
Oração
Oração pelos enfermos: em casa e no hospital
A oração pelos enfermos coloca quem sofre nas mãos de Deus e pede saúde e paz.
Deus eterno e todo-poderoso,
saúde eterna dos que creem:
ouvi a nossa oração pelos vossos servos enfermos,
pelos quais imploramos o auxílio da vossa misericórdia,
para que, recuperada a saúde,
vos deem graças na vossa Igreja.
Ó Deus, amparo singular da fraqueza humana,
mostrai o poder do vosso auxílio sobre os vossos servos enfermos,
para que, sustentados pela vossa misericórdia,
possam voltar sãos e salvos à vossa santa Igreja.
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém.
Tradução AngelGuard, do latim, da coleta e da pós-comunhão da Missa pelos enfermos (“Missa pro infirmis”) do Missal Romano, segundo a edição de Tournai, 1889, pp. 73*-74*.
A oração pelos enfermos coloca quem sofre nas mãos de Deus e pede saúde e paz. A que a Igreja rezou durante séculos na Missa pelos enfermos começa assim: “Deus eterno e todo-poderoso, saúde eterna dos que creem: ouvi a nossa oração pelos vossos servos enfermos”. Você pode rezá-la em casa, ao lado do leito do hospital ou de longe, e, se a doença for grave, chame também o padre para a Unção dos Enfermos. No AngelGuard você a encontra em tradução nossa do latim, com a forma para um só doente, uma oração para a família, o que rezar por um doente grave e a quais santos recorrer.
Aprofundar
A oração da Igreja para os enfermos, frase por frase
4 min de leituraA oração do alto desta página reúne duas orações que a Igreja rezava na Missa pelos enfermos do Missal Romano, celebrada durante séculos para pedir por eles: a primeira abria a Missa, e a segunda a encerrava, depois da comunhão.
A oração do alto desta página reúne duas orações que a Igreja rezava na Missa pelos enfermos do Missal Romano, celebrada durante séculos para pedir por eles: a primeira abria a Missa, e a segunda a encerrava, depois da comunhão. Aqui ela está em tradução nossa do latim, feita a partir de uma edição do Missal impressa em 1889. As mesmas duas orações estão no antigo Ritual Romano, o livro do padre, no capítulo sobre a visita e o cuidado dos enfermos: o padre as rezava ao lado da cama, com o nome do doente.
Por todos os enfermos, ou por um só. O Missal escreve a oração no plural, por todos os doentes, e acrescenta uma nota em letra vermelha: se for por um só, diga-se sempre no singular (Si fuerit pro uno tantum, dicatur semper in singulari). Então você pode rezá-la por todos os doentes da sua família, da sua paróquia ou do hospital, ou por uma só pessoa, com o nome dela. Mais abaixo está a forma para um só doente.
“Deus eterno e todo-poderoso, saúde eterna dos que creem.” Em latim, salus aeterna credentium. A palavra salus quer dizer, ao mesmo tempo, saúde e salvação. É a mesma palavra que a Igreja usa quando chama Nossa Senhora de Saúde dos Enfermos. A oração pede a saúde do corpo, mas chama Deus, antes de tudo, de saúde eterna, aquela que ninguém nos tira.
“Ouvi a nossa oração pelos vossos servos enfermos, pelos quais imploramos o auxílio da vossa misericórdia.” A oração não se apoia nos nossos méritos nem na força das palavras, mas na misericórdia de Deus. E diz “nossa”: mesmo rezando sozinho, você reza com a Igreja inteira.
“Para que, recuperada a saúde, vos deem graças na vossa Igreja.” Pede a cura com simplicidade e lhe dá um destino: voltar à igreja para agradecer. O Ritual pedia ao padre que, se o doente se recuperasse, o animasse a ir, antes de tudo, à igreja agradecer a Deus a saúde recebida e comungar.
“Ó Deus, amparo singular da fraqueza humana.” A segunda oração olha de frente a nossa fragilidade: o corpo cansa, adoece e envelhece. E lembra que Deus é o abrigo dessa fraqueza, não o seu inimigo.
“Mostrai o poder do vosso auxílio sobre os vossos servos enfermos, para que, sustentados pela vossa misericórdia, possam voltar sãos e salvos à vossa santa Igreja.” O doente não está fora da Igreja: a oração pede que ele volte à comunidade, à Missa de domingo, ao seu lugar no banco. O Catecismo diz que a Igreja cumpre o mandato de Jesus, “Curai os enfermos!”, tanto pelos cuidados que dispensa aos doentes como pela oração de intercessão com que os acompanha (CIC 1509).
Para um só doente. Esta é a forma no singular, tradução nossa do Ritual Romano. Diga o nome no lugar de N.:
Deus eterno e todo-poderoso,
saúde eterna dos que creem:
ouvi a nossa oração por N., vosso servo enfermo (vossa serva enferma),
pelo qual (pela qual) imploramos o auxílio da vossa misericórdia,
para que, recuperada a saúde,
vos dê graças na vossa Igreja.
Ó Deus, amparo singular da fraqueza humana,
mostrai o poder do vosso auxílio sobre N.,
para que, com a ajuda da vossa misericórdia,
possa voltar são e salvo (sã e salva) à vossa santa Igreja.
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém.
É a mesma oração, passada para o singular como o Missal manda e como a traz o Ritual Romano. Se você não sabe se reza no plural ou no singular, não se preocupe: Deus entende as duas. Você pode rezar a forma no plural à mesa, por todos os seus doentes, e a forma no singular ao lado da cama de um deles.
Como rezar por um doente em casa e no hospital
4 min de leituraPara rezar por um doente, basta colocar o nome dele diante de Deus, com poucas palavras, e ficar ao seu lado.
Para rezar por um doente, basta colocar o nome dele diante de Deus, com poucas palavras, e ficar ao seu lado. Você não precisa ser padre nem saber orações longas. O próprio Ritual Romano previa que, quando o pároco não conseguisse visitar todos os doentes, leigos piedosos e cheios de caridade cristã o fizessem por ele. Visitar os enfermos é uma obra de misericórdia, e Jesus disse que, neles, é a ele que visitamos (Mt 25,36).
Poucas palavras, bem escolhidas. O Ritual aconselhava o padre a propor ao doente orações curtas: versículos dos salmos, o Pai-Nosso, a Ave-Maria, o Creio, uma lembrança da Paixão do Senhor. E pedia que fizesse isso com discrição, para que o doente sentisse alívio, e não incômodo. É um bom conselho para a família: um doente cansado não precisa de um terço inteiro em voz alta às onze da noite. Um Pai-Nosso devagar, uma Ave-Maria, uma bênção e silêncio.
Frases curtas para o dia. Você pode repeti-las no corredor, na sala de espera ou enquanto dá a comida na boca:
- “Senhor, tende piedade de N.”
- “Jesus, eu confio em vós.”
- “Nossa Senhora, Saúde dos Enfermos, rogai por ele” (ou “por ela”).
- “Senhor, olhai para N., vosso amigo, que está doente”, como Marta e Maria, que mandaram avisar Jesus de que o amigo dele, Lázaro, estava doente (cf. Jo 11,3).
Em casa. Deixe à vista do doente um crucifixo e uma imagem de Nossa Senhora ou do santo de devoção dele, como pedia o Ritual, e tenha água benta à mão. Reze com ele quando estiver acordado e tranquilo, não quando a dor aperta ou ele está esgotado. Se ele quiser comungar, peça na paróquia que levem a Comunhão: um padre ou um ministro extraordinário da Sagrada Comunhão pode ir até a casa. Enquanto isso, ele pode fazer a comunhão espiritual.
No hospital. Pergunte no posto de enfermagem se o hospital tem capelão, capela ou uma equipe da Pastoral da Saúde que visita os quartos. Respeite os horários e o que os médicos e a equipe de enfermagem pedirem. Na UTI as visitas são curtas: use esses minutos para segurar a mão dele, dizer quem você é e rezar em voz baixa. No hospital, não acenda velas; a oração não precisa delas.
Se ele já não consegue falar. Talvez esteja sedado, muito fraco ou já não reconheça ninguém. Reze você por ele, em voz baixa e calma, como se ele estivesse ouvindo. Diga o nome dele, segure a sua mão, faça o sinal da cruz na testa dele, como quem dá a bênção. Reze as orações que ele aprendeu na infância: o Pai-Nosso, a Ave-Maria, o Santo Anjo do Senhor. Não é preciso encher o silêncio; a sua presença já é oração.
A palavra de São Tiago. A carta de Tiago diz que, se alguém está doente, chame os presbíteros da Igreja para que rezem por ele e o unjam com óleo em nome do Senhor (Tg 5,14-15). A oração da família prepara esse momento; não o substitui. Isso está explicado no próximo capítulo.
Esta oração é para rezar em família, ao lado da cama ou de longe. Diga o nome do doente no lugar de N.:
Senhor Jesus,
vós entrastes na casa de Pedro
e tomastes pela mão a sua sogra doente.
Entrai hoje nesta casa (ou neste quarto de hospital)
e ficai junto de N.
Vós conheceis a sua dor, o seu cansaço e o seu medo,
mesmo quando não consegue dizê-los.
Aliviai o que dói, dai-lhe descanso à noite
e, se for da vossa vontade, devolvei-lhe a saúde.
Abençoai as mãos dos médicos e dos enfermeiros,
e a nós, que estamos ao seu lado, dai paciência, ternura e força.
Que nunca lhe falte a vossa companhia nem a nossa.
Nossa Senhora, Saúde dos Enfermos, rogai por nós.
Amém.
Texto AngelGuard: oração escrita para esta página. A cena do começo está no Evangelho: Jesus tomou pela mão a sogra de Pedro, a febre a deixou, e ela se pôs a servi-los (Mc 1,29-31). Serve para um pai no hospital, para uma avó acamada ou para um filho doente. Se o doente for uma criança, reze com ela com palavras simples e deixe que ela diga a parte dela: “Jesus, cuida de mim”.
A Unção dos Enfermos: o que é, quem recebe e quando chamar o padre
4 min de leituraA Unção dos Enfermos é o sacramento pelo qual a Igreja encomenda os doentes graves ao Senhor, sofredor e glorificado, para que os alivie e os salve (CIC 1499; Código de Direito Canônico, cân.
A Unção dos Enfermos é o sacramento pelo qual a Igreja encomenda os doentes graves ao Senhor, sofredor e glorificado, para que os alivie e os salve (CIC 1499; Código de Direito Canônico, cân. 998). O padre unge o doente com óleo abençoado na testa e nas mãos e reza por ele (CIC 1531). É a oração própria da Igreja pelo doente grave, a “oração da fé” de que fala São Tiago (Tg 5,15), e não é só para quem está morrendo.
Quem pode receber? O católico que já tem uso da razão e começa a estar em perigo por doença ou por velhice (cân. 1004 § 1; CIC 1514). Não é preciso esperar o último momento: o Catecismo diz que a Unção “não é sacramento só dos que estão prestes a morrer”. Pode ser recebida de novo se o doente se recupera e volta a adoecer gravemente, ou se, na mesma doença, o perigo aumenta (cân. 1004 § 2; CIC 1515). É conveniente recebê-la antes de uma cirurgia importante, e também os idosos cujas forças se enfraquecem podem recebê-la (CIC 1515). Uma criança que já tem uso da razão pode receber a Unção.
E se ele já não está consciente? O sacramento é dado ao doente que, quando estava em posse das suas faculdades, o pediu pelo menos de modo implícito (cân. 1006), por exemplo porque vivia a sua fé. E, na dúvida sobre se ele chegou ao uso da razão, se está gravemente doente ou se já faleceu, o padre administra o sacramento (cân. 1005). Quando a morte já é certa, o sacramento não é dado, mas o padre reza pelo falecido e acompanha a família: chame-o também nessa hora.
Quem dá a Unção? Só o padre (cân. 1003; CIC 1516). Um diácono, uma religiosa ou um ministro extraordinário da Comunhão podem visitar, rezar e levar a Comunhão, mas não dão a Unção.
O que o sacramento dá? O Catecismo enumera os seus efeitos: une o doente à paixão de Cristo, para o seu bem e o de toda a Igreja; dá conforto, paz e coragem para suportar a doença ou a velhice; perdoa os pecados, se o doente não pôde se confessar; restabelece a saúde do corpo, se isso convier à salvação; e prepara a passagem para a vida eterna (CIC 1532). A primeira graça é de reconforto, de paz e de coragem, que renova a confiança em Deus e dá força contra o desânimo e a angústia (CIC 1520).
Quando chamar o padre. Quando o médico disser que a doença é grave, antes de uma cirurgia de grande porte, quando um avô vai se apagando, quando alguém é internado na UTI. O Código de Direito Canônico pede expressamente aos pastores e aos familiares do doente que cuidem para que ele receba este sacramento no tempo oportuno (cân. 1001). Chamar o padre não é desistir nem assustar o doente: é dar a ele a força de Cristo quando mais precisa. Você pode dizer com simplicidade: “O padre vai vir rezar por você e dar a Unção”.
Como pedir. Ligue para a secretaria da sua paróquia ou para a capelania do hospital, ou pergunte no posto de enfermagem pelo capelão. Diga o nome do doente, onde ele está (o endereço ou o hospital, o andar e o leito), se consegue falar e engolir, e se é urgente. Se o doente puder, o padre o confessará antes, e depois da Unção pode lhe dar a Comunhão (CIC 1517). Aos que vão deixar esta vida, a Igreja oferece ainda a Eucaristia como viático, alimento para a viagem (CIC 1524). Em casa, se puder, prepare uma mesinha com uma toalha branca, um crucifixo e água benta.
Se o padre não chegar a tempo. Não se desespere. Reze devagar, junto do doente, o ato de contrição, para que ele possa se unir a ele ao menos no coração: o arrependimento que nasce do amor a Deus, com o desejo de se confessar, alcança o perdão (CIC 1452). Se ele já não consegue responder, reze ao lado dele e entregue-o à misericórdia de Deus. Deus não deixa de ouvir quem o procura, mesmo que o padre se atrase. A página da oração de cura traz mais sobre este sacramento e sobre as missas de cura.
Santos a quem pedir por um doente
3 min de leituraOs santos não substituem Deus nem os médicos: eles rezam conosco e por nós.
Os santos não substituem Deus nem os médicos: eles rezam conosco e por nós. Pedir a intercessão deles é como pedir a um amigo que reze pela sua mãe doente, com a diferença de que eles já estão com Deus. Nenhuma oração a um santo garante uma cura; o que ela garante é que você não reza sozinho. Estes são os mais queridos para pedir pelos enfermos.
Nossa Senhora de Lourdes, Saúde dos Enfermos. Em 1858, em Lourdes, no sul da França, Nossa Senhora apareceu dezoito vezes a uma moça pobre, Bernadette Soubirous; a primeira aparição foi em 11 de fevereiro. Desde então chegam ali doentes do mundo inteiro para rezar e se banhar na água da gruta. O serviço médico do santuário já estudou milhares de curas, e a Igreja reconheceu como milagres pouquíssimas: 72 até abril de 2025. A maioria dos peregrinos não volta curada, e muitos contam que voltam em paz. Em 1992, São João Paulo II quis que o dia 11 de fevereiro, festa de Nossa Senhora de Lourdes, fosse o Dia Mundial do Enfermo. E na ladainha de Nossa Senhora a Igreja chama Maria de Saúde dos Enfermos.
São Rafael Arcanjo. O nome dele quer dizer “Deus cura”. No livro de Tobias, ele acompanha o jovem Tobias na viagem e devolve a vista ao pai dele, que era cego; no fim, apresenta-se como um dos sete anjos que estão diante do Senhor (Tb 12,15). Por isso é invocado pelos doentes, pelos viajantes e pelos médicos. A festa dele é em 29 de setembro, junto com São Miguel e São Gabriel.
São Peregrino Laziosi. Foi um religioso servita de Forlì, na Itália, que morreu em 1345. Segundo a sua história, já idoso, ele teve na perna uma ferida que não sarava, e os médicos iam amputá-la; na noite anterior, rezou diante do crucifixo e amanheceu curado. Foi canonizado em 1726, e muitos doentes de câncer e suas famílias pedem a sua intercessão.
São Camilo de Lellis e São João de Deus. São Camilo (1550-1614) foi soldado e jogador antes de se converter; fundou uma ordem de religiosos dedicados ao cuidado dos doentes, que levam uma cruz vermelha no hábito. No Brasil, os camilianos mantêm hospitais com o nome dele. São João de Deus (1495-1550), nascido em Portugal, abriu em Granada, na Espanha, um hospital para os pobres. Em 1886, o Papa Leão XIII declarou os dois padroeiros dos enfermos e dos hospitais. São bons intercessores para quem cuida: enfermeiros, médicos, técnicos de enfermagem e as filhas que passam a noite numa cadeira ao lado do leito.
São José, padroeiro da boa morte. A tradição conta que ele morreu assistido por Jesus e por Maria. O Catecismo nos convida a nos confiarmos a ele para a hora da nossa morte (CIC 1014), e em 1920 o Papa Bento XV o chamou de o mais eficaz protetor dos moribundos, por ter expirado com a assistência de Jesus e de Maria. Quando a doença já é de fim de vida, a oração a São José acompanha muito bem.
Santa Dulce dos Pobres. Irmã Dulce (1914-1992) passou a vida cuidando de doentes pobres em Salvador, na Bahia, onde começou acolhendo doentes num galinheiro ao lado do convento; dali nasceu o Hospital Santo Antônio. O Papa Francisco a canonizou em 13 de outubro de 2019, e a festa dela é em 13 de agosto. E o Padre Pio, que fundou um hospital, a Casa Alívio do Sofrimento, também é muito procurado por quem tem alguém doente na família.
Oração por um doente grave, e quando a cura não vem
4 min de leituraÀs vezes você reza com toda a sua fé, e a cura não vem.
Às vezes você reza com toda a sua fé, e a cura não vem. A Igreja não foge dessa pergunta. O Catecismo diz que a doença e o sofrimento sempre estiveram entre os problemas mais graves da vida humana, e que na doença o homem experimenta a sua incapacidade, os seus limites, a sua finitude (CIC 1500). Diz também que a doença pode levar à angústia e à revolta contra Deus, mas que muitas vezes leva à busca de Deus, a um regresso a ele (CIC 1501).
Não foi falta de fé. Jesus teve compaixão dos doentes e curou muitos, mas não curou todos: as suas curas eram sinais do Reino e anunciavam uma cura mais profunda, a vitória sobre o pecado e a morte (CIC 1503-1505). E o Catecismo é claro: nem as orações mais fervorosas obtêm sempre a cura de todas as doenças (CIC 1508). São Paulo pediu três vezes ao Senhor que o livrasse de um sofrimento e recebeu esta resposta: basta-lhe a graça de Deus, porque a força de Deus se mostra na fraqueza (2Cor 12,9). Se a pessoa que você ama não se cura, isso não é castigo nem prova de que você rezou mal.
A dor unida a Cristo. Na cruz, Cristo carregou os nossos sofrimentos e lhes deu um sentido novo: unidos à sua paixão, eles podem se tornar participação na sua obra de salvação (CIC 1505, 1521). São João Paulo II escreveu uma carta inteira sobre isso, a Salvifici doloris, sobre o sentido cristão do sofrimento humano, publicada em 11 de fevereiro de 1984. Ninguém precisa procurar a dor nem fingir que não dói. Mas o doente que oferece o que sofre, nem que seja com uma só palavra, não está perdendo tempo: está rezando com Cristo pelos outros (cf. CIC 1521-1522).
Rezar por uma boa morte. Quando os médicos dizem que já não há tratamento que cure, a oração muda, mas não acaba. Pede-se que ele não sofra, que esteja em paz, que receba os sacramentos, que não tenha medo e que a família saiba se despedir. Cuidar com carinho, aliviar a dor e fazer companhia também é um jeito de rezar. Uma jaculatória antiga, que muitas famílias ainda rezam nessa hora, diz: “Jesus, Maria e José, assisti-me na última agonia”. E quando a morte chegar, a oração pelos falecidos acompanha você nos primeiros dias.
Oração por um doente grave. Esta oração é para quando a notícia é dura: um diagnóstico grave, uma cirurgia de emergência, a UTI ou os últimos dias. Diga o nome da pessoa no lugar de N.:
Pai de misericórdia,
N. está muito doente, e nós estamos com medo.
Vós o (a) conheceis desde antes de nascer
e o (a) amais mais do que nós.
Se for da vossa vontade, devolvei-lhe a saúde.
Se não, dai-lhe paz, aliviai a sua dor
e não permitais que se sinta sozinho (sozinha) nem por um momento.
Que receba a tempo a força dos vossos sacramentos.
Perdoai os seus pecados e os nossos.
Ensinai-nos a acompanhá-lo (acompanhá-la) com amor até o fim
e, quando chegar a sua hora, recebei-o (recebei-a) na vossa casa.
Nossa Senhora, Saúde dos Enfermos,
São José, padroeiro da boa morte,
rogai por ele (por ela).
Amém.
Texto AngelGuard: oração escrita para esta página. Você pode rezá-la ao lado do leito, na sala de espera ou em casa. Se a doença se prolongar, o Salmo 23, o salmo do Bom Pastor, e o Terço da Misericórdia são boa companhia nas noites longas. E não se esqueça de cuidar de você: comer, dormir um pouco e deixar que outros ajudem também faz parte de cuidar de um doente.
Perguntas
Qual é a oração mais poderosa para um doente?
Nenhuma oração tem poder por causa das palavras: quem cura é Deus, e ele ouve toda oração feita com fé. O Catecismo chama de superstição atribuir a eficácia de uma oração só às palavras (CIC 2111). Para um doente grave, a Igreja tem o sacramento da Unção dos Enfermos, dado pelo padre, e você pode pedir na paróquia que seja celebrada uma Missa pela saúde dele. Em casa, você pode rezar a oração que a Igreja rezava na Missa pelos enfermos: “Deus eterno e todo-poderoso, saúde eterna dos que creem: ouvi a nossa oração pelos vossos servos enfermos…”.
Qual oração rezar por um doente grave?
Você pode rezar a oração da Igreja pelos enfermos no singular, com o nome da pessoa, ou uma oração simples como esta: “Pai de misericórdia, N. está muito doente, e nós estamos com medo. Se for da vossa vontade, devolvei-lhe a saúde; se não, dai-lhe paz e aliviai a sua dor”. E, sobretudo, chame o padre para a Unção dos Enfermos: o Código de Direito Canônico pede aos familiares que cuidem para que o doente a receba no tempo oportuno (cân. 1001).
Como pedir a Unção dos Enfermos?
Ligue para a secretaria da sua paróquia ou peça no hospital que chamem o capelão. Diga o nome do doente, onde ele está, se consegue falar e se é urgente. Só um padre pode dar a Unção (cân. 1003). Não espere o último momento: ela pode ser recebida desde que a pessoa começa a estar em perigo por doença ou velhice, antes de uma cirurgia importante, e pode ser repetida se a doença se agravar (CIC 1514-1515).
Posso rezar por um doente que não é católico?
Pode, sempre. São Paulo pede que se façam preces por todos os homens (1Tm 2,1), e Deus ama cada doente, seja qual for a sua religião. Se ele estiver acordado, pergunte com respeito se quer que você reze com ele. Os sacramentos são outra coisa: a Unção dos Enfermos é dada aos católicos, com algumas exceções para outros cristãos que o padre conhece (cân. 844). A sua oração por ele não tem exceção.
Qual salmo rezar por um doente?
O mais rezado ao lado de um doente é o Salmo 23, o salmo do Bom Pastor, que pede confiança nas noites longas. Muitas famílias rezam também o Salmo 91, o salmo da proteção de Deus, e o Salmo 41, que chama feliz quem cuida do fraco e promete que o Senhor o sustenta no leito de dor. Você pode rezá-los devagar, ao lado da cama ou de longe, e terminar com a oração pelos enfermos desta página.
Como rezar por alguém no hospital?
Com poucas palavras e em voz baixa: diga o nome da pessoa, segure a mão dela e reze um Pai-Nosso, uma Ave-Maria ou uma frase curta como “Jesus, eu confio em vós”. Respeite os horários e o que a equipe médica pedir, e não acenda velas. Pergunte no posto de enfermagem pelo capelão, para a Comunhão, a Confissão ou a Unção dos Enfermos.
Qual é o santo protetor dos doentes?
São Camilo de Lellis e São João de Deus, que o Papa Leão XIII declarou padroeiros dos enfermos e dos hospitais em 1886. Muitos pedem também a Nossa Senhora de Lourdes, Saúde dos Enfermos; a São Rafael Arcanjo, cujo nome quer dizer “Deus cura”; a São Peregrino, pelos doentes de câncer; a Santa Dulce dos Pobres; e a São José, padroeiro da boa morte.
Quando é o Dia Mundial do Enfermo?
Em 11 de fevereiro, festa de Nossa Senhora de Lourdes. Foi instituído por São João Paulo II em 1992. Nesse dia, muitas paróquias celebram a Unção dos Enfermos em comunidade e visitam os doentes do bairro.


