
Oração
Oração a Nossa Senhora do Carmo e o escapulário
A oração a Nossa Senhora do Carmo confia a sua vida a Maria, Mãe e Flor do Carmelo.
Flor do Carmelo,
videira florida,
esplendor do céu,
Virgem e Mãe
sem igual.
Mãe terna
e sempre virgem,
ao vosso Carmelo
concedei os vossos dons,
Estrela do mar.
Tradução AngelGuard, do latim, da “Flor do Carmelo” (Flos Carmeli), segundo a edição de Dublin de 1826, p. 8, conferida com o missal carmelita da missa de 16 de julho.
A mais tradicional é a Flor do Carmelo, em latim Flos Carmeli, que a tradição carmelita faz remontar ao século XIII: “Flor do Carmelo, videira florida, esplendor do céu”. Você pode rezá-la todos os dias, no dia 16 de julho ou ao receber o escapulário, que é um sinal da Igreja e não um amuleto. No AngelGuard você a encontra numa tradução nossa do latim, com uma oração para cada dia, a história do Carmelo, o que o escapulário promete e o que não promete, e os santos carmelitas.
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A Flor do Carmelo, frase por frase
4 min de leituraA oração do alto desta página é a Flor do Carmelo, em latim Flos Carmeli, a oração mais tradicional dos carmelitas a Nossa Senhora.
A oração do alto desta página é a Flor do Carmelo, em latim Flos Carmeli, a oração mais tradicional dos carmelitas a Nossa Senhora. A tradição da Ordem a atribui a São Simão Stock, um carmelita inglês do século XIII, que a teria repetido muitas vezes pedindo a Maria um sinal da sua proteção. O antigo missal carmelita a cantava na missa de 16 de julho, logo antes do Evangelho. Aqui ela está em tradução nossa do latim, feita a partir de um livro impresso em 1826 e conferida com um antigo missal carmelita.
“Flor do Carmelo, videira florida.” O Carmelo é um monte da Terra Santa que desce até o mar, e o seu nome quer dizer “pomar” ou “jardim”. A Bíblia o usa como imagem da beleza: o profeta Isaías fala do esplendor do Carmelo (Is 35,2), e o antigo missal carmelita cantava esse versículo logo antes desta oração. Maria é a flor desse jardim e a videira que deu o melhor fruto, que é Jesus.
“Esplendor do céu, Virgem e Mãe sem igual.” Em latim, Virgo puerpera singularis: virgem e, ao mesmo tempo, mãe que dá à luz. Isso só se diz dela. Não há outra igual: é obra de Deus nela, e ela disse sim.
“Mãe terna e sempre virgem.” O latim diz, mais ao pé da letra, sed viri nescia, “que não conheceu homem”: são as palavras com que Maria responde ao anjo em Nazaré (Lc 1,34). Traduzimos “sempre virgem”, como a Igreja a chama desde antigamente.
“Ao vosso Carmelo concedei os vossos dons.” O latim diz Carmelitis da privilegia: “aos carmelitas, dai privilégios”. Os carmelitas da Idade Média pediam a Maria que mostrasse que era a padroeira da sua Ordem, então pequena, estrangeira e muito contestada. Hoje a família do Carmelo é maior: frades e monjas, leigos carmelitas e todos os que usam o escapulário e vivem a sua espiritualidade. Por isso dizemos “o vosso Carmelo”: toda a sua família. E os dons pedidos não são um contrato: são a ajuda de uma mãe, que se pede com confiança e se recebe como presente.
“Estrela do mar.” É um dos nomes mais antigos de Maria, Stella maris. Os marinheiros se guiavam à noite pelas estrelas, e o Carmelo fica junto ao mar: Maria é quem orienta quando não se vê o caminho. Por isso Nossa Senhora do Carmo é padroeira de pescadores e marinheiros em tantos portos.
A oração termina aí, sem “Amém”, como nos livros antigos. Você pode rezá-la devagar uma vez por dia, ou cantá-la: ela tem melodia gregoriana. Se quiser pedir algo concreto, esta outra oração é para cada dia:
Santa Maria, Nossa Senhora do Carmo,
Flor do Carmelo e Estrela do mar:
aqui estou, com a minha vida do jeito que ela está hoje.
Como a pequena nuvem que Elias viu subir do mar,
trazei a chuva de Deus ao que em mim está seco.
Ensinai-me a escutar a palavra do vosso Filho
e a pô-la em prática, como vós.
Quando eu não enxergar o caminho, sede a minha estrela;
quando eu me cansar, levai-me de novo a Jesus.
Cuidai da minha família e de quem me confiou as suas dores.
Rogai por mim agora e na hora da minha morte,
para que, fiel ao meu batismo, eu chegue a ver a Deus.
Amém.
Texto AngelGuard: oração escrita para esta página. A pequena nuvem está no primeiro livro dos Reis: depois de três anos de seca, Elias rezou no alto do Carmelo, o seu servo viu subir do mar uma nuvem do tamanho da palma de uma mão, e logo veio a chuva (1Rs 18,42-45). Desde o século XIV os carmelitas veem nessa nuvem uma figura de Maria: pequena e humilde, e dela nos veio Cristo. O último pedido é o da Ave-Maria, e é também o que o escapulário lembra, como você verá no capítulo 3.
Quem é Nossa Senhora do Carmo?
3 min de leituraNossa Senhora do Carmo é a Virgem Maria honrada como padroeira da Ordem do Carmo.
Nossa Senhora do Carmo é a Virgem Maria honrada como padroeira da Ordem do Carmo. Não é outra Nossa Senhora: é Maria, a mãe de Jesus, com o nome do lugar onde nasceram os carmelitas, o monte Carmelo, na Terra Santa.
O monte de Elias. O Carmelo é uma serra que desce até o Mediterrâneo, junto à atual cidade de Haifa, em Israel. Ali a Bíblia situa o profeta Elias: no Carmelo ele desafiou os profetas de Baal e pediu ao povo que deixasse de hesitar entre dois deuses e voltasse ao Senhor (1Rs 18,20-40). Depois rezou no alto do monte até chegar a chuva. Os carmelitas veem em Elias o seu pai espiritual: o homem que vive na presença de Deus e arde de zelo por ele.
Os primeiros carmelitas. No fim do século XII ou no começo do XIII, um grupo de eremitas, muitos deles antigos peregrinos vindos da Europa, foi morar nas grutas do Carmelo, junto à fonte que chamavam de Elias. Entre 1206 e 1214, Santo Alberto, patriarca latino de Jerusalém, deu a eles uma regra breve: viver a serviço de Jesus Cristo, cada um na sua cela, meditando dia e noite a lei do Senhor. No meio das celas construíram uma capela e a dedicaram à Virgem Maria. Por isso passaram a se chamar Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo: Maria era a senhora do lugar, e eles se sentiam dela.
Da Terra Santa para a Europa. Por volta de 1238, quando a vida dos cristãos na Terra Santa ficou cada vez mais difícil, os carmelitas começaram a passar para a Europa: Chipre, Sicília, França, Inglaterra. Lá viveram anos duros, porque eram poucos, estrangeiros e muito contestados. A esse tempo pertence São Simão Stock, que a tradição tem como prior geral inglês, de quem falamos no próximo capítulo. Em 1562, em Ávila, na Espanha, Santa Teresa de Jesus fundou o primeiro convento das carmelitas descalças, e pouco depois, com São João da Cruz, começou a reforma dos frades. Desde então o Carmelo tem dois ramos, os carmelitas e os carmelitas descalços, com a mesma Mãe.
Nossa Senhora do Carmo no Brasil. Os carmelitas chegaram ao Brasil ainda no tempo da colônia, e as igrejas do Carmo estão entre as mais antigas de muitas cidades. No Recife, Nossa Senhora do Carmo é a padroeira da cidade: o dia 16 de julho é feriado municipal, e a Basílica do Carmo celebra missas de hora em hora desde a madrugada. Em muitos lugares ela é padroeira de pescadores e marinheiros. E o nome Carmen, Carmem ou Maria do Carmo, que tantas avós, mães e filhas levam, vem dela.
Uma só devoção. Por trás de tudo isso há algo simples: os carmelitas quiseram viver como Elias, na presença de Deus, e como Maria, que guardava tudo no coração. Nossa Senhora do Carmo é a Mãe que ensina a rezar. Muitos a honram com a Salve-Rainha, uma das antífonas com que a Igreja encerra o dia.
O escapulário de Nossa Senhora do Carmo: o que é e o que promete
5 min de leituraO escapulário de Nossa Senhora do Carmo são dois pedacinhos de tecido marrom unidos por duas fitas, usados sobre os ombros: um cai sobre o peito e o outro sobre as costas.
O escapulário de Nossa Senhora do Carmo são dois pedacinhos de tecido marrom unidos por duas fitas, usados sobre os ombros: um cai sobre o peito e o outro sobre as costas. É um sacramental, isto é, um sinal sagrado da Igreja, e não um amuleto. O nome vem do latim scapulae, os ombros.
Um hábito em miniatura. O escapulário grande é a peça principal do hábito dos carmelitas: um pano comprido que cai pela frente e por trás. Aos leigos que queriam partilhar a sua espiritualidade sem entrar no convento foi dado um hábito em miniatura. O Diretório sobre a piedade popular e a liturgia (2001) o chama de forma reduzida do hábito religioso da Ordem e de sinal exterior da relação filial e confiante entre Nossa Senhora e os que se confiam a ela (n. 205). São João Paulo II, na mensagem à Ordem do Carmo de 25 de março de 2001, escreveu que o escapulário “é essencialmente um ‘hábito’”: quem o usa se compromete a se revestir por dentro, cada dia, de Jesus Cristo. E contou que ele mesmo o usava sobre o coração havia muito tempo.
O que ele faz e o que não faz. O Catecismo explica que os sacramentais não dão a graça como os sacramentos, mas, pela oração da Igreja, nos preparam para recebê-la e para cooperar com ela (CIC 1670). E chama de superstição atribuir a eficácia das orações ou dos sinais sacramentais à sua simples realização exterior, sem as disposições interiores que eles exigem (CIC 2111). Em palavras simples: o escapulário não funciona sozinho. Ele não protege por si mesmo de acidentes, não cura e não é um seguro contra o inferno. Os provinciais carmelitas da América do Norte, na catequese que publicaram no ano 2000, avisam que usá-lo sem aceitar os seus compromissos seria rebaixá-lo a um amuleto de boa sorte.
A promessa de São Simão Stock. A tradição carmelita conta que, em 1251, Nossa Senhora apareceu a São Simão Stock com o escapulário na mão e lhe prometeu que quem morresse com ele não sofreria o fogo eterno. É preciso dizer três coisas com honestidade. Primeiro, é uma revelação particular, e as revelações particulares não pertencem ao depósito da fé (CIC 67). Segundo, a história é incerta: o primeiro relato escrito aparece quase um século e meio depois, no fim do século XIV, e os próprios historiadores carmelitas reconhecem isso. A Igreja permitiu a devoção sem garantir o fato. Terceiro, ela nunca foi ensinada como uma garantia independente de como a pessoa vive. A catequese carmelita a explica como a promessa de Maria de que quem permanecer fiel à sua vocação até a morte receberá a graça da perseverança final, e a liga à palavra de Jesus sobre quem persevera até o fim (Mt 24,13).
O que ele promete de verdade. São João Paulo II resumiu em duas verdades: a proteção contínua de Nossa Senhora, ao longo da vida e também no momento da passagem para a glória; e que a devoção a ela não pode ficar em algumas orações em certas datas, mas precisa ser um “hábito”, um jeito de viver feito de oração, sacramentos e obras de misericórdia. É o mesmo que você pede em cada Ave-Maria: que ela rogue por nós “agora e na hora de nossa morte”.
O privilégio sabatino, com honestidade. Muita gente já ouviu que Nossa Senhora tira do purgatório, no primeiro sábado depois da morte, quem usou o escapulário. Essa ideia vem de uma bula atribuída ao papa João XXII, datada de 1322, que os historiadores, inclusive os carmelitas, consideram falsa: a primeira notícia dela é do fim do século XV. Em 1613, sob o papa Paulo V, o Santo Ofício disse com cuidado o que se podia pregar: que o povo cristão pode crer piedosamente que Nossa Senhora, com a sua intercessão contínua, as suas orações e a sua proteção especial, ajuda depois da morte, sobretudo no sábado, dia dedicado a ela, os confrades que morreram na graça de Deus, usaram o escapulário, guardaram a castidade segundo o seu estado e rezaram o Ofício de Nossa Senhora ou, se não sabiam ler, cumpriram os jejuns da Igreja e não comeram carne às quartas e aos sábados. O mesmo decreto proibiu pintar Nossa Senhora descendo ao purgatório para tirar almas. Ou seja: sim à confiança na ajuda de Maria; não a uma data de saída garantida. A catequese carmelita lembra que esses favores não significam nada sem viver e morrer na graça de Deus, e hoje os carmelitas não promovem o privilégio sabatino.
O purgatório é, sim, doutrina da Igreja: a purificação final dos que morrem na graça de Deus, mas ainda não de todo purificados (CIC 1030-1031). Por isso rezamos pelos nossos falecidos. Se alguém da sua família usou o escapulário, confie essa pessoa a Nossa Senhora e continue rezando por ela: o escapulário não nos dispensa de rezar pelos nossos falecidos. E se na hora da morte ela não o estava usando, no hospital ou por esquecimento, não se aflija: a misericórdia de Deus não depende de um pano. Esta oração é para ele ou para ela; diga o nome no lugar de N.:
Senhor Jesus,
N. usou o escapulário da vossa Mãe
como sinal de que queria ser vosso (vossa).
Olhai o que houve de bom na sua vida
e perdoai o que faltou.
Que Nossa Senhora do Carmo, a quem se confiou,
o (a) apresente diante de vós
e que, purificado (purificada) pela vossa misericórdia, chegue à luz da vossa face.
Dai-lhe, Senhor, o descanso eterno,
e brilhe para ele (ela) a luz perpétua.
Amém.
Texto AngelGuard: oração escrita para esta página. As duas últimas linhas são o antigo Requiem aeternam da Igreja pelos falecidos, em tradução nossa. Você pode rezá-la no velório, na missa de sétimo dia ou no Dia de Finados, e continuar com a oração pelos falecidos.
Como receber e como usar o escapulário
3 min de leituraO escapulário é recebido uma só vez, das mãos de um padre ou de um diácono, com um rito breve da Igreja.
O escapulário é recebido uma só vez, das mãos de um padre ou de um diácono, com um rito breve da Igreja. Depois você o usa, e quando ele se gasta você o troca por outro.
A imposição. O rito atual é o Rito da bênção e imposição do escapulário, aprovado pela Congregação para o Culto Divino em 5 de janeiro de 1996. Qualquer padre ou diácono pode fazê-lo. Peça na sua paróquia: muitas fazem a imposição em grupo perto do dia 16 de julho, e em algumas as crianças o recebem no dia da Primeira Eucaristia. O Diretório pede que não seja um ato mais ou menos improvisado, mas o fim de uma preparação em que a pessoa entende o que ele significa e quais compromissos de vida assume (n. 205). É um bom momento para se confessar.
O que acontece no rito. O padre abençoa o escapulário e o coloca sobre os seus ombros enquanto reza. O rito lembra o propósito do batismo: revestir-se de Cristo, com a ajuda de Nossa Senhora (Diretório, n. 205). Você não precisa decorar nada. Receber o escapulário une você à grande família do Carmelo.
Quando ele se gasta. A imposição se faz uma vez na vida. Quando o seu escapulário rasga ou se desgasta, você coloca um novo, e pronto: não é preciso receber a imposição de novo. O velho, como qualquer objeto abençoado, é tratado com respeito: queima-se ou enterra-se.
A medalha escapulário. Desde um decreto do Santo Ofício de 16 de dezembro de 1910, sob São Pio X, pode-se usar no lugar do tecido uma medalha benta que tenha de um lado o Sagrado Coração de Jesus e do outro Nossa Senhora. Ajuda quem trabalha no calor ou com água. Mas a imposição se faz primeiro com o escapulário de tecido, e os carmelitas preferem o tecido, porque é ele que lembra o hábito.
Como usar. Sobre os ombros, com um pedaço sobre o peito e outro sobre as costas, normalmente por baixo da roupa. Você pode tirá-lo para tomar banho ou para lavá-lo. Se um dia esquecer, coloque-o de novo sem angústia: é uma devoção, não uma obrigação sob pecado, e ninguém precisa viver com medo por tê-lo tirado. Se esse medo não larga você, converse com um padre.
A vida que vai com ele. Os carmelitas pedem que o escapulário venha com uma vida cristã simples: a Missa de domingo e os sacramentos, um tempo de oração todos os dias, a Palavra de Deus e o cuidado com quem sofre. Sem isso, é só pano. Não há nenhuma oração obrigatória para usá-lo; os carmelitas sugerem expressar todo dia o carinho por Maria, por exemplo com uma Ave-Maria, e muitos rezam também o terço (veja como rezar o terço). Esta oração breve serve no dia da imposição e toda manhã, ao colocá-lo:
Senhor Jesus,
ao vestir este sinal do cuidado da vossa Mãe,
revesti-me outra vez de vós, como no meu batismo.
Fazei-me fiel hoje nas pequenas coisas
e fiel até o fim.
Nossa Senhora do Carmo, rogai por mim,
agora e na hora da minha morte.
Amém.
Texto AngelGuard: oração escrita para o AngelGuard. Ela retoma a imagem de São Paulo: todos os que foram batizados em Cristo se revestiram de Cristo (Gl 3,27). É curta de propósito, para você rezá-la enquanto se veste.
16 de julho, festa de Nossa Senhora do Carmo
2 min de leituraNossa Senhora do Carmo é celebrada no dia 16 de julho; em 2027 cai numa sexta-feira.
Nossa Senhora do Carmo é celebrada no dia 16 de julho; em 2027 cai numa sexta-feira. No calendário de toda a Igreja é uma memória facultativa, que cada comunidade pode celebrar, mas entre os carmelitas é solenidade, e em muitas cidades é a grande festa do ano.
De onde vem a data. A festa nasceu, provavelmente, entre os carmelitas da Inglaterra na segunda metade do século XIV, como ação de graças a Maria por ter protegido a Ordem nos seus anos difíceis. No começo era celebrada em 17 de julho, e depois passou para o dia 16. Só mais tarde ela foi ligada à visão de São Simão Stock (1251) e ao escapulário.
A missa desse dia. No antigo missal carmelita, a missa de 16 de julho lia o trecho de Elias no alto do Carmelo, o da pequena nuvem que sobe do mar e traz a chuva (1Rs 18,42-45). Antes do Evangelho cantava-se a Flor do Carmelo. O Evangelho era o da mulher que louva a mãe de Jesus, e Jesus responde que mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática (Lc 11,27-28). Aí está o coração do Carmelo: Maria é feliz, antes de tudo, porque escutou.
Como viver o dia. Ir à Missa; receber o escapulário, se ainda não o tem, ou renovar a sua confiança em Maria, se já o usa; rezar o terço em família; rezar juntos a Flor do Carmelo. Muitas famílias fazem uma novena de 7 a 15 de julho. No Recife e em tantas cidades há procissões, e em lugares de pescadores às vezes sobre a água, porque ela é a Estrela do mar.
Nossa Senhora do Carmo em Fátima. Na última aparição de Fátima, em 13 de outubro de 1917, durante o milagre do sol, Lúcia contou nas suas memórias que viu várias cenas no céu, e na última Nossa Senhora com a aparência de Nossa Senhora do Carmo. Anos depois, em 1948, a própria Lúcia entrou como carmelita descalça no Carmelo de Coimbra, em Portugal, onde viveu até a morte, em 2005. A oração a Nossa Senhora de Fátima conta mais sobre essas aparições.
Santos do Carmelo: Teresa, João da Cruz, Teresinha e outros
3 min de leituraO Carmelo deu à Igreja três doutores e muitos santos que aprenderam a rezar à sombra de Maria.
O Carmelo deu à Igreja três doutores e muitos santos que aprenderam a rezar à sombra de Maria. Conhecê-los é o melhor jeito de entender o que significa usar o escapulário: não um objeto, mas uma vida de oração.
Santa Teresa de Jesus (1515-1582). Nasceu em Ávila, na Espanha. Em 1562 fundou ali o convento de São José, o primeiro das carmelitas descalças, e depois percorreu meia Espanha fundando conventos. Explicou a oração como um trato de amizade com quem sabemos que nos ama (Vida 8,5). O seu poema “Nada te perturbe” termina dizendo que só Deus basta. Em 1970 São Paulo VI a declarou doutora da Igreja, a primeira mulher com esse título. A sua festa é em 15 de outubro.
São João da Cruz (1542-1591). Companheiro de Teresa na reforma e um dos maiores poetas da língua espanhola: a Noite escura, o Cântico espiritual. Os próprios irmãos o mantiveram preso nove meses em Toledo, e de lá ele fugiu à noite. Ensina que, quando Deus parece ausente, está agindo às escondidas. É doutor da Igreja desde 1926, e a sua festa é em 14 de dezembro.
Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897). Carmelita em Lisieux, na França, morreu aos 24 anos. O seu “pequeno caminho” é a confiança e o amor nas pequenas coisas de cada dia. São João Paulo II a declarou doutora da Igreja em 1997, e a sua festa é em 1º de outubro. A oração de Santa Teresinha é uma das mais rezadas no Brasil.
Santa Teresa Benedita da Cruz (1891-1942). Edith Stein, filósofa judia alemã, converteu-se, tornou-se carmelita e morreu em Auschwitz. É copadroeira da Europa desde 1999, e a sua festa é em 9 de agosto. Santa Elisabete da Trindade (1880-1906), carmelita de Dijon, viveu a sua curta vida inteira dentro de uma só ideia: Deus mora na alma. E Santa Teresa dos Andes (1900-1920), jovem chilena, entrou no Carmelo de Los Andes e morreu aos 19 anos; foi a primeira santa do Chile.
Irmã Lúcia de Fátima (1907-2005). A vidente de Fátima viveu mais de cinquenta anos como carmelita em Coimbra. Em 2023 o papa Francisco a declarou venerável, o primeiro passo para a beatificação.
Você pode se confiar a todos eles com a oração de Todos os Santos. E, para terminar, uma oração breve com palavras de Teresa:
Senhor, vós me procurais antes que eu vos procure.
Pela intercessão de Nossa Senhora do Carmo
e dos santos do Carmelo,
ensinai-me a conversar convosco como com um amigo,
a esperar por vós também na noite
e a amar-vos nas pequenas coisas.
Que nada me perturbe, que nada me espante:
só vós bastais.
Amém.
Texto AngelGuard: oração escrita para esta página, com um eco do “Nada te perturbe” de Santa Teresa. Os três pedidos são os dos três doutores do Carmelo: a amizade de Teresa, a noite de João e as pequenas coisas de Teresinha.
Perguntas
Qual é a oração mais poderosa de Nossa Senhora do Carmo?
A força de uma oração não está nas palavras: quem escuta é Deus, e Maria roga por nós. O Catecismo chama de superstição atribuir a eficácia de uma oração só às palavras, sem as disposições do coração (CIC 2111). A oração mais tradicional a Nossa Senhora do Carmo é a Flor do Carmelo: “Flor do Carmelo, videira florida, esplendor do céu, Virgem e Mãe sem igual…”. O que mais agrada a Maria é que você reze com o coração e escute o seu Filho.
O que acontece se eu morrer usando o escapulário?
A tradição carmelita diz que Nossa Senhora prometeu a São Simão Stock que quem morresse com ele não sofreria o fogo eterno. Mas a Igreja nunca ensinou isso como garantia, viva a pessoa como viver: os carmelitas explicam a promessa como a graça de perseverar até o fim para quem vive fiel. O escapulário não salva sozinho; ele lembra a quem o usa que Maria roga por ele, agora e na hora da morte.
O que é o privilégio sabatino?
A crença de que Nossa Senhora tira do purgatório, no sábado depois da morte, quem usou o escapulário. Vem de uma bula de 1322 que os historiadores consideram falsa. Em 1613 a Santa Sé só permitiu pregar que se pode crer na ajuda de Maria depois da morte, sobretudo no sábado, para quem morreu na graça de Deus, usou o escapulário, viveu a castidade segundo o seu estado e rezou ou jejuou. Hoje os carmelitas não o promovem.
Como se coloca o escapulário e quem pode impor?
Um padre ou um diácono faz a imposição uma vez, com o rito aprovado pela Santa Sé em 1996. Peça na sua paróquia, sobretudo perto de 16 de julho. Ele é usado sobre os ombros, com um pedaço de tecido sobre o peito e outro sobre as costas, normalmente por baixo da roupa.
O que fazer quando o escapulário rasga?
Coloque um novo. A imposição se faz uma só vez na vida, então não é preciso recebê-la de novo. O velho é queimado ou enterrado, com respeito, como qualquer objeto abençoado.
Posso tirar o escapulário para tomar banho?
Pode. Tirá-lo para tomar banho ou para lavá-lo não tem problema. A devoção é usá-lo sempre, mas é uma devoção, não uma obrigação sob pecado. Se você esquecer, coloque-o de novo sem angústia.
Posso usar a medalha no lugar do escapulário de tecido?
Pode. Desde 1910 é permitido usar uma medalha benta com o Sagrado Coração de Jesus de um lado e Nossa Senhora do outro. Primeiro é preciso receber a imposição com o escapulário de tecido; a medalha substitui o tecido, não a imposição. Os carmelitas preferem o tecido, porque lembra o hábito.
Quando é o dia de Nossa Senhora do Carmo?
Em 16 de julho. Em 2027 cai numa sexta-feira. No Recife é feriado municipal, porque ela é a padroeira da cidade. Muitas famílias fazem uma novena de 7 a 15 de julho, e muitas paróquias impõem o escapulário nesse dia.


