza: “o Senhor tem feito maravilhoso ao seu santo”, isto é, Deus fez maravilhas por quem é fiel a ele, e vai ouvi-lo.
Verso 5: a raiva e a cama. “Irai-vos, e não queirais pecar: do que dizeis nos vossos corações, compungi-vos nos vossos leitos.” É um dos versos mais conhecidos do salmo, e São Paulo o retoma (Ef 4,26). Compungir-se é arrepender-se de coração: a hora de deitar vira hora de olhar para dentro. A parte seguinte da página explica esse verso.
Versos 6–8: a luz do rosto de Deus. “Sacrificai sacrifício de justiça, e esperai no Senhor.” E há quem pergunte: “Quem nos patenteará os bens?”, isto é, quem vai nos mostrar o que é bom. O salmista responde olhando para cima: “Gravado está, Senhor, sobre nós o lume do teu rosto.” Lume é luz. A imagem lembra a bênção que Deus mandou dar ao seu povo, pedindo que o Senhor mostre a sua face brilhante (Nm 6,25). No verso 8, o salmista olha para os outros, que enriqueceram com a colheita do trigo, do vinho e do azeite; a alegria que Deus pôs no seu coração vale mais.
Versos 9–10: dormir em paz. “Em paz dormirei nele mesmo, e repousarei; porque tu, Senhor, de uma maneira singular me tens firmado na esperança.” “Nele mesmo” traduz o latim in idipsum, e Santo Agostinho via nessas palavras o próprio Deus, que é sempre o mesmo. “De uma maneira singular” quer dizer: só tu. A segurança do salmista não está nas portas trancadas nem no dinheiro guardado; está em Deus. Por isso ele consegue dormir.
Senhor, Deus da minha justiça, no aperto tu me deste espaço. Faz brilhar sobre mim a luz do teu rosto, enche de alegria o meu coração e deixa-me dormir em paz, porque só tu me firmas na esperança. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
“Irai-vos, e não queirais pecar”: o que o Salmo 4 diz sobre a raiva
3 min de leituraA forma mais conhecida, “irai-vos e não pequeis”, é a de Efésios 4,26 nas Bíblias de Almeida (a Almeida Revista e Atualizada a usa também no salmo); o Padre Figueiredo, que traduz do latim, escreve “Irai-vos, e não queirais pecar”.
A forma mais conhecida, “irai-vos e não pequeis”, é a de Efésios 4,26 nas Bíblias de Almeida (a Almeida Revista e Atualizada a usa também no salmo); o Padre Figueiredo, que traduz do latim, escreve “Irai-vos, e não queirais pecar”. É o mesmo conselho. Nas Bíblias que não contam o título como verso, como as de Almeida e a NVI, ele é o Salmo 4,4.
Do hebraico ao grego. O verbo hebraico fala de tremer, de ser sacudido por dentro. A antiga tradução grega entendeu essa emoção como ira, e é assim que São Paulo cita o verso na Carta aos Efésios, com um conselho a mais: não deixar o sol se pôr sobre a raiva (Ef 4,26). A Vulgata, de onde Figueiredo traduz, segue o grego: Irascimini, et nolite peccare.
Sentir raiva não é pecado. O Catecismo ensina que as paixões, em si mesmas, “não são nem boas nem más” (CIC 1767): o que conta é o que a razão e a vontade fazem com elas. A raiva vira pecado quando se torna vontade de vingança, e ofende gravemente a caridade quando chega a querer matar ou ferir gravemente o próximo (CIC 2302). O salmo não manda fingir que não se sente nada; manda não deixar a raiva mandar.
Duas leituras de Santo Agostinho. Comentando o verso, Agostinho propôs dois sentidos. O primeiro: mesmo que a raiva suba, não a deixe vencer; que a mente não consinta. O segundo: tenham raiva de si mesmos pelos pecados passados e parem de pecar. Para ele, os “leitos” do verso são o íntimo do coração, o quarto onde Jesus manda rezar de porta fechada (Mt 6,6), e é ali que se faz o arrependimento. Nas Confissões, ele conta como esse verso o tocou: tinha aprendido a ter raiva de si mesmo pelo passado, para não pecar mais (IX, 4).
Na prática, antes de dormir. O verso 5 é um pequeno exame de consciência: o que eu disse no coração hoje? Contra quem fiquei com raiva? Entregue isso a Deus, peça perdão do que foi pecado e, se puder, decida dar o primeiro passo amanhã. O passo a passo está na página do exame de consciência.
Senhor, tu conheces a raiva que eu trago hoje. Não deixes que ela me leve ao pecado. Olha o que eu disse no meu coração, dá-me um arrependimento sincero e a graça de não deixar o sol se pôr sobre a minha ira. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
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Salmo 4 para dormir: ansiedade, insônia e confiança
2 min de leituraMuita gente procura saber qual salmo ajuda a dormir.
Muita gente procura saber qual salmo ajuda a dormir. O Salmo 4 é a resposta que a própria Igreja dá há séculos: é o primeiro salmo das Completas de sábado e foi, por muito tempo, um dos salmos de todas as noites nos mosteiros. Ele termina com alguém que se deita e adormece em paz, apesar das críticas e das preocupações.
O que ele promete e o que não promete. O Salmo 4 não é um calmante nem uma fórmula para pegar no sono. Tratar uma oração como se o efeito dependesse só das palavras é superstição (CIC 2111). O que o salmo dá é outra coisa: um lugar onde pôr as preocupações. A paz do verso 9 não vem de o problema estar resolvido; vem de saber em quem se confia.
Para a cabeça que não desliga. Deitado, de luz apagada, reze devagar os versos 9 e 10, uma vez ou várias. Uma parte a cada respiração: “Em paz dormirei nele mesmo”… “e repousarei”. Se um pensamento voltar, entregue-o a Deus e volte ao verso. Se é a raiva que não deixa dormir, reze o verso 5 e faça as pazes com Deus antes de fechar os olhos.
Rezar e cuidar. Se a insônia ou a ansiedade aparecem quase todas as noites, procurar um médico ou um psicólogo não é falta de fé: a oração e o cuidado andam juntos. A página da oração para acalmar o coração traz orações para as horas de ansiedade, também à noite.
Senhor, eu me deito agora nas tuas mãos. Levo comigo o que não consegui resolver hoje e te entrego. Guarda a minha casa e os que eu amo, acalma a minha mente e deixa-me dormir em paz, porque só em ti eu descanso. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Como a Igreja reza o Salmo 4: Completas, mosteiros e Páscoa
2 min de leituraAs Completas são a última oração da Liturgia das Horas, rezada antes de dormir.
Nas Completas de sábado. As Completas são a última oração da Liturgia das Horas, rezada antes de dormir. Depois das I Vésperas do domingo, isto é, no sábado à noite, os salmos das Completas são o Salmo 4 e o Salmo 133 (134 nas Bíblias atuais); depois das II Vésperas, no domingo à noite, é o Salmo 90 (91). Nos outros dias, a Igreja escolhe salmos de confiança, mas permite usar os do domingo em qualquer noite, sobretudo para quem quer rezar as Completas de memória (Instrução Geral da Liturgia das Horas, 88).
O salmo dos mosteiros. Na Regra de São Bento, do século VI, as Completas repetem todos os dias os mesmos três salmos: o 4, o 90 e o 133, na numeração latina (capítulo 18). Por séculos, monges e monjas adormeceram com “Em paz dormirei nele mesmo, e repousarei”. A mesma Regra pede que, depois das Completas, ninguém mais fale (capítulo 42): o salmo abre o silêncio da noite.
No tempo da Páscoa. No III Domingo da Páscoa do Ano B, o Salmo 4 é o salmo responsorial da Missa. O Evangelho desse domingo conta que Jesus ressuscitado apareceu aos discípulos, desejou-lhes a paz e explicou que nele se cumpria o que estava escrito sobre ele, também nos Salmos (Lc 24,35-48). O refrão pede que a luz do rosto de Deus brilhe sobre nós, como no verso 7.
Senhor, no fim deste dia eu me uno à tua Igreja, que reza no mundo inteiro. Que o silêncio da noite seja cheio da tua presença e que amanhã eu acorde para te louvar. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
O Salmo 4, Santo Agostinho e Jesus
2 min de leituraNas Confissões, Santo Agostinho conta que, ainda catecúmeno, numa casa de campo onde passava uma temporada de descanso com o amigo Alípio e com a mãe, Santa Mônica, leu o Salmo 4 e se sentiu inflamado por ele.
O salmo que incendiou o coração de Agostinho. Nas Confissões, Santo Agostinho conta que, ainda catecúmeno, numa casa de campo onde passava uma temporada de descanso com o amigo Alípio e com a mãe, Santa Mônica, leu o Salmo 4 e se sentiu inflamado por ele. Ao chegar ao verso “Em paz dormirei nele mesmo”, gritou do fundo do coração: “Ó, em paz! Ó, no mesmo!”. E explicou: Deus é “o mesmo”, aquele que não muda, e nele está o descanso que faz esquecer todas as fadigas (IX, 4).
O santo que Deus engrandeceu. No verso 4, “o Senhor tem feito maravilhoso ao seu santo”, Agostinho leu Jesus: Deus engrandeceu o seu Santo ressuscitando-o dos mortos e colocando-o à sua direita, de onde mandou o Espírito Santo (Confissões IX, 4).
O sono de Jesus no barco. O Evangelho mostra Jesus dormindo na popa do barco, no meio da tempestade, enquanto os discípulos entravam em pânico (Mc 4,35-41). É o Salmo 4 vivido por inteiro: quem confia no Pai pode dormir até quando o mar se agita. E é ele quem, ressuscitado, chega aos seus trazendo a paz (Lc 24,36; Jo 14,27).
O último sono. Agostinho via no fim do salmo também uma esperança maior: a paz suprema, que nenhum tumulto pode interromper, esperada para depois desta vida. Por isso o Salmo 4 é também uma oração para pensar na morte sem medo, como quem adormece nas mãos de Deus.
Senhor Jesus, que dormiste no barco durante a tempestade e ressuscitaste trazendo a paz, ensina-me a confiar no Pai como tu confiaste. Quando chegar a minha última noite, que eu adormeça em ti, que és sempre o mesmo. Amém.
A numeração do Salmo 4 e a tradução
2 min de leituraNo Salmo 4, as duas numerações concordam: ele é o 4 na Bíblia hebraica e o 4 na Vulgata, nos livros litúrgicos e na Ave-Maria.
Um salmo com o mesmo número. No Salmo 4, as duas numerações concordam: ele é o 4 na Bíblia hebraica e o 4 na Vulgata, nos livros litúrgicos e na Ave-Maria. A diferença entre as numerações só começa no Salmo 10.
Os versos é que mudam. O Padre Figueiredo conta o título como verso 1, como as Bíblias católicas atuais. Por isso “Irai-vos” é o verso 5 aqui e nelas, e o 4 nas Bíblias evangélicas, que não numeram o título; “Em paz dormirei”, o “em paz me deito” de muitas Bíblias, é o verso 9 aqui e o 8 nelas; a luz do rosto de Deus está no verso 7 aqui e no 6 nelas.
A tradução que você lê aqui. O texto é o do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, sacerdote português do século XVIII que traduziu a Bíblia inteira a partir da Vulgata latina. Nesta página o texto está em ortografia atualizada, com algumas palavras antigas trocadas pela forma atual, sem mudar o sentido; junto ao salmo, no início da página, você encontra também a grafia original da edição de 1866 (“Deos”, “peccar”, “nelle”…). No verso 3, o “porque” de 1866 é uma pergunta, e hoje se escreve “por que”. No verso 7, a última letra de “lume” saiu gasta no exemplar digitalizado; o latim (lumen) e a reimpressão de Lisboa de 1885 confirmam a palavra. No livro, este é o Salmo IV.
Perguntas
O que diz o Salmo 4?
O Salmo 4 é a oração de quem é criticado e pressionado, mas confia em Deus. O salmista lembra que Deus o ouviu na angústia, pede aos que o atacam que deixem a mentira, aconselha “Irai-vos, e não queirais pecar” e termina dizendo que vai dormir em paz, porque só Deus o firma na esperança. O texto completo, na tradução católica do Padre Figueiredo, está no início desta página.
Qual salmo ajuda a dormir bem a noite toda?
Nenhum salmo funciona como remédio para dormir, mas a Igreja reza há séculos alguns salmos na hora de deitar. O Salmo 4 é o principal deles: termina com “Em paz dormirei nele mesmo, e repousarei” e é rezado nas Completas de sábado. Também ajudam o Salmo 91, rezado nas Completas de domingo, e o Salmo 134. Se a insônia é frequente, procure também um médico.
O que significa “Irai-vos e não pequeis”?
É um conselho do Salmo 4, verso 5 (4,4 nas Bíblias evangélicas), que São Paulo cita em Efésios 4,26; “irai-vos e não pequeis” é como as Bíblias de Almeida escrevem esse verso de Efésios. O Padre Figueiredo traduz o salmo assim: “Irai-vos, e não queirais pecar”. Quer dizer que sentir raiva não é pecado em si, mas não se pode deixar que ela vire vingança ou ódio. Santo Agostinho lia também um convite ao arrependimento: ter raiva dos próprios pecados passados e não pecar mais.
Qual é o salmo do “esplendor de vossa face”?
É o Salmo 4, verso 7 (6 nas Bíblias evangélicas). Na tradução do Padre Figueiredo, o verso diz: “Gravado está, Senhor, sobre nós o lume do teu rosto”. O refrão que se canta na Missa do III Domingo da Páscoa do Ano B, quando o Salmo 4 é o salmo responsorial, vem desse verso.
O que significa “em paz me deito” (Salmo 4,8 ou 4,9)?
“Em paz me deito” é como muitas Bíblias traduzem o versículo de dormir em paz do Salmo 4: ele é o 8 nas Bíblias evangélicas, que não numeram o título, e o 9 aqui e nas Bíblias católicas, como a Ave-Maria e a Pastoral. O Padre Figueiredo traduz: “Em paz dormirei nele mesmo, e repousarei”. Quem reza assim não diz que os problemas acabaram; diz que confia em Deus o bastante para descansar, porque só ele firma a esperança. Santo Agostinho via em “nele mesmo” o próprio Deus, que não muda.
Quando a Igreja reza o Salmo 4?
Nas Completas, a oração da noite da Liturgia das Horas, depois das I Vésperas do domingo, isto é, no sábado à noite, junto com o Salmo 134; e a Igreja permite rezá-lo também nas outras noites. Na Regra de São Bento, ele era rezado todas as noites. Na Missa, é o salmo do III Domingo da Páscoa do Ano B.
Por que algumas Bíblias numeram os versos do Salmo 4 de outro jeito?
O número do salmo é o mesmo em todas as Bíblias: 4. O que muda é o número dos versos. O Padre Figueiredo e as Bíblias católicas atuais, como a Ave-Maria, contam o título como verso 1; as Bíblias evangélicas, como as de Almeida e a NVI, não numeram o título. Por isso o verso de dormir em paz é o 9 aqui e o 8 nas Bíblias evangélicas.


