
Oração
Oração para o Ano Novo: agradecer a Deus na virada, com o Te Deum
A oração para o Ano Novo é, antes de tudo, um agradecimento a Deus pelo ano que termina.
Oração de fim de ano em família
Para a noite de 31 de dezembro, antes da ceia ou um pouco antes da meia-noite. Uma pessoa conduz e todos dizem juntos o “Amém” final.
Senhor Deus, Pai de bondade,
estamos reunidos na última noite do ano
e, antes da festa, queremos falar contigo.
Obrigado pelos dias que nos deste neste ano:
pela vida de cada um que está nesta mesa,
pelo pão que não faltou, pela casa e pelo trabalho,
pelas visitas, pelos abraços e pelas risadas.
(Cada um diz, em voz alta, uma coisa pela qual quer agradecer.)
Obrigado também porque, nos dias difíceis,
na doença, no aperto do fim do mês, na saudade,
tu não nos deixaste sozinhos.
Perdoa, Senhor, o que neste ano não foi amor:
a palavra dura, o silêncio emburrado, a visita que não fizemos,
o bem que ficou para amanhã e não aconteceu.
Antes da meia-noite, queremos fazer as pazes uns com os outros.
Guarda junto de ti os nossos que já partiram, sobretudo os que perdemos neste ano.
(Digam os nomes.)
Dá a eles o descanso eterno
e consola o coração de quem ficou.
Abençoa quem passa esta noite longe de casa,
no hospital, no plantão, na estrada ou sozinho,
e quem não tem motivo para festejar.
Agora te entregamos o ano que vai nascer.
Não te pedimos sorte, Senhor: pedimos a tua companhia.
Que não falte trabalho a quem precisa, nem pão nesta mesa,
nem paciência dentro desta casa.
Dá-nos fé nos dias bons e nos dias ruins
e um coração atento a quem precisar de nós.
Que Nossa Senhora, a Mãe de Deus, nos acompanhe a cada dia.
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém.
Te Deum
O hino de ação de graças da Igreja. Pode ser rezado em dois coros, um verso cada; o texto em latim está mais abaixo, no capítulo “O Te Deum”.
A vós, ó Deus, louvamos;
a vós proclamamos Senhor.
A vós, Pai eterno,
a terra inteira venera.
A vós todos os anjos,
a vós os céus e todas as potestades,
a vós os querubins e os serafins
aclamam com voz que não se cala:
Santo, Santo, Santo,
Senhor Deus dos exércitos.
O céu e a terra estão cheios
da vossa glória e da vossa majestade.
A vós louva o coro glorioso dos apóstolos,
a vós, a multidão dos profetas, digna de louvor,
a vós, o exército dos mártires vestidos de branco.
A vós, por toda a extensão da terra,
a santa Igreja reconhece:
Pai de majestade sem medida;
o vosso verdadeiro e único Filho, digno de toda reverência;
e também o Espírito Santo, o Paráclito.
Vós sois o Rei da glória, ó Cristo.
Vós sois do Pai o Filho eterno.
Vós, para libertar o homem, tomastes a nossa carne
e não recusastes o ventre da Virgem.
Vós vencestes o aguilhão da morte
e abristes aos que creem o Reino dos céus.
À direita de Deus estais sentado,
na glória do Pai.
E vireis como juiz: assim o cremos.
Por isso vos suplicamos: vinde em socorro dos vossos servos,
que resgatastes com o vosso sangue precioso.
Fazei que sejam contados com os vossos santos
na glória eterna.
(Daqui até o fim, esta parte pode ser omitida.)
Senhor, salvai o vosso povo
e abençoai os que são a vossa herança.
Guiai-os e exaltai-os
até a eternidade.
Dia após dia nós vos bendizemos
e louvamos o vosso nome pelos séculos
e pelos séculos dos séculos.
Neste dia, Senhor, dignai-vos
guardar-nos sem pecado.
Tende compaixão de nós, Senhor,
tende compaixão de nós.
Senhor, que a vossa misericórdia esteja sobre nós,
assim como em vós esperamos.
Em vós, Senhor, esperei:
nunca serei decepcionado.
Para começar o ano novo
No dia 1º de janeiro, solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus: de manhã, ou na volta da Missa.
Deus, nosso Pai, Senhor do tempo e da história,
hoje abrimos um ano novo ao lado de Maria, a Mãe do teu Filho.
Ela guardava tudo no coração:
ensina-nos a guardar também o que nos deres neste ano.
Abençoa os dias que vêm:
o trabalho e a escola, a mesa e o descanso,
as alegrias e as preocupações.
Dá a tua paz à nossa casa, ao Brasil e ao mundo inteiro,
e faz com que, no fim deste ano, tenhamos de novo tanto a agradecer.
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém.
Texto AngelGuard: a oração de fim de ano em família e a oração para começar o ano novo, escritas para esta página. O Te Deum é Tradução AngelGuard do hino latino, verso por verso; o texto latino, como a Santa Sé o imprime, está no capítulo “O Te Deum”.
A oração para o Ano Novo é, antes de tudo, um agradecimento a Deus pelo ano que termina. Nela, a família agradece o que recebeu, pede perdão, lembra os que partiram e entrega a Deus o ano que começa. A oração da Igreja para a virada é o Te Deum, o hino de ação de graças cantado em 31 de dezembro. No AngelGuard você encontra uma oração de fim de ano para rezar em família, o Te Deum completo em português e em latim e uma oração para o dia 1º de janeiro.
Aprofundar
Qual oração rezar na virada do ano?
3 min de leituraNa virada do ano, a oração mais cristã é a de agradecimento.
Na virada do ano, a oração mais cristã é a de agradecimento. Não existe uma oração obrigatória para a noite de 31 de dezembro, mas a Igreja tem a sua há muitos séculos: o Te Deum, o hino com que ela agradece a Deus pelo ano que termina. No alto da página estão as duas: uma oração de fim de ano para rezar em família, escrita para esta página, e o Te Deum completo em português, com o latim no capítulo seguinte. Para a manhã de 1º de janeiro há uma terceira, mais curta.
Uma boa oração de Ano Novo tem quatro movimentos. São os mesmos do exame de cada noite, só que com o ano inteiro diante de Deus:
- Agradecer, com nome e sobrenome: o emprego que chegou, o exame que deu bom resultado, o neto que nasceu, a briga que terminou em abraço.
- Pedir perdão pelo que não foi amor, sem transformar a noite num tribunal: basta reconhecer diante de Deus o que pesa.
- Entregar as pessoas: os que morreram neste ano, os que estão longe, os doentes, quem vai passar a virada sozinho ou trabalhando.
- Confiar o ano novo a Deus, não como quem faz uma lista de pedidos, mas como um filho que se coloca nas mãos do Pai.
O Catecismo ensina, com São Paulo, que toda alegria e todo sofrimento, todo acontecimento e toda necessidade podem virar matéria de ação de graças (CIC 2648; cf. 1Ts 5,18). Por isso ninguém precisa ter tido um ano bom para agradecer. Também se agradece a Deus por não ter soltado a nossa mão quando o ano foi duro: a doença, o desemprego, o luto. A oração da página diz isso com todas as letras.
Se alguém da família morreu neste ano. A primeira virada sem essa pessoa costuma doer, e a festa lá fora pode deixar a dor ainda mais forte. Dizer o nome dela diante de Deus, no momento da oração em que se lembram os que partiram, é um jeito de tê-la presente à mesa. Se quiser rezar um pouco mais por ela, a oração pelos falecidos traz o “Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno” e outras orações para esse momento.
Se você vai passar a virada sozinho. A mesma oração serve: troque “nós” por “eu” onde for preciso. E você está menos sozinho do que parece. Nessa noite, em catedrais, paróquias e casas do mundo inteiro, a Igreja agradece a Deus com as mesmas palavras do Te Deum.
O Te Deum: o que é, o que significa e de onde vem
4 min de leituraO Te Deum é o grande hino de louvor e de ação de graças da Igreja latina.
O Te Deum é o grande hino de louvor e de ação de graças da Igreja latina. O nome são as duas primeiras palavras em latim, Te Deum, “a vós, Deus”. O verso inteiro, Te Deum laudamus, quer dizer “A vós, ó Deus, louvamos”.
O que ele diz. O hino tem três partes. Primeiro vem o louvor ao Pai: os anjos, os apóstolos, os profetas, os mártires e a Igreja espalhada pela terra cantam juntos o “Santo, Santo, Santo” que o profeta Isaías ouviu no templo (Is 6,3; Ap 4,8). Depois vem a fé em Cristo: Rei da glória, Filho eterno do Pai, nascido da Virgem para nos libertar, vencedor da morte, sentado à direita de Deus, que virá como juiz. Por fim vem a súplica: que ele socorra os seus servos, resgatados pelo seu sangue, e os conte entre os seus santos na glória eterna. Seguem-se alguns versos tirados quase todos dos Salmos (Sl 28(27),9; 145(144),2; 123(122),3; 33(32),22; 31(30),2), que pedem que Deus nos guarde hoje sem pecado e que a sua misericórdia esteja sobre nós. Essa parte final, a partir de “Senhor, salvai o vosso povo”, pode ser omitida (Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas, n. 68).
Duas palavras para explicar às crianças. “Paráclito” é o nome que Jesus dá ao Espírito Santo: quer dizer “aquele que é chamado para junto”, e costuma ser traduzido por “Consolador” (CIC 692). E “Senhor Deus dos exércitos”, em latim Dominus Deus Sabaoth, é um nome de Deus que vem da Bíblia hebraica, o mesmo do “Santo, Santo, Santo” de Isaías: o Senhor de tudo o que existe no céu.
Quando se reza. O lugar dele em cada semana é o Ofício das Leituras da Liturgia das Horas: o Te Deum vem depois da segunda leitura aos domingos fora da Quaresma, nas oitavas da Páscoa e do Natal e nas solenidades e festas (n. 68). E é cantado de modo solene quando a Igreja quer agradecer em grande, sobretudo no último dia do ano.
O texto em latim. É assim que a Santa Sé o imprime para a celebração de 31 de dezembro na Basílica de São Pedro, com os acentos que ajudam no canto. Cada verso corresponde a uma linha da nossa tradução, para que um grupo possa rezar em latim, em português ou alternando os dois:
Te Deum laudámus:
te Dóminum confitémur.
Te ætérnum Patrem,
omnis terra venerátur.
Tibi omnes ángeli,
tibi cæli et univérsæ potestátes:
tibi chérubim et séraphim
incessábili voce proclámant:
Sanctus, Sanctus, Sanctus,
Dóminus Deus Sábaoth.
Pleni sunt cæli et terra
maiestátis glóriæ tuæ.
Te gloriósus apostolórum chorus,
te prophetárum laudábilis númerus,
te mártyrum candidátus laudat exércitus.
Te per orbem terrárum
sancta confitétur Ecclésia,
Patrem imménsæ maiestátis;
venerándum tuum verum et únicum Fílium;
Sanctum quoque Paráclitum Spíritum.
Tu rex glóriæ, Christe.
Tu Patris sempitérnus es Fílius.
Tu, ad liberándum susceptúrus hóminem,
non horruísti Vírginis úterum.
Tu, devícto mortis acúleo,
aperuísti credéntibus regna cælórum.
Tu ad déxteram Dei sedes,
in glória Patris.
Iudex créderis esse ventúrus.
Te ergo quǽsumus, tuis fámulis súbveni,
quos pretióso sánguine redemísti.
Ætérna fac cum sanctis tuis
in glória numerári.
Salvum fac pópulum tuum, Dómine,
et bénedic hereditáti tuæ.
Et rege eos, et extólle illos
usque in ætérnum.
Per síngulos dies benedícimus te;
et laudámus nomen tuum in sǽculum,
et in sǽculum sǽculi.
Dignáre, Dómine, die isto
sine peccáto nos custodíre.
Miserére nostri, Dómine,
miserére nostri.
Fiat misericórdia tua, Dómine, super nos,
quemádmodum sperávimus in te.
In te, Dómine, sperávi:
non confúndar in ætérnum.
Quem escreveu? Ninguém sabe com certeza. Uma tradição muito querida conta que Santo Ambrósio e Santo Agostinho o improvisaram, um verso cada, na noite em que Ambrósio batizou Agostinho, em Milão, no ano 387; por isso ele foi chamado de “hino ambrosiano”. Mas essa história só aparece por escrito no fim do século VIII, quatrocentos anos depois, e os estudiosos já não a aceitam.
Desde 1894, quando o beneditino Germain Morin levantou a hipótese, muitos atribuem o hino a Nicetas, bispo de Remesiana, cidade da atual Sérvia, um pastor missionário que morreu por volta do ano 414. Alguns manuscritos antigos, a maioria irlandeses, trazem o nome dele. Também isso não é certo, e outros estudiosos discordam. O que se sabe é que o hino é muito antigo: no século VI ele já aparece nas regras monásticas de São Cesário de Arles e de São Bento, que manda o abade entoá-lo na parte final do ofício noturno de domingo (Regra de São Bento, cap. 11). Há mais de mil e quatrocentos anos, os cristãos agradecem a Deus com estas palavras.
A indulgência do Te Deum em 31 de dezembro
3 min de leituraNo último dia do ano, quem participa com devoção, numa igreja ou num oratório, do canto ou da recitação solene do Te Deum, para agradecer a Deus os benefícios recebidos ao longo do ano, pode ganhar uma indulgência plenária.
No último dia do ano, quem participa com devoção, numa igreja ou num oratório, do canto ou da recitação solene do Te Deum, para agradecer a Deus os benefícios recebidos ao longo do ano, pode ganhar uma indulgência plenária. A mesma concessão dá indulgência plenária, no primeiro dia do ano, a quem participa, também numa igreja ou oratório, do canto ou da recitação solene do Veni Creator, o hino “Vinde, Espírito Criador”, para pedir a ajuda de Deus para o ano que começa; e o mesmo vale na solenidade de Pentecostes. É o que diz o livro oficial das indulgências da Santa Sé, o Enchiridion indulgentiarum (4ª edição, 1999, concessão 26, § 1).
E em casa? Se a família rezar o Te Deum em casa, na noite de 31 ou em qualquer outro dia, pode ganhar uma indulgência parcial. O mesmo livro a concede a quem, no começo ou no fim do dia, ao começar ou terminar o trabalho, e antes ou depois das refeições, reza com devoção uma oração aprovada de súplica ou de ação de graças, e dá como exemplos o Te Deum e o Veni Creator (concessão 26, § 2). Para a indulgência, uma oração rezada em outra língua precisa ser uma tradução aprovada pela Igreja (norma 22): rezem o Te Deum em latim, que está no capítulo anterior, ou na versão da Liturgia das Horas. A nossa tradução serve para entender o hino e rezar com ele. A indulgência parcial supõe, pelo menos, um coração arrependido (norma 4): não é prêmio por repetir palavras.
As condições da plenária. São as de sempre: a confissão sacramental, a comunhão eucarística e uma oração nas intenções do Papa, e estar livre de todo apego a qualquer pecado, mesmo venial (norma 20, § 1). Para a oração pelo Papa, basta um Pai-Nosso e uma Ave-Maria (norma 20, § 5). As condições podem ser cumpridas alguns dias antes ou depois; o ideal é que a comunhão e a oração pelo Papa sejam no mesmo dia (norma 20, § 3). Se faltar alguma coisa, a indulgência é parcial (norma 20, § 4): rezar nunca é tempo perdido.
Uma por dia. Só se ganha uma indulgência plenária por dia (norma 18, § 1). Como 31 de dezembro e 1º de janeiro são dois dias diferentes, dá para ganhar a do Te Deum numa noite e a do Veni Creator no dia seguinte, com uma comunhão e uma oração pelo Papa para cada uma; uma única confissão serve para as duas (norma 20, § 2). E toda indulgência, plenária ou parcial, pode ser ganha para si mesmo ou aplicada aos falecidos (norma 3): um jeito muito concreto de rezar por quem morreu neste ano.
1º de janeiro: Santa Maria, Mãe de Deus, e Dia Mundial da Paz
3 min de leituraO ano civil começa com uma festa de Nossa Senhora.
O ano civil começa com uma festa de Nossa Senhora. No dia 1º de janeiro, oitavo dia do Natal, a Igreja celebra a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. O Menino que nasceu em Belém é o Filho eterno do Pai, e por isso a Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (CIC 495). O Evangelho da Missa desse dia conta a visita dos pastores e lembra que Maria guardava todas essas coisas e as meditava no coração (Lc 2,16-21).
No Brasil, é dia santo de guarda. Pela legislação complementar da CNBB ao Código de Direito Canônico, aprovada pela Santa Sé, os dias de preceito no Brasil, além dos domingos, são quatro: o Natal, Santa Maria Mãe de Deus, Corpus Christi e a Imaculada Conceição. Em 1º de janeiro, portanto, o católico tem o compromisso de participar da Missa (cân. 1246-1247). E cumpre o preceito quem vai à Missa no próprio dia ou na tarde do dia anterior (cân. 1248, § 1): a Missa da tarde ou da noite de 31 de dezembro vale para o dia 1º. Em muitas cidades, catedrais e paróquias celebram nessa noite uma Missa pelo Ano Novo, e algumas fazem a virada na igreja, com Missa e adoração ao Santíssimo. Os horários mudam de lugar para lugar: confira na sua paróquia.
No calendário, 31 de dezembro de 2026 cai numa quinta-feira e 1º de janeiro de 2027, numa sexta-feira. Nessa sexta não vale a abstinência de carne, porque é solenidade (cân. 1251).
Dia Mundial da Paz. O 1º de janeiro é também o Dia Mundial da Paz. Foi São Paulo VI quem convidou todos os homens de boa vontade a celebrar o “Dia da Paz” no primeiro dia do ano civil, a começar em 1º de janeiro de 1968, com o desejo de que ele se repetisse a cada ano. Desde então, o Papa escreve todos os anos uma mensagem para esse dia, e o de 1º de janeiro de 2027 será o 60º. Por isso a oração “Para começar o ano novo”, no alto da página, pede a paz para a nossa casa, para o Brasil e para o mundo inteiro.
Para a Igreja, o ano já começou. O ano litúrgico começa no primeiro domingo do Advento, 29 de novembro de 2026, e a noite de 31 de dezembro ainda é Natal: é o sétimo dia da oitava. Se em dezembro a sua família acendeu a coroa do Advento ou rezou a novena de Natal, a oração de fim de ano é a continuação natural: a mesma família, reunida outra vez para agradecer. E, no dia da Mãe de Deus, uma Ave-Maria rezada juntos na volta da Missa é um jeito simples de entregar o ano a ela.
Réveillon, simpatias e fé: o que o cristão faz na virada
3 min de leituraO Réveillon brasileiro tem os seus costumes: a roupa branca, os fogos à meia-noite, pular sete ondas na praia, comer lentilha para ter fartura, guardar sementes de romã na carteira, escolher a cor da roupa conforme o desejo para o ano.
O Réveillon brasileiro tem os seus costumes: a roupa branca, os fogos à meia-noite, pular sete ondas na praia, comer lentilha para ter fartura, guardar sementes de romã na carteira, escolher a cor da roupa conforme o desejo para o ano. Muita gente faz isso como brincadeira, entre risadas, sem acreditar muito. Não é caso de fazer drama.
Mas vale dizer com carinho e com clareza: são costumes, não orações. Nenhum deles traz sorte, amor ou dinheiro, nem muda o que vai acontecer no ano. Quando alguém passa a acreditar que um gesto ou um objeto tem esse poder, isso tem nome na fé cristã: superstição. O Catecismo a descreve como um desvio do sentimento religioso, que dá a certas práticas uma importância “de algum modo mágica” (CIC 2111), e pede que se rejeite também a interpretação de presságios e de sortes (CIC 2116). O mesmo vale para as simpatias e para as mensagens que circulam no celular para “decretar” prosperidade no ano novo, mesmo quando vêm com cara de oração. A oração cristã não decreta nem obriga Deus: ela louva, agradece, pede e confia.
A roupa branca e as sete ondas. Vale saber de onde vêm. Segundo a explicação mais citada, o branco se espalhou pelo Réveillon nos anos 1970, quando membros do candomblé faziam oferendas na praia de Copacabana e quem passava achou a roupa bonita. Pular sete ondas, fazendo um pedido a cada uma, está ligado à umbanda e às homenagens a Iemanjá. Para quem pratica essas religiões, são gestos religiosos, e as pessoas merecem respeito. Para o cristão, a pergunta é simples: a quem eu estou pedindo? Vestir branco é só uma roupa, e não há nada de errado nela; quem quiser pode até se lembrar, ao vesti-la, da veste branca do batismo. Brincar nas ondas com as crianças também não tem nada de errado. O que não combina com a fé é fazer pedidos às ondas ou oferendas ao mar: os nossos pedidos vão para Deus, e o mar, como todo o resto, é obra das mãos dele.
O que o cristão coloca diante do ano novo é a confiança. O Catecismo diz que a atitude certa do cristão é pôr-se com confiança nas mãos da Providência em tudo o que se refere ao futuro (CIC 2115). Se na sua família tem lentilha na ceia, comam com gosto: é comida boa e mesa partilhada. Os desejos para o ano já foram ditos a Deus na oração, e estão em boas mãos.
Um costume de gratidão. Há também tradições cristãs de fim de ano bem brasileiras. Em Salvador, numa das últimas sextas-feiras do ano (a Basílica anuncia a data), milhares de pessoas sobem a colina da Basílica do Senhor do Bonfim para a Sexta-feira da Gratidão, com Missas do começo da manhã ao fim da tarde, para agradecer pelo ano que passou. É o mesmo espírito do Te Deum: antes de pedir, agradecer.
Como rezar em família na virada do ano
3 min de leituraNão precisa de muito tempo: dez a quinze minutos bastam.
Não precisa de muito tempo: dez a quinze minutos bastam. O melhor é rezar antes da ceia ou um pouco antes da meia-noite, quando ainda há calma, e não no último minuto, entre a contagem regressiva e os fogos. Desliguem a televisão, deixem o celular de lado por um momento e, se quiserem, acendam uma vela na mesa ou diante do presépio, se ele ainda estiver montado. Uma ordem simples:
- O sinal da cruz. Quem conduz (o pai, a mãe, a avó ou um dos filhos mais velhos) começa, e todos fazem junto.
- Um minuto de silêncio. Cada um pensa no ano: o que Deus deu, o que custou, quem quer entregar a ele.
- A oração de fim de ano, a do alto da página. Na pausa, cada um diz em voz alta uma coisa pela qual agradece; as crianças pequenas também, mesmo que seja “pelo meu cachorro”, que é um agradecimento perfeitamente bom. Depois se dizem os nomes dos que já partiram, sobretudo os deste ano.
- O Te Deum, em dois coros: os adultos rezam um verso e as crianças o seguinte, ou um lado da mesa e o outro. Com crianças muito pequenas, dá para rezar só até “na glória eterna”, ou trocar o Te Deum por um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.
- A bênção. Se na sua família os filhos pedem a bênção aos pais e aos avós, esta noite é um bom momento para pedir e para dar. O pai ou a mãe faz uma cruz na testa de cada filho e diz, com as próprias palavras, algo como “Deus te abençoe e te acompanhe neste ano”.
- O abraço da paz. E, se ficou alguma coisa mal resolvida entre vocês, este é o momento de acertar, antes de o ano começar.
Na hora dos fogos. Quando a contagem regressiva terminar, a oração já foi feita. Mas nada impede que, no meio dos abraços, a família faça junta o sinal da cruz assim que o ano virar, ou que alguém diga em voz alta: “Feliz ano novo, e que Deus esteja com a gente.” É um jeito simples de lembrar quem é o Senhor do tempo.
Se vocês vão à Missa. Há paróquias que cantam o Te Deum na noite de 31, depois da Missa ou diante do Santíssimo. Pergunte na sua. Quem vai à Missa da noite pode rezar a oração de fim de ano na volta, já em casa.
No dia 1º. De manhã, ou na volta da Missa, rezem a oração “Para começar o ano novo”, a última do alto da página. Se quiserem um salmo para abrir o ano, o Salmo 121 promete que o Senhor guarda a nossa saída e a nossa entrada, agora e para sempre (Sl 121(120),8).
Perguntas
Qual é a oração para o Ano Novo?
Não existe uma oração única e obrigatória. A oração da Igreja para a virada do ano é o Te Deum, o hino de ação de graças cantado em 31 de dezembro. Em casa, a família pode rezar uma oração de fim de ano que agradeça pelo ano que passou, peça perdão, lembre os que partiram e entregue a Deus o ano novo, como a oração desta página.
Que horas rezar a oração de Ano Novo?
Não há hora marcada. O mais prático é rezar antes da ceia ou um pouco antes da meia-noite, quando a família está reunida e ainda há calma. Na hora da virada, basta fazer juntos o sinal da cruz. Quem vai à Missa da noite de 31 pode rezar na volta, já em casa.
O que significa Te Deum?
“A vós, Deus.” São as duas primeiras palavras em latim do hino, que começa “Te Deum laudamus”, “A vós, ó Deus, louvamos”. Por isso o hino se chama Te Deum, e por isso também se chama assim a celebração em que ele é cantado.
Como rezar o Te Deum?
Em dois coros: um grupo reza um verso e o outro responde com o seguinte, até o fim. Pode ser em português ou em latim; nesta página estão os dois, verso por verso. A última parte, a partir de “Senhor, salvai o vosso povo”, pode ser omitida.
O Te Deum dá indulgência plenária?
Em 31 de dezembro, sim, para quem participa com devoção do canto ou da recitação solene do Te Deum numa igreja ou oratório, para agradecer a Deus pelo ano, com as condições habituais: confissão, comunhão e oração nas intenções do Papa. Rezado em casa, em latim ou numa tradução aprovada, como a da Liturgia das Horas, o Te Deum tem indulgência parcial.
1º de janeiro é dia santo de guarda?
No Brasil, sim. A solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, é um dos quatro dias de preceito do país além dos domingos, junto com o Natal, Corpus Christi e a Imaculada Conceição. Cumpre o preceito quem vai à Missa no dia 1º ou na tarde ou noite de 31 de dezembro.
É pecado pular sete ondas ou usar branco no Réveillon?
Usar branco, não: é só uma roupa. Pular ondas brincando, com a família, também não. O que não combina com a fé cristã é acreditar que as ondas ou a cor da roupa trazem sorte, o que a Igreja chama de superstição (CIC 2111), ou fazer pedidos e oferendas a Iemanjá, que são gestos de outra religião: merecem respeito, mas não são o caminho do cristão. O cristão faz os seus pedidos a Deus e confia a ele o ano novo.
Qual salmo rezar no Ano Novo?
A Igreja não marca um salmo próprio para a virada, mas alguns combinam muito com ela: o Salmo 65 (64), que louva a Deus porque ele coroa o ano com a sua bondade; o Salmo 90 (89), que pede a Deus que nos ensine a contar os nossos dias; e o Salmo 121 (120), que promete que o Senhor guarda a nossa saída e a nossa entrada.


